Contratos futuros, negociados em Nova York, têm registrado queda e bons negócios dependem de condições de câmbio favoráveis
A possibilidade de as usinas brasileiras aumentarem significativamente a produção de açúcar na temporada 2020/21 motivou um grupo de analistas do banco de investimentos Itaú BBA a recomendar a fixação de preços enquanto o mercado segue com condições favoráveis. O relatório da instituição foi concluído na última quarta-feira (27).
Segundo o documento, a possível maximização da produção da commodity no Brasil pode reduzir o déficit esperado para o mercado global e, assim, diminuir o espaço para a recuperação das cotações internacionais do produto.
Em comparação com o observado no final de fevereiro, os contratos negociados em Nova York registraram quedas de 25%. Contudo, a redução foi parcialmente compensada no Brasil por uma desvalorização do real frente ao dólar em 21%.
“Caso haja uma valorização cambial que não seja acompanhada por um acréscimo das cotações, a perda de valor do açúcar em reais pode ser considerável”, apontam os analistas, que recomendam: “Diante das incertezas que estamos atravessando, é prudente que a usina fique atenta às oportunidades para se proteger de possíveis quedas das cotações para níveis que possam comprometer a rentabilidade da operação”.
No texto completo (exclusivo para assinantes), leia mais sobre as perspectivas do Itaú BBA para os preços de açúcar e etanol.
A possibilidade de as usinas brasileiras aumentarem significativamente a produção de açúcar na temporada 2020/21 motivou um grupo de analistas do banco de investimentos Itaú BBA a recomendar a fixação de preços enquanto o mercado segue com condições favoráveis. O relatório da instituição foi concluído na última quarta-feira (27).
Segundo o documento, a possível maximização da produção da commodity no Brasil pode reduzir o déficit esperado para o mercado global e, assim, diminuir o espaço para a recuperação das cotações internacionais do produto.
Em comparação com o observado no final de fevereiro, os contratos negociados em Nova York registraram quedas de 25%. Contudo, a redução foi parcialmente compensada no Brasil por uma desvalorização do real frente ao dólar em 21%.

“Caso haja uma valorização cambial que não seja acompanhada por um acréscimo das cotações, a perda de valor do açúcar em reais pode ser considerável”, apontam os analistas, que recomendam: “Diante das incertezas que estamos atravessando, é prudente que a usina fique atenta às oportunidades para se proteger de possíveis quedas das cotações para níveis que possam comprometer a rentabilidade da operação”.
De acordo com o relatório, apesar desta queda nos preços internacionais – negociados em dólares por libra-peso – e da valorização do real observada nos últimos dias, o mercado ainda oferece oportunidades de fixações futuras em patamares considerados atrativos. “Os contratos para 2021 e 2022, por exemplo, podem ser negociados acima de R$ 1.400/t”, complementa.
Ainda segundo os analistas do Itaú BBA, uma fixação de açúcar a R$ 1.400/t equivale à venda de etanol por R$ 2,00/l em Paulínia. De acordo com o indicador diário do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o etanol hidratado foi vendido em Paulínia a R$ 1,6075/l na quarta-feira (27) – ou seja, a um preço menos vantajoso que o do açúcar para exportação.
“Mesmo com o afrouxamento das medidas de contenção e o corte na produção do petróleo pela Opep+, a commodity [petróleo] ainda acumula perda de 32% desde o final de fevereiro”, aponta o documento. “Atrelado às medidas de contenção da pandemia no Brasil, que têm impactado o consumo de combustíveis no mercado interno, este cenário afetou sobremaneira as cotações do etanol”.
Assim, conforme os analistas, as condições favoráveis de câmbio, a queda no valor do etanol e as incertezas em relação aos impactos econômicos relacionados à covid-19 são os principais fatores que levam as usinas brasileiras a aumentar a produção de açúcar. Outro aspecto que também influencia a estratégia das usinas é a redução da produção de açúcar em outros importantes países produtores, como Índia e Tailândia.
NovaCana