A Raízen, gigante global de açúcar e etanol de cana, registrou lucro líquido ajustado de R$ 527 milhões no primeiro trimestre do ano-safra 2023/24, recuo de 51,5% ante o mesmo período do ano anterior, segundo balanço publicado pela empresa nesta segunda-feira, 14.
A companhia que atua também na distribuição de combustíveis reportou lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado de R$ 3,27 bilhões, queda de 10,6%.
Já a receita líquida recuou 26,3%, para R$ 48,82 bilhões.

A moagem de cana da Raízen teve aumento de 1,5% no primeiro trimestre da safra, para 26,8 milhões de toneladas, com a companhia citando um aumento da produtividade.
“O clima mais propício durante a entressafra contribuiu para expansão. Com avanço na moagem, devemos ter uma produção de – no mínimo – 80 milhões de toneladas de cana nesta safra”, disse a Raízen.
Em maio, executivos da empresa tinham projetado moagem de 80 milhões de toneladas na safra, o que representaria um crescimento de 8,8% na comparação com o ciclo 2022/23, encerrado em março.
“Com mais de dois terços de canavial renovado e já no seu potencial, a média da produtividade alcançará gradualmente os níveis de potencial em cada uma das regiões em que operamos, gerando importantes ganhos de escala e eficiência pela maior diluição de custos”, disse a companhia.
Com um maior direcionamento de cana para a produção de açúcar, a produção do adoçante da Raízen aumentou 12,8% na comparação anual, para 1,6 milhão de toneladas, enquanto a produção de etanol de primeira geração atingiu 944 milhões de litros, queda de 6,4%.

Além disso, o mix de produção da Raízen para açúcar atingiu 52%, versus 47% da cana destinada ao adoçante no mesmo período do ano passado, uma vez que esta commodity tem remunerado mais do que o etanol, cujo percentual caiu para 48%.
A produção de etanol de segunda geração, a partir de biomassa, somou 7,7 milhões de litros, aumento de 1,3% na mesma comparação.
A Raízen ainda citou redução 23,3% nos volumes de venda de etanol no trimestre, para 1,07 bilhão de litros, refletindo a estratégia de comercialização para a safra, “em função da perda momentânea de competitividade do etanol frente à gasolina no período”.
As vendas de açúcar caíram também 29%, para 1,9 milhão de toneladas, “seguindo a estratégia de vendas e embarques para a safra”.
Com isso, o desempenho conjunto dos segmentos de açúcar e energia renováveis atingiu uma receita de R$ 9,9 bilhões no trimestre, queda anual de 38,6%. O Ebitda ajustado, por sua vez, caiu 22,7%, para R$ 1,33 bilhão.

Ainda segundo a companhia, os investimentos trimestrais totalizaram R$ 1,63 bilhão (+9,1%). A maior parte deste montante, ou R$ 1,04 bilhão, foi direcionada para gastos recorrentes no canavial e na indústria.
Por sua vez, os projetos de E2G receberam R$ 296,4 milhões (+28%), enquanto os de biogás demandaram 33,4 milhões (+1.352,2%).

O volume vendido de combustíveis pela unidade de distribuição no Brasil, Argentina e Paraguai somou 8,57 bilhões de litros, aumento de 1% na comparação anual, com impulso de produtos do ciclo Otto (gasolina e etanol), com alta de 2,5%.
A receita líquida do segmento caiu 28,3%, para R$ 40,15 bilhões, em meio a menores preços.
A dinâmica dos preços praticados no Brasil e o cenário de suprimentos com excesso de oferta de diesel e etanol hidratado resultaram em perda de competividade, além de forte efeito nas posições de inventário, disse a Raízen.
“A oferta de diesel, especialmente originado da Rússia, com desconto sobre os preços praticados no país e nos demais canais de importação, provocando compressão de nossas margens”, destacou.
A empresa também afirmou que, na gasolina, as quedas de preços anunciadas pela Petrobras também pressionaram os preços de etanol, “gerando impactos adicionais aos inventários destes produtos”.
Roberto Samora e Marta Nogueira
Com informações adicionais NovaCana