Neste momento o etanol de milho está vivendo o seu momento mais promissor no Brasil. Resultado de uma conjunção de fatores favoráveis, o país da cana-de-açúcar pode em breve ver o milho se tornar uma fonte complementar para produção de etanol no Centro-Oeste, a estagnada nova fronteira de expansão agrícola da cana.
A situação favorável para a integração entre a cana e o milho ficou clara após 14 pesquisadores e economistas de instituições como o BNDES, USP, Esalq, Pecege, Embrapa e CTBE se reunirem para elaborar um dos trabalhos mais completos sobre o assunto.
Revelado na semana passada, o resultado deste estudo pode estimular as usinas a buscarem mais uma alternativa para minimizar os efeitos da crise e mitigar os crescentes custos de produção.
O trabalho desperta o interesse de um grupo abrangente de usinas, pois diferencia as unidades em duas categorias: básicas, construídas durante o Próalcool e que continuam em operação e usinas otimizadas, numa referência às de tecnologia recente e com venda do excedente de energia elétrica.
O portal NovaCana apresenta a seguir os novos conceitos de um trabalho que pode ser o incentivo que faltava para as atuais usinas de cana verem o milho da mesma foram que enxergam a cogeração.
Neste momento o etanol de milho está vivendo o seu momento mais promissor no Brasil. Resultado de uma conjunção de fatores favoráveis, o país da cana-de-açúcar pode em breve ver o milho se tornar uma fonte complementar para produção de etanol no Centro-Oeste, a estagnada nova fronteira de expansão agrícola da cana.
A situação favorável para a integração entre a cana e o milho ficou clara após 14 pesquisadores e economistas de instituições como o BNDES, USP, Esalq, Pecege, Embrapa e CTBE se reunirem para elaborar um dos trabalhos mais completos sobre o assunto.
Revelado na semana passada, o resultado deste estudo pode estimular as usinas a buscarem mais uma alternativa para minimizar os efeitos da crise e mitigar os crescentes custos de produção.
Segundo os pesquisadores, a fabricação de etanol em usinas flex poderia incrementar a produção do biocombustível em até 2,7 bilhões de litros, o que corresponde a 10% da atual produção brasileira de etanol e a pouco mais de 40% da atual produção do Centro-Oeste.
Nas contas dos técnicos do BNDES, para atingir estes mesmos números com a cana-de-açúcar, o setor precisaria construir 11 novas usinas com capacidade de moagem de três milhões de toneladas por safra, o que demandaria 413 mil hectares de cana e levaria quatro anos para sua implementação plena.
A vantagem da região Centro-Oeste, que tem grande excedente de produção de milho, é a possibilidade de integração entre o grão e a cana. Naquela região, o etanol de milho pode ser produzido por meio de investimentos incrementais utilizando a estrutura de processamento de cana já existente nas usinas. Os aportes variam de R$ 100 milhões a R$ 205 milhões, dependendo do tipo de tipo de processamento adotado.
"Além de aumentar a segurança energética do Brasil, o incremento da produção (através das usinas flex) também garantiria o abastecimento do país em períodos críticos, como na entressafra da cana-de-açúcar. Por ser armazenável, o milho poderia ser adquirido em momentos de preços favoráveis e processado na entressafra da cana-de-açúcar, quando os preços do etanol costumam subir", analisa o órgão.

Potencial de produção
Os números ajudam a explicar o interesse do banco pela commodity.
Em dez anos, a produção de milho no Centro-Oeste saltou de 42,5 para 81,5 milhões de toneladas. Boa parte deste crescimento se deu em função da segunda safra do grão, também conhecida como "milho safrinha", que tem grande potencial de expansão nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.


Segundo os pesquisadores, a produção de etanol de milho em usinas flex é mais vantajosa em regiões com oferta de milho a preços baixos e demanda elevada por ração animal.
Como o Centro-Oeste sofreu uma estagnação de investimentos em novas usinas de etanol e enfrenta problemas logísticos para escoar o excedente de milho produzido, a opção das usinas flex se torna ainda mais desejável.
Vantagens econômicas
O estudo considera oito diferentes cenários de produção, dos quais em seis incrementa a fabricação de etanol a partir do milho. Embora em algumas das situações analisadas o processamento do grão reduza as margens percentuais, o banco considera a mudança vantajosa (exceto em um dos cenários) porque oferece uma margem total maior, medida em reais
"As análises demonstram que uma usina flex, capaz de processar cana-de-açúcar e milho, pode ser uma promissora alternativa para garantir rentabilidade da produção de etanol, especialmente em um contexto de pressão crescente de custos nessa atividade", afirma a análise.
Os cenários são divididos em básicos – tecnologia das usinas de cana-de-açúcar construídas durante o Próalcool e que continuam em operação – e otimizados. O último grupo representa as usinas modernas, com tecnologia recente e venda do excedente de energia elétrica.
O gráfico ao lado mostra qual seria a margem, a margem de rentabilidade e a receita de produção das usinas. Abaixo, a descrição de cada um dos oito cenários avaliados pelo banco.
As usinas mais modernas e que aproveitarem os maiores volumes de milho tendem a ser as mais beneficiadas. A atratividade econômica cresce quanto maior a quantidade de grão processada, assim como o nível tecnológico mais alto também altera positivamente a rentabilidade.
Emissões menores que as do etanol americano
Em todos os cenários analisados, o etanol obtido em usinas flex seria mais limpo que o etanol de milho americano. Segundo os critérios da Agência Ambiental Americana (EPA, na sigla em inglês), o renovável brasileiro feito a partir da integração das culturas continuaria a ser considerado avançado (atual classificação do etanol de cana brasileiro), o que, segundo o estudo, "lhe atribui grande potencial para ser usado como alternativa aos combustíveis fósseis em diversos países".
O documento ressalva que na análise não são considerados os efeitos da mudança no uso da terra. Como em outras regulações, a exemplo da adotada pelo estado da Califórnia, o critério de mudança no uso da terra recebe um peso maior, possivelmente a classificação do etanol das usinas flex seria diferente.
Políticas de fomento
Para estimular o desenvolvimento do etanol de milho no país, o estudo recomenda ao BNDES replicar às usinas flex as mesmas condições de financiamento oferecidas aos projetos de energia renovável. Na avaliação dos autores do estudo, essas usinas flex atendem a dois objetivos do banco: sustentabilidade ambiental e aumento da eficiência da economia brasileira.
Outra sugestão é monitorar o uso do milho, de forma "a evitar choques inflacionários e os consequentes efeitos em outras cadeias usuárias de milho, como é o caso da produção de alimentos". Como exemplo, o banco cita a política norte-americana que estabelece um teto máximo de produção de etanol de milho que pode ser misturado à gasolina.
Concluindo a análise favorável o banco considera que, "em razão dos méritos ambientais, econômicos e estratégicos avaliados neste trabalho, é oportuno que se avalie a criação de mecanismos que fomentem os investimentos em usinas flex no Brasil e, com isso, se construa uma solução, de curto prazo, tanto para a urgente necessidade de aumentar a produção interna de etanol quanto para a viabilização sustentável do crescimento da oferta de milho-safrinha".
O estudo completo pode ser acessado abaixo:
A produção de etanol pela integração do milho-safrinha às usinas de cana-de-açúcar: avaliação ambiental, econômica e sugestões de política (.pdf)
Leonardo Siqueira – NovaCana
A situação favorável para a integração entre a cana e o milho ficou clara após 14 pesquisadores e economistas de instituições como o BNDES, USP, Esalq, Pecege, Embrapa e CTBE se reunirem para elaborar um dos trabalhos mais completos sobre o assunto.
Revelado na semana passada, o resultado deste estudo pode estimular as usinas a buscarem mais uma alternativa para minimizar os efeitos da crise e mitigar os crescentes custos de produção.
O trabalho desperta o interesse de um grupo abrangente de usinas, pois diferencia as unidades em duas categorias: básicas, construídas durante o Próalcool e que continuam em operação e usinas otimizadas, numa referência às de tecnologia recente e com venda do excedente de energia elétrica.
O portal NovaCana apresenta a seguir os novos conceitos de um trabalho que pode ser o incentivo que faltava para as atuais usinas de cana verem o milho da mesma foram que enxergam a cogeração.
Neste momento o etanol de milho está vivendo o seu momento mais promissor no Brasil. Resultado de uma conjunção de fatores favoráveis, o país da cana-de-açúcar pode em breve ver o milho se tornar uma fonte complementar para produção de etanol no Centro-Oeste, a estagnada nova fronteira de expansão agrícola da cana.
A situação favorável para a integração entre a cana e o milho ficou clara após 14 pesquisadores e economistas de instituições como o BNDES, USP, Esalq, Pecege, Embrapa e CTBE se reunirem para elaborar um dos trabalhos mais completos sobre o assunto.
Revelado na semana passada, o resultado deste estudo pode estimular as usinas a buscarem mais uma alternativa para minimizar os efeitos da crise e mitigar os crescentes custos de produção.
Segundo os pesquisadores, a fabricação de etanol em usinas flex poderia incrementar a produção do biocombustível em até 2,7 bilhões de litros, o que corresponde a 10% da atual produção brasileira de etanol e a pouco mais de 40% da atual produção do Centro-Oeste.
Nas contas dos técnicos do BNDES, para atingir estes mesmos números com a cana-de-açúcar, o setor precisaria construir 11 novas usinas com capacidade de moagem de três milhões de toneladas por safra, o que demandaria 413 mil hectares de cana e levaria quatro anos para sua implementação plena.
A vantagem da região Centro-Oeste, que tem grande excedente de produção de milho, é a possibilidade de integração entre o grão e a cana. Naquela região, o etanol de milho pode ser produzido por meio de investimentos incrementais utilizando a estrutura de processamento de cana já existente nas usinas. Os aportes variam de R$ 100 milhões a R$ 205 milhões, dependendo do tipo de tipo de processamento adotado.
"Além de aumentar a segurança energética do Brasil, o incremento da produção (através das usinas flex) também garantiria o abastecimento do país em períodos críticos, como na entressafra da cana-de-açúcar. Por ser armazenável, o milho poderia ser adquirido em momentos de preços favoráveis e processado na entressafra da cana-de-açúcar, quando os preços do etanol costumam subir", analisa o órgão.

Potencial de produção
Os números ajudam a explicar o interesse do banco pela commodity.
Em dez anos, a produção de milho no Centro-Oeste saltou de 42,5 para 81,5 milhões de toneladas. Boa parte deste crescimento se deu em função da segunda safra do grão, também conhecida como "milho safrinha", que tem grande potencial de expansão nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.


Segundo os pesquisadores, a produção de etanol de milho em usinas flex é mais vantajosa em regiões com oferta de milho a preços baixos e demanda elevada por ração animal.
Como o Centro-Oeste sofreu uma estagnação de investimentos em novas usinas de etanol e enfrenta problemas logísticos para escoar o excedente de milho produzido, a opção das usinas flex se torna ainda mais desejável.
Vantagens econômicas
O estudo considera oito diferentes cenários de produção, dos quais em seis incrementa a fabricação de etanol a partir do milho. Embora em algumas das situações analisadas o processamento do grão reduza as margens percentuais, o banco considera a mudança vantajosa (exceto em um dos cenários) porque oferece uma margem total maior, medida em reais
"As análises demonstram que uma usina flex, capaz de processar cana-de-açúcar e milho, pode ser uma promissora alternativa para garantir rentabilidade da produção de etanol, especialmente em um contexto de pressão crescente de custos nessa atividade", afirma a análise.
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O gráfico ao lado mostra qual seria a margem, a margem de rentabilidade e a receita de produção das usinas. Abaixo, a descrição de cada um dos oito cenários avaliados pelo banco.
As usinas mais modernas e que aproveitarem os maiores volumes de milho tendem a ser as mais beneficiadas. A atratividade econômica cresce quanto maior a quantidade de grão processada, assim como o nível tecnológico mais alto também altera positivamente a rentabilidade.
Emissões menores que as do etanol americano
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O documento ressalva que na análise não são considerados os efeitos da mudança no uso da terra. Como em outras regulações, a exemplo da adotada pelo estado da Califórnia, o critério de mudança no uso da terra recebe um peso maior, possivelmente a classificação do etanol das usinas flex seria diferente.
Políticas de fomento
Para estimular o desenvolvimento do etanol de milho no país, o estudo recomenda ao BNDES replicar às usinas flex as mesmas condições de financiamento oferecidas aos projetos de energia renovável. Na avaliação dos autores do estudo, essas usinas flex atendem a dois objetivos do banco: sustentabilidade ambiental e aumento da eficiência da economia brasileira.
Outra sugestão é monitorar o uso do milho, de forma "a evitar choques inflacionários e os consequentes efeitos em outras cadeias usuárias de milho, como é o caso da produção de alimentos". Como exemplo, o banco cita a política norte-americana que estabelece um teto máximo de produção de etanol de milho que pode ser misturado à gasolina.
Concluindo a análise favorável o banco considera que, "em razão dos méritos ambientais, econômicos e estratégicos avaliados neste trabalho, é oportuno que se avalie a criação de mecanismos que fomentem os investimentos em usinas flex no Brasil e, com isso, se construa uma solução, de curto prazo, tanto para a urgente necessidade de aumentar a produção interna de etanol quanto para a viabilização sustentável do crescimento da oferta de milho-safrinha".
O estudo completo pode ser acessado abaixo:
A produção de etanol pela integração do milho-safrinha às usinas de cana-de-açúcar: avaliação ambiental, econômica e sugestões de política (.pdf)
Leonardo Siqueira – NovaCana

