Já perturbado pela oferta excessiva, mercado aguarda ansioso para saber qual será o impacto da ação da companhia francesa na oferta e nos preços da commodityA Louis Dreyfus Commodities comprou aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado nas últimas semanas, em uma maratona de compras no valor de US$ 750 milhões, o que causou ainda mais confusão em um mercado já conturbado pela oferta excessiva.
Confira a seguir mais detalhes sobre a operação, a cautela do traders e as possíveis explicações.
Um dos maiores comerciantes de açúcar do mundo foi o único comprador de 1,49 milhão de toneladas de açúcar demerara na semana passada, na maior negociação de futuros do ICE (Nova York) em pelo menos 24 anos.
Esta compra veio na esteira de outra, de 313.150 toneladas de açúcar refinado, negociada na Liffe, de Londres, apenas algumas semanas antes.
Entre estas compras e outra transação para adquirir 60 mil toneladas de açúcar tailandês para entrega entre julho e setembro 2014, a Louis Dreyfus gastou cerca de US$ 750 milhões na commodity no último mês, baseado em preços de futuros e nos prêmios relatados.
A jogada da empresa tem alimentado as esperanças de alguns de que o mercado atingiu o fundo do poço depois de que os futuros de açúcar demerara atingiram os preços mais baixos em três anos em julho. Os valores representavam menos da metade de um pico de 36 centavos por libra-peso no início de 2011.
Outros traders, porém, dizem que a companhia apenas recolheu a oferta indesejada a preços baixos, ressaltando a escala da produção brasileira e o excedente mundial.
De acordo com uma porta-voz da empresa, durante os últimos três anos, a Louis Dreyfus comprou açúcar no mercado futuro enquanto uma oferta excedente se acumulava e os preços enfraqueciam.
Os registros da ICE mostram que, em suas 17 participações em negociações de açúcar bruto em Nova York desde julho de 2008, a companhia atuou como compradora em sete.
"As entregas não mudam a oferta e a demanda globais do açúcar", afirmou a porta-voz.
Ainda assim, o tamanho e a velocidade com que estas compras foram feitas causam hesitação no mercado, enquanto os negociantes calculam o impacto na disponibilidade e nos preços do produto.
Só a compra da semana passada na ICE representa mais da metade das exportações feitas no mês passado pelo Brasil, o maior produtor de açúcar do mundo, de acordo com cálculos feitos pela Reuters.
O contrato mais ativo para entrega em março subiu 4% desde o vencimento de outubro e a confusão causada pela enorme entrega manteve os comerciantes nos bastidores durante a maior parte das últimas duas semanas.
Bruno Lima, consultor sênior de gestão de risco da INTL FCStone no Brasil, disse que as transações de outubro foram das mais difícil que o mercado já viu.
"Por um lado, isso provavelmente significa que quem estava vendendo açúcar não tinha qualquer outro lugar para onde mandá-lo", disse.
"Por outro, é pouco provável que a Louis Dreyfus apostaria tanto dinheiro naquela quantidade de açúcar se eles não tivessem um destino para pelo menos parte do que foi comprado".
Com a maior parte da recente compra vinda do Brasil, os traders têm especulado que a Loius Dreyfus está apostando em uma potencial oferta apertada no começo de 2014, antes do início da próxima safra brasileira.
Previsões de chuva já alimentaram temores de que a etapa final da safra do Brasil vai ser adiada ainda mais depois que o tempo úmido prejudicou a moagem de cana em setembro.
Apesar da Louis Dreyfus produzir açúcar e etanol no Brasil, por meio da Biosev, traders dizem que o açúcar deve ser destinado a abastecer mercados da China, da África e da região do Mar Negro.
Na China, especificamente, a queda do preço do açúcar para o mínimo dos últimos três anos suscitou maior demanda por parte dos refinadores.
As especulações acenam que o primeiro trimestre de 2014 pode ter, durante um curto período, uma escassez do produto, antes que a nova safra brasileira inicie, em abril.
Analistas e traders estimam que o excedente global de açúcar deve cair a menos que a metade, em comparação com o ano passado, para aproximadamente 4 milhões de toneladas na safra 2013/2014, iniciada em 1º de outubro.
A diferença de preços entre os contratos para outubro, em comparação aos de março, cresceu alguns dias antes das negociações, o que foi visto como evidência de que a Copersucar preferiu vender o produto a valores ainda mais baixos do que a produção.
"Se o maior produtor decidir entregar, é um voto de que este era o melhor preço que eles conseguiriam", disse um corretor suíço.
A porta-voz da Louis Dreyfus optou por não comentar.
Poucos navios foram chamados para as negociações feitas a partir de quinta-feira, se é que algum foi, dizem os traders. A empresa tem até dia 15 de dezembro para chamar os navios aos portos para carregamento, de acordo com as regras da negociação.
A nomeação dos navios é acompanhada de perto pela indústria do açúcar, porque pode indicar se há ou não um destino certo para o produto.
"Poderia se pensar que comprar todo esse açúcar e não ter um destino certo para ele seria consideravelmente perigoso", afirmou um trader americano.
A compra feita pela Dreyfus vem em um momento especialmente sensível, depois que a recente queda nos preços da commodity provocou uma nova demanda de refinadores da China, que foi o maior importador de açúcar bruto na última safra.
Qualquer recuperação dos preços desde o vencimento de outubro ameaçaria acabar com a nova demanda, temem os comerciantes.
"Todos precisam que os preços voltem a baixar", declarou outro trader americano.
Chris Prentice (Reuters)
Tradução: Vivian Faria
Confira a seguir mais detalhes sobre a operação, a cautela do traders e as possíveis explicações.
Um dos maiores comerciantes de açúcar do mundo foi o único comprador de 1,49 milhão de toneladas de açúcar demerara na semana passada, na maior negociação de futuros do ICE (Nova York) em pelo menos 24 anos.
Esta compra veio na esteira de outra, de 313.150 toneladas de açúcar refinado, negociada na Liffe, de Londres, apenas algumas semanas antes.
Entre estas compras e outra transação para adquirir 60 mil toneladas de açúcar tailandês para entrega entre julho e setembro 2014, a Louis Dreyfus gastou cerca de US$ 750 milhões na commodity no último mês, baseado em preços de futuros e nos prêmios relatados.
A jogada da empresa tem alimentado as esperanças de alguns de que o mercado atingiu o fundo do poço depois de que os futuros de açúcar demerara atingiram os preços mais baixos em três anos em julho. Os valores representavam menos da metade de um pico de 36 centavos por libra-peso no início de 2011.
Outros traders, porém, dizem que a companhia apenas recolheu a oferta indesejada a preços baixos, ressaltando a escala da produção brasileira e o excedente mundial.
De acordo com uma porta-voz da empresa, durante os últimos três anos, a Louis Dreyfus comprou açúcar no mercado futuro enquanto uma oferta excedente se acumulava e os preços enfraqueciam.
Os registros da ICE mostram que, em suas 17 participações em negociações de açúcar bruto em Nova York desde julho de 2008, a companhia atuou como compradora em sete.
"As entregas não mudam a oferta e a demanda globais do açúcar", afirmou a porta-voz.
Ainda assim, o tamanho e a velocidade com que estas compras foram feitas causam hesitação no mercado, enquanto os negociantes calculam o impacto na disponibilidade e nos preços do produto.
Só a compra da semana passada na ICE representa mais da metade das exportações feitas no mês passado pelo Brasil, o maior produtor de açúcar do mundo, de acordo com cálculos feitos pela Reuters.
O contrato mais ativo para entrega em março subiu 4% desde o vencimento de outubro e a confusão causada pela enorme entrega manteve os comerciantes nos bastidores durante a maior parte das últimas duas semanas.
Bruno Lima, consultor sênior de gestão de risco da INTL FCStone no Brasil, disse que as transações de outubro foram das mais difícil que o mercado já viu.
"Por um lado, isso provavelmente significa que quem estava vendendo açúcar não tinha qualquer outro lugar para onde mandá-lo", disse.
"Por outro, é pouco provável que a Louis Dreyfus apostaria tanto dinheiro naquela quantidade de açúcar se eles não tivessem um destino para pelo menos parte do que foi comprado".
Risco climático, oferta apertada
Ainda assim, especuladores dizem que o cenário parece estar ficando mais favorável.Com a maior parte da recente compra vinda do Brasil, os traders têm especulado que a Loius Dreyfus está apostando em uma potencial oferta apertada no começo de 2014, antes do início da próxima safra brasileira.
Previsões de chuva já alimentaram temores de que a etapa final da safra do Brasil vai ser adiada ainda mais depois que o tempo úmido prejudicou a moagem de cana em setembro.
Apesar da Louis Dreyfus produzir açúcar e etanol no Brasil, por meio da Biosev, traders dizem que o açúcar deve ser destinado a abastecer mercados da China, da África e da região do Mar Negro.
Na China, especificamente, a queda do preço do açúcar para o mínimo dos últimos três anos suscitou maior demanda por parte dos refinadores.
As especulações acenam que o primeiro trimestre de 2014 pode ter, durante um curto período, uma escassez do produto, antes que a nova safra brasileira inicie, em abril.
Analistas e traders estimam que o excedente global de açúcar deve cair a menos que a metade, em comparação com o ano passado, para aproximadamente 4 milhões de toneladas na safra 2013/2014, iniciada em 1º de outubro.
Uma questão complicada
Alguns comerciantes, no entanto, não estão convencidos e interpretam as compras da Louis Dreyfus como mais um sinal de que o mercado está inundado de suprimentos, especialmente porque a maior parte da entrega de outubro da ICE deve vir do maior produtor brasileiro da commodity, a Copersucar.A diferença de preços entre os contratos para outubro, em comparação aos de março, cresceu alguns dias antes das negociações, o que foi visto como evidência de que a Copersucar preferiu vender o produto a valores ainda mais baixos do que a produção.
"Se o maior produtor decidir entregar, é um voto de que este era o melhor preço que eles conseguiriam", disse um corretor suíço.
A porta-voz da Louis Dreyfus optou por não comentar.
Poucos navios foram chamados para as negociações feitas a partir de quinta-feira, se é que algum foi, dizem os traders. A empresa tem até dia 15 de dezembro para chamar os navios aos portos para carregamento, de acordo com as regras da negociação.
A nomeação dos navios é acompanhada de perto pela indústria do açúcar, porque pode indicar se há ou não um destino certo para o produto.
"Poderia se pensar que comprar todo esse açúcar e não ter um destino certo para ele seria consideravelmente perigoso", afirmou um trader americano.
A compra feita pela Dreyfus vem em um momento especialmente sensível, depois que a recente queda nos preços da commodity provocou uma nova demanda de refinadores da China, que foi o maior importador de açúcar bruto na última safra.
Qualquer recuperação dos preços desde o vencimento de outubro ameaçaria acabar com a nova demanda, temem os comerciantes.
"Todos precisam que os preços voltem a baixar", declarou outro trader americano.
Chris Prentice (Reuters)
Tradução: Vivian Faria