Conhecido pelo seu ciclo longo e pelos custos elevados de renovação, o canavial precisa ser composto por variedades adequadas com o solo e o clima em questão, além de resistentes a pragas, com bom perfilhamento, alta produtividade, entre outras características de espécimes avançados.
Apesar de as usinas brasileiras estarem investindo em novas variedades de cana-de-açúcar, mais modernas e adaptadas, alguns produtores ainda têm dificuldades para mudar de cultivares, uma vez que já estão habituados com determinado espécime. O risco é uma queda de produtividade e uma maior incidência de doenças.
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, levanta a intenção de plantio nas principais regiões canavieiras, compilando quais variedades os produtores pretendem utilizar na próxima safra – a pesquisa não considera a área total da usina, mas sim a de formação.
Assinado pelo diretor geral do IAC, Marcos Landell, pelo engenheiro agrônomo da mesma instituição, Daniel Nunes, e pelo consultor Rubens Braga, o mais recente levantamento foi realizando entre setembro e novembro do ano passado e traz os principais cultivares selecionados pelos produtores brasileiros durante a safra 2024/25.
A partir dos mesmos dados, a instituição também elenca as usinas com as melhores práticas de manejo varietal, reconhecendo as unidades em nível nacional e regional com o Prêmio Excelência.
No total, os pesquisadores ouviram 209 unidades, totalizando 979,02 mil hectares. Além de ser considerado o maior levantamento do gênero no país, ele inclui 36 unidades a mais ante 2023, totalizando uma diferença de 144,05 mil hectares.
Observando os valores coletados por todo o país, a variedade mais usada deve ser a RB975242, correspondendo a 8,1% do território avaliado, ou 79,3 mil hectares; ela possui 27 anos em relação ao ano de cruzamento e nove de liberação comercial. Em 2023, ela correspondia a 8,9% dos canaviais plantados.
A redução na intenção de plantio é considerada positiva pelo IAC, pois indica uma desconcentração de uma mesma espécie. Além disso, é preciso destacar que a área avaliada pela pesquisa aumentou, evidenciando este movimento.
A baixa concentração é um aspecto “muito importante”, segundo Braga Junior, e a região Centro-Sul a reduziu significativamente – “nos últimos dez anos, ela tem diminuído e nas últimas safras chegou ao nível de excelência”, destaca.
Ele acrescenta que, somando a porcentagem das três principais variedades, o resultado é inferior a 45%. “Para os programas de melhoramento, é um nível de excelência. E isso ocorre também no Censo Varietal, que considera a área total da usina e não somente a de formação. Esse cenário é importantíssimo, pois diminui o risco sanitário”, explica.
Além disso, uma maior distribuição das variedades permite que a usina use cada uma delas nas melhores condições, ou seja, nas épocas de plantio e de colheita mais favoráveis e nos ambientes mais responsivos.
Mas, apesar das boas notícias, o IAC nota que é preciso analisar essas participações em recortes mais específicos. O instituto faz isso ao divulgar dados do Centro-Sul (por estados e mesorregiões paulistas e mineiras) e do Norte-Nordeste (por estados).
Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, mais detalhes e gráficos interativos sobre os principais cultivares escolhidos e a lista completa da intenção de plantio no Centro-Sul, no Norte-Nordeste e nas mesorregiões de São Paulo.
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