Cana: Safra / Moagem

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[Opinião] La Niña pode afetar a produção de açúcar no Centro-Sul e no mercado global

Apesar da recuperação dos preços do açúcar, as expectativas ainda são de um ligeiro superávit na safra 2024/25, especialmente com as melhores perspectivas no Hemisfério Norte e a continuação da alta produção no Brasil


Hedgepoint - Publicado: 30 Jul 2024 - 09:48

Por Lívea Coda*

Após duas semanas de queda nos preços do açúcar devido a uma perspectiva mais positiva no Hemisfério Norte, os contratos de açúcar bruto e branco estão em alta desde a última quinta-feira, 25, aproximando-se de 19 centavos de dólar por libra-peso para o açúcar bruto.

Os preços foram impulsionados por números da safra brasileira abaixo do esperado, após a divulgação dos números da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica). No entanto, o cenário no médio prazo continua sendo mais baixista.

No Brasil, o Centro-Sul ainda deve alcançar uma boa produção de açúcar em 2024/25 e países como a Índia e a Tailândia podem ter um clima favorável este ano, o que deve permitir uma produção maior.

Assim, por mais interessante que seja discutir os movimentos de preços, é preciso recapitular os possíveis efeitos do La Niña, que podem não ser tão intensos para o mercado de açúcar. Dados divulgados recentemente pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) apontam para um aumento da probabilidade de um La Niña ativo a partir de agosto (70%), mas com maior probabilidade entre novembro e fevereiro (78%).

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Esse momento coloca a primavera e o verão da região Centro-Sul do Brasil no centro das atenções, pois coincide com a janela de desenvolvimento da cana. Além disso, o inverno e a moagem do Hemisfério Norte também estariam em seu pico, portanto, também vale a pena monitorar.

No entanto, analisando a correlação entre os padrões de precipitação e as ocorrências das oscilações do fenômeno (chamadas de Enso), parece improvável que o La Niña afete significativamente a região Centro-Sul do Brasil. Seria necessário um evento climático particularmente forte para causar condições mais secas nessa área.

Mas o mesmo não pode ser dito sobre a temperatura. Como sua correlação é mais forte, poderíamos esperar um verão mais frio.

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Uma temperatura ligeiramente mais baixa não representa uma ameaça significativa ao desenvolvimento da cana, ao contrário do que aconteceria com outro verão seco. Como a intensidade do evento foi revisada para baixo, combinada com a baixa correlação, podemos continuar bastante otimistas em relação à temporada 2025/26 do Brasil, pelo menos por enquanto.

Com relação a outros fornecedores importantes, como Índia e Tailândia, eles também mostram uma baixa correlação entre a precipitação e o evento. No caso de um La Niña extremamente forte, ele poderia levar a condições mais úmidas no Sudeste Asiático e na Oceania, afetando potencialmente o ritmo de moagem da Tailândia.

No entanto, a intensidade mais baixa recentemente revisada sugere o contrário. Assim, diferentemente dos anos anteriores, podemos estar entrando em uma zona mais neutra. Essa tendência poderia permitir que o lado da oferta se recuperasse dos impactos climáticos adversos das safras anteriores.

Por exemplo, espera-se a formação de estoques na Índia e o país poderá retornar ao mercado de exportação em 2024/25.

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O aumento da disponibilidade pode levar a preços mais brandos, tornando a demanda o principal fator de alta no futuro e o mais difícil de prever.

Considerando que a demanda de açúcar tende a ser resiliente, especialmente nos países em desenvolvimento, espera-se que o crescimento global permaneça em torno de sua média de 1%. Um ponto para destacar é que, embora um ano de superávit esteja previsto para 2024/25 (outubro a setembro), ele pode ser modesto, com menos de 1 milhão de toneladas.

Em termos de fluxos comerciais, o monitoramento do comportamento de compra da China é crucial. Espera-se que o país tenha uma moagem melhor em 2024/25, com a Associação de Açúcar da China estimando 11 milhões de toneladas de disponibilidade doméstica. Isso reduziria as necessidades de importação do país em pelo menos 500 mil toneladas, contribuindo para uma perspectiva de mercado mais baixista.

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Em resumo, espera-se que o La Niña se torne ativo entre agosto e fevereiro, o que coincide com a janela de desenvolvimento da cana do Centro-Sul do Brasil e com o período de moagem do Hemisfério Norte. No entanto, a correlação entre as ocorrências de Enso e a precipitação sugere que o La Niña provavelmente não afetará significativamente a região Centro-Sul do Brasil, embora temperaturas mais baixas possam ser esperadas.

Os principais fornecedores, como a Índia e a Tailândia, também apresentam uma baixa correlação com o La Niña e a intensidade mais baixa revisada do evento sustenta uma perspectiva mais neutra, permitindo potencialmente a recuperação da oferta. O aumento da disponibilidade pode levar a preços mais brandos, tornando a demanda o fator de alta mais significativo.

* Lívea Coda é coordenadora de inteligência de mercado na Hedgepoint Global Markets e será uma das palestrantes da Conferência NovaCana 2024. Clique aqui para acessar a programação completa do evento.


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