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Cogeração de energia

Usinas a bagaço de cana lideram vendas de energia em leilão para entrega em 2026

Raízen, Coruripe, Bioaroeira, Balbo e Laguna comercializaram 5,86 TWh de energia elétrica; FS Bioenergia vendeu 736,34 GWh


Reuters - 01 out 2021 - 07:37

As usinas a partir de bagaço de cana-de-açúcar lideraram as vendas no leilão de energia nova A-5, com entrega a partir de 2026, respondendo por mais de 32% do total comercializado, com a fonte térmica também apresentando o maior deságio entre os geradores participantes.

As térmicas, incluindo um projeto de cavaco de madeira, negociaram 9,3 milhões de MWh, ou cerca de 37% do total de 25,14 milhões de MWh vendidos no leilão, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que realizou o leilão juntamente com a reguladora Aneel.

Esses empreendimentos a biomassa viabilizados no leilão terão 301,2 MW de potência, de um total 860,7 MW, que incluem também outras fontes, como parques eólicos, solares, uma hidrelétrica e uma usina a partir de resíduos sólidos urbanos.

Dentre as sucroenergéticas vencedoras do leilão, a que fará o maior investimento é a unidade da Raízen em Paraguaçu Paulista (SP), com R$ 114,14 milhões. Ele comercializou 1.735,67 GWh e um preço médio de R$ 273,02/MWh.

Na sequência, a usina Coruripe, localizada no município alagoano de mesmo nome, deve aplicar R$ 100,2 milhões. Com um preço de R$ 263,18/MWh, a companhia vendeu 946,73 GWh.

Além disso, a Bioaroeira, de Tupaciguara (MG), fará um investimento de R$ 83 milhões para comercializar 1.577,88 GWh de energia a R$ 265,00/MWh. No mesmo estado, a unidade do grupo Balbo em Uberaba (MG) se comprometeu com um projeto de R$ 80 milhões, que envolve a venda de 1.174,64 GWh por R$ 273,00/MWh.

Por fim, a usina Laguna, de Batayporã (MS), irá investir R$ 31,7 milhões. A usina vendeu 403,24 GWh a um valor médio de R$ 273,00/MWh.

Outra unidade que deve usar bagaço de cana como matéria-prima é a Termelétrica Cidade do Livro, em Lençóis Paulista (SP). Com investimentos de R$ 502,3 milhões, ela comercializou 2.734,99 GWh a R$ 275,08/MW.

Além delas, a unidade da FS Bioenergia em Sorriso (MT) comercializou 736,34 GWh a um preço médio de R$ 273,00/MWh, comprometendo-se com um investimento de R$ 100,65 milhões. Neste caso, a matéria-prima é o cavaco de madeira.

Com isso, o preço médio de venda dos projetos termelétricos a biomassa foi de R$ 271,26/MWh, ante valor inicial de R$ 365/MWh, o maior deságio do leilão, de 25,7%.

“A biomassa é uma fonte tradicional na matriz brasileira e que apresentou uma boa competitividade neste leilão, o que potencializou seus resultados, além do preço inicial mais elevado ser atrativo para os empreendedores”, avaliou o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri, após ser consultado pela Reuters.

“Avaliamos como positiva a contratação destas usinas e das outras fontes, mantendo a diversificação do nosso parque gerador”, completou.

Em nota à imprensa, ele disse ainda que o resultado vai “ao encontro do nosso objetivo de modernizar o parque brasileiro e substituir usinas mais caras por empreendimentos mais baratos”.

Para o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Zilmar Souza, a liderança da biomassa no A-5 mostra que está havendo um processo de melhoria na forma de contratação dessa fonte.

“Com o reconhecimento efetivo dos atributos dessa fonte no futuro, a biomassa poderá responder rapidamente e positivamente nos próximos leilões de energia elétrica, entregando uma energia não intermitente e renovável ao sistema”, disse ele.

Outras fontes

No caso do empreendimento a partir de resíduos sólidos, que marcou a estreia da fonte como vendedora no leilão, a negociação foi de 2,1 TWh, e o preço ficou em R$ 549,35/MWh, deságio de 14%.

Os projetos de geração solar venderam quase 4 TWh, viabilizando projetos de 236,4 MW de potência, seguidos pelos empreendimentos eólicos (3,66 TWh, em projetos de 161,3 MW) e um hidrelétrico, com venda de cerca de 6 TWh (141,9 MW).

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, o volume arrematado de fontes mais caras (biomassa) ainda foi maior no certame, o que traz um sinal de alerta para o governo federal e para os consumidores.

Ele disse que volume contratado de energia solar foi “muito baixo em comparação com o número elevadíssimo de projetos participantes do leilão”. A solar ofertou mais de 800 projetos.

“Isso ocasionou uma alta competição entre os empreendedores, produzindo preços-médios abaixo da referência para a fonte solar fotovoltaica no Brasil, o que demonstra uma alta capacidade competitiva da fonte, mesmo em momentos de turbulência macroeconômica”, comenta.

Os menores preços fechados foram para os projetos eólicos, a R$ 160,36/MWh, com deságio de 16%, enquanto os solares tiveram valor de R$ 166,89/MWh (deságio de 12,6%). O projeto hidrelétrico negociou energia a R$ 174,27/MWh.

O leilão, que movimentou R$ 5,99 bilhões, deverá gerar investimentos de R$ 3,07 bilhões, viabilizando obras de 40 usinas, segundo dados da CCEE.

Demanda atendida

Este foi o terceiro leilão de energia nova organizado em 2021, disse a CCEE em nota, destacando que o deságio médio das negociações, incluindo todas as fontes, foi 17,48%.

Com contratos fechados abaixo do valor nominal, a economia obtida foi de R$ 1,27 bilhão.

As distribuidoras que declararam demanda para o leilão, segundo a CCEE, foram a Celpa, Cemar, CPFL Jaguari, CPFL Paulista e Light. Elas serão abastecidas pelos empreendimentos contratados por até 25 anos, a depender do tipo de fonte.

“O leilão teve sucesso porque conseguiu contratar toda a demanda declarada pelas distribuidoras”, avaliou o gerente-executivo da secretaria executiva de leilões da Aneel, André Patrus, em entrevista online a jornalistas.

Roberto Samora
Com informações adicionais NovaCana


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