A aprovação de um pacote de financiamentos do (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) BNDES para o setor sucroenergético, anunciada em 4 de junho, deve trazer um pequeno alívio apenas às empresas de açúcar e etanol mais orientadas ao biocombustível, segundo relatório publicado pela agência de classificação de risco Fitch Ratings.
“A queima de caixa tem sido alta para os produtores brasileiros durante o início da safra 2020/21 e a linha de crédito de R$ 3 bilhões para financiar o armazenamento de etanol, se totalmente desembolsada, não atende suficientemente às necessidades atuais do setor”, complementa.
Ainda de acordo com a Fitch, a nova linha do BNDES não deve ser acessível para empresas em dificuldades, pois a liquidez bancária permanece concentrada nas companhias com melhor saúde financeira. Além disso, os bancos parceiros devem concentrar o crédito nas empresas com as melhores métricas de suas carteiras.
“O auxílio pode beneficiar não mais que 10% da produção total de 28 bilhões de litros de etanol que se espera produzir em 2020/21”, aponta o relatório, que segue: “É improvável que ele chegue às empresas em dificuldades financeiras, pois a linha de crédito foi projetada para incluir bancos privados”.
A Fitch argumenta que o reembolso de dois anos e o período de carência de 12 meses aumentam a atratividade da linha em tempos de condições de crédito mais difíceis no Brasil. Ainda assim, a maior parte dos emissores classificados pela agência teria boa capacidade de negociação e risco de refinanciamento abaixo da média, sendo menos provável que elas se beneficiem dos termos e condições do BNDES para o auxílio financeiro.
“Para o setor, o auxílio financeiro tem potencial para suportar os preços do etanol ao ajudar as empresas a manter níveis de estoque elevados e evitar a venda de etanol nos preços atuais”, analisa, mas pondera: “Já as empresas com flexibilidade financeira adequada, que optaram por manter os estoques de etanol e maximizar a produção de açúcar, podem acabar obtendo ganhos menores com as vendas de etanol no final da safra em curso”.
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