A Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados vai realizar uma audiência para discutir a liberação da comercialização de veículos leves movidos a óleo diesel, a pedido do deputado Paulo Ganime (Novo-RJ).
O uso de motores a diesel em veículos de pequeno porte é proibido no Brasil desde 1976.
Segundo o requerimento, a lei de 1976 restringiu o uso de diesel por conta da crise internacional do petróleo e a importação de combustíveis, que impactavam significativamente a balança comercial brasileira.
Tal situação não se justificaria nos dias de hoje – apesar de o Brasil ainda ser dependente da importação de diesel.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a dependência externa por óleo diesel foi de 26% em 2019, período anterior à pandemia, quando foi feita a importação líquida de mais de 1,1 bilhão de litros.
Em 2020, a dependência caiu para 16%, mas o mercado sofreu distorções em razão da covid-19.
A discussão é antiga. Veja outros momentos em que a liberação do diesel entrou em pauta:
Uma das justificativas de Ganime para a comercialização de veículos a diesel é que eles podem ser menos poluentes do que os movidos a gasolina.
“A eficiência dos motores diesel chega a ser 30% maior do que o motor equivalente movido à gasolina, ou até 60% a mais do que o etanol. A energia do combustível no ciclo diesel é melhor aproveitada do que no ciclo Otto (gasolina e etanol)”, afirma a justificativa do deputado.
Porém, o diesel é mais poluente que a gasolina. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME), a queima de diesel de petróleo emite 2,98 toneladas de CO2 por tonelada equivalente de petróleo (tCO2/tep), enquanto o coeficiente de emissão da gasolina automotiva é de 2,79 tCO2/tep.
Contudo, a vantagem se daria pelo maior o rendimento dos motores a diesel. O impacto ambiental dos combustíveis depende também da emissão de poluentes, como NOx (óxidos de nitrogênio), monóxido de carbono (CO) e NMHC (hidrocarbonetos não metano) e outros. E, portanto, da qualidade dos motores e dos sistemas de filtragem dos veículos.
Paulo Ganime cita a mistura obrigatória de biodiesel no diesel para atestar a sustentabilidade da proposta.
Vale lembrar que o governo reduziu o percentual do combustível renovável pelo período de maio a agosto deste ano, para tentar evitar efeitos inflacionários no diesel, diante de uma crise de preços dos combustíveis.
Em diversos países, governos lançam políticas para acabar com a produção de veículos a diesel e gasolina, enquanto fabricantes de veículos anunciam planos para abandonar a tecnologia a combustão e migrar para a eletromobilidade.
A lista inclui Renault, General Motors, Nissan, Volvo, Volkswagen, Honda, Audi, Ford e BMW.
Entre as políticas para acabar com o uso de fósseis tramitam no Congresso Nacional está o PL 3368/20 do deputado Jose Mario Schreiner (DEM-GO), que determina que, a partir de 2030, os automóveis e utilitários leves fabricados no Brasil ou importados usarão exclusivamente biocombustível. A migração para o novo padrão será gradual.
Pela proposta que tramita na Câmara , em 2030 a regra valerá para todos os veículos com motor 1.6 a 1.8 cilindradas. Depois, será a vez dos carros 1.4 a 1.6 (em 2033) e 1.4 para baixo (em 2035).
Para garantir o abastecimento do mercado interno de biocombustíveis, o projeto obriga o governo federal e os estaduais a desenvolverem programas de incentivo e financiamentos para produção de etanol e outras fontes de energias renováveis, segundo informações da Agência Câmara.
Já o PL 3174/20 propõe uma política de incentivo aos veículos elétricos, baseada em corte de imposto e troca da frota do governo federal. O texto, que tramita na Câmara dos Deputados, prevê também a criação de linhas de crédito prioritárias para a produção de veículos elétricos no País.
Conforme a proposta, do deputado Marreca Filho (Patriota-MA), os veículos elétricos passarão a contar com isenção total de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os híbridos (com propulsão elétrica e convencional) terão redução de 50% do tributo.
Nayara Machado