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Para Itaú BBA, setor sucroenergético deve diminuir antes de voltar a crescer

A baixa geração de caixa e os consequentes poucos investimentos, somados ao cenário de preços baixos, dão o tom do que deve ser esperado para os próximos anos no setor

NovaCana 6 min de leitura

O setor de açúcar e etanol vai ter que diminuir antes de crescer novamente. Pelo menos, essa é a visão do Itaú BBA, representado pelo diretor de agronegócio Pedro Fernandes durante o NovaCana Ethanol Conference, evento que aconteceu em São Paulo nos últimos dias 3 e 4.

De acordo com ele, as transações de fusão e aquisição – que, na atual situação seriam uma demonstração do desenvolvimento do setor – diminuíram bastante nos últimos anos. Conforme os dados do banco, enquanto em 2010 as transações envolveram a aquisição de uma capacidade de moagem de 84,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, em 2017 foram apenas 5,5 milhões de toneladas. “Assim, os ativos estão estressados”, explicou o diretor.

Há alguns anos, o banco indicava uma tendência de expansão do canavial por meio da chamada “consolidação silenciosa” do setor, graças a uma retomada de investimentos e à diminuição de dívidas, o que levaria as companhias em melhores condições a adquirir terras. Porém, o analista afirmou que os dados da safra 2017/18 demonstram que a situação mudou.

Confira, na versão completa, os detalhes da não-consolidação pela qual o setor passa, a situação atualizada das empresas da carteira do Itaú BBA, os fatores que permitem uma mudança de cenário e as perspectivas do banco para os próximos anos.

O setor de açúcar e etanol vai ter que diminuir antes de crescer novamente. Pelo menos, essa é a visão do Itaú BBA, representado pelo diretor de agronegócio Pedro Fernandes durante o NovaCana Ethanol Conference, evento que aconteceu em São Paulo nos últimos dias 3 e 4.

De acordo com ele, as transações de fusão e aquisição – que, na atual situação, são uma demonstração do desenvolvimento do setor – diminuíram bastante nos últimos anos. Conforme os dados do banco, enquanto em 2010 as transações envolveram a aquisição de uma capacidade de moagem de 84,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, em 2017 foram apenas 5,5 milhões de toneladas. “Assim, os ativos estão estressados”, explicou o diretor.

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Há alguns anos, o banco indicava uma tendência de expansão do canavial por meio da chamada “consolidação silenciosa” do setor, graças a uma retomada de investimentos e à diminuição de dívidas, o que levaria as companhias em melhores condições a adquirir terras. Porém, o analista afirmou que os dados da safra 2017/18 demonstram que a situação mudou.

Na sua análise, essa consolidação silenciosa tem acontecido menos e seu ritmo está diminuindo.

“A consolidação do setor, que era esperada, não aconteceu. Mudamos de opinião ao longo do último ano, e constatamos que este crescimento não está ocorrendo pois há um baixo apetite”, constatou Fernandes durante a conferência.

Os dados do banco ainda demonstram que, há seis anos, a moagem das usinas do Centro-Sul crescia 2% ao ano, enquanto a das dez melhores usinas financiadas pelo banco crescia 4%.

Já nos últimos três anos, a moagem no Centro-Sul caiu 1% ao ano, enquanto o resultado das principais usinas que fazem parte da carteira do Itaú BBA cresceu apenas 1% ao ano. Assim, é possível constatar que o ritmo de crescimento do canavial tem decrescido na última década.

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“A safra 2017/18 foi mais difícil em termos agronômicos e o índice de crescimento foi muito baixo. Aquele cenário de grandes empresas expandindo seu canavial e aumentando sua moagem não tem sido visto, nem nos últimos três nem nos últimos seis anos”, constatou o diretor do Itaú BBA.

Geração de caixa x dívidas

Fernandes também explicou que a geração de caixa de uma usina é o que determina a forma de análise de seu endividamento. As dívidas, segundo ele, muitas vezes representam a condição para novos investimentos, que poderiam fazer o setor crescer e reverter uma situação de crise.

Porém, desde o início de agosto, o banco já acenava para o fato de que investimentos e empréstimos por parte das usinas sucroenergéticas iriam diminuir.

Na visão do Itaú BBA, e de acordo com a carteira de clientes do banco, é possível fazer uma análise do setor para entender até onde pode ir o endividamento das empresas. Dessa forma, eles as dividem em três grupos:

  1. O Grupo 1, que possui 35 empresas que correspondem a 303 milhões de toneladas de cana, tem capacidade de gerar caixa acima das operações de endividamento, apesar do cenário de preços restritivo dos últimos anos. É uma área de conforto financeiro, com as usinas apresentando retornos para os acionistas e uma capacidade de redução de dívidas.
  2. O Grupo 2, com 22 companhias correspondendo a 111 milhões de toneladas, está em uma zona mais apertada, na qual as usinas conseguem fazer os investimentos necessários para manutenção dos seus ativos, e até servir a dívida, mas têm pouco espaço de desalavancagem e para fazer novos projetos.
  3. E o Grupo 3 possui 18 empresas, que correspondem a 77 milhões de toneladas. Sua capacidade de geração de caixa não faz frente às necessidades básicas da atividade, como renovação de canavial e servir a dívida. Fernandes ainda acrescenta que esse número pode ser subestimado, pois exclui grupos que já estão em recuperação judicial, por exemplo.
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Estes três grupos trazem os dados de 75 empresas – sendo que 50 delas estão entre as maiores do setor – e fica visível a dispersão entre suas capacidades de geração de caixa e de dívida, afirma o diretor. “Esta análise e a distância entre os grupos indicam o quanto alguns estão aptos a fazer investimentos mais vultuosos”, complementa.

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Uma luz no fim do túnel?

O diretor do Itaú BBA afirma que 20 empresas dentre as 35 que fazem parte do Grupo 1 estão gerando caixa mesmo neste cenário de preços baixos, porém, “uma coisa é gerar caixa e outra é remunerar adequadamente o acionista – e isso acreditamos que não esteja acontecendo”. Segundo o banco, com os preços do mercado como estão hoje, a expectativa de expansão de área das usinas é muito baixa.

Para que este cenário de pouca consolidação mude, na opinião de Fernandes, seriam necessários o fim do superávit global e o ajuste na oferta de açúcar, o aumento na demanda de etanol e a redução dos ativos – pelo menos. E essas coisas levam tempo.

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“A questão que fica é o quanto o setor vai ter que diminuir antes de voltar a ser rentável, e a ser interessante tanto internamente quanto para novos investidores externos”, conclui o diretor, reafirmando o compromisso do Itaú BBA de discutir a realidade atual para definir o que é preciso ser feito para passar essa dura fase, que já dura cinco anos.

Rafaella Coury – NovaCana

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