Nove indicadores econômico-financeiros demonstram recuperação das sucroenergéticas – mas evidenciam disparidades
Não importa o tamanho da empresa: todas precisam ter um bom desempenho operacional, uma gestão de fluxo de caixa adequada e, claro, gerar lucros. Ainda que os efeitos de uma crise financeira não possam ser completamente evitados, uma companhia melhor preparada tende a levar um golpe ‘acolchoado’, enquanto uma que não esteja atenta a seus indicadores simplesmente não conseguirá evitar a força do impacto.
Em um setor como o sucroenergético, que ainda está se recuperando de um momento financeiro difícil, a capacidade das empresas de se levantar e mostrar que podem seguir na briga se torna ainda mais importante. Afinal, enquanto muitas ainda estão no chão – e até mesmo recebendo a contagem regressiva para o fim – outras passaram com tranquilidade e seguem dando demonstrações de um bom equilíbrio nos negócios.
Para medir a eficiência dos grupos sucroenergéticos de forma comparada – ou seja, minimizando os efeitos que o tamanho da companhia tem sobre seus resultados finais –, costuma-se utilizar indicadores que dividem o resultado financeiro pela moagem da empresa, por exemplo. Essa característica está presente em cinco de nove dos indicadores monitorados pela consultoria FG/A para acompanhar o mercado sucroenergético. Neles, a moagem serve como uma baliza para a análise da dívida líquida, do Ebitda, do faturamento, do custo-caixa e das despesas administrativas. Além disso, também foram observados os índices de alavancagem, a dívida líquida sobre o Ebitda, a margem Ebitda e a liquidez corrente.
Segundo o sócio da FG/A, Willian Orzari Hernandes, a amostra setorial da consultoria – feita com base nos resultados de 42 empresas – apresenta um aumento da receita das companhias sucroenergéticas na última safra. Com isso, muitas usinas conseguiram diminuir suas dívidas.
Entretanto, os dados da consultoria pintam em cores fortes uma característica importante do setor: a grande disparidade entre os resultados. Ela fica evidente quando se observa os resultados por companhia na safra 2016/17. “A volatilidade aparece quando a gente encaixa dívida por tonelada. Há usinas se alavancando mesmo em um ciclo de alta, registrando perdas de R$ 40 a R$ 50 por tonelada”, afirma Hernandes, que foi um dos palestrantes do NovaCana Ethanol Conference, realizado em São Paulo.
A seguir, veja a evolução da média setorial e os resultados das empresas da amostra dentro dos seguintes indicadores:
- Alavancagem
- Liquidez corrente
- Dívida líquida/Ebitda
- Dívida líquida/moagem
- Margem Ebitda
- Ebitda/moagem
- Faturamento/moagem
- Custo-caixa/moagem
- Despesas administrativas/moagem
Não importa o tamanho da empresa: todas precisam ter um bom desempenho operacional, uma gestão de fluxo de caixa adequada e, claro, gerar lucros. Ainda que os efeitos de uma crise financeira não possam ser completamente evitados, uma companhia melhor preparada tende a levar um golpe ‘acolchoado’, enquanto uma que não esteja atenta a seus indicadores simplesmente não conseguirá evitar a força do impacto.
Em um setor como o sucroenergético, que ainda está se recuperando de um momento financeiro difícil, a capacidade das empresas de se levantar e mostrar que podem seguir na briga se torna ainda mais importante. Afinal, enquanto muitas ainda estão no chão – e até mesmo recebendo a contagem regressiva para o fim – outras passaram com tranquilidade e seguem dando demonstrações de um bom equilíbrio nos negócios.
Para medir a eficiência dos grupos sucroenergéticos de forma comparada – ou seja, minimizando os efeitos que o tamanho da companhia tem sobre seus resultados finais –, costuma-se utilizar indicadores que dividem o resultado financeiro pela moagem da empresa, por exemplo. Essa característica está presente em cinco de nove dos indicadores monitorados pela consultoria FG/A para acompanhar o mercado sucroenergético. Neles, a moagem serve como uma baliza para a análise da dívida líquida, do Ebitda, do faturamento, do custo-caixa e das despesas administrativas. Além disso, também foram observados os índices de alavancagem, a dívida líquida sobre o Ebitda, a margem Ebitda e a liquidez corrente.
Segundo o sócio da FG/A, Willian Orzari Hernandes, a amostra setorial da consultoria – feita com base nos resultados de 42 empresas – apresenta um aumento da receita das companhias sucroenergéticas na última safra. Com isso, muitas usinas teriam conseguido diminuir suas dívidas.

Entretanto, os dados da consultoria pintam em cores fortes uma característica importante do setor: a grande disparidade entre os resultados. Ela fica evidente quando se observa os resultados por companhia na safra 2016/17. “A volatilidade aparece quando a gente encaixa dívida por tonelada. Há usinas se alavancando mesmo em um ciclo de alta, registrando perdas de R$ 40 a R$ 50 por tonelada”, afirma Hernandes, que foi um dos palestrantes do NovaCana Ethanol Conference, realizado em São Paulo.
Alavancagem
Nas últimas safras, diversas companhias sucroenergéticas têm buscado a desalavancagem. Ou seja, elas querem mostrar para seus investidores que representam poucos riscos e são negócios estáveis.
Contudo, por mais que 15 empresas tenham apresentados índices abaixo de 1 vez – demonstrando que possuem um patrimônio líquido superior as suas dívidas – ainda há empresas que apresentem índices altos, inclusive chegando a 6,8 vezes.

Considerando a média setorial da safra 2016/17 em 1,58 vez, empresas como Raízen, Sonora e São Martinho conquistaram bons resultados e ficaram abaixo desse valor. Já Alcoeste, Coruripe e CMAA estão entre as companhias mais alavancadas do setor de açúcar e etanol.
Dívida sobre moagem
Especificamente com relação ao setor sucroenergético, é importante analisar o montante das dívidas das companhias em relação às suas moagens. Esse indicador minimiza componentes estratégicos que influenciam no Ebitda e proporciona um comparativo de acordo com a potencialidade de cada companhia no setor brasileiro.
Nesse caso, as empresas que fazem parte da amostragem da FG/A registraram uma dívida média de R$ 119,73 por tonelada de cana-de-açúcar moída. Entre as companhias que obtiveram resultados abaixo dessa linha estão CMAA, Sonora, Raízen e Alcoeste. Por sua vez, São Martinho, Biosev e Coruripe apresentaram altos índices de dívida por tonelada.

O valor médio é o menor desde 2012/13, quando a dívida das usinas estava em R$ 117,5/t. Em uma comparação com o índice obtido na safra 2015/16, a dívida relativa das usinas caiu 11%.
De acordo com Hernandes, em um ciclo de alta dos preços, os atuais índices de endividamento fizeram com que as usinas optassem por opções de crescimentos marginais. Ou seja, elas optaram por investir em aumentos de capacidade de produção de açúcar, moagem e de competitividade dentro do setor, mas com poucos movimentos no sentido de construção ou aquisição de novas unidades.

Dívida sobre Ebitda
Outro indicador que se utiliza da dívida líquida das empresas para medir sua saúde financeira faz a comparação com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Assim, enquanto a alavancagem considera o tamanho da companhia, esse indicador leva em conta o desempenho operacional durante a safra em questão.
Nesse caso, mesmo empresas alavancadas como CMAA e Alcoeste conquistaram resultados abaixo da média do setor – calculada em 1,93 vez pela FG/A –, indicando uma possibilidade de recuperação financeira. Sonora e São Martinho também ficaram abaixo da média, enquanto Raízen, Coruripe e Biosev ultrapassaram essa linha.

Na safra 2016/17, a disparidade entre os resultados positivos desse indicador foi de 0,44 vez a 7,05 vezes. Com relação aos resultados negativos, eles indicam que as companhias já apresentaram um Ebitda com prejuízo.
“As empresas têm que entender que estamos em um ciclo de alta e se posicionar do ponto de vista de fixação de preço, entender qual o ciclo econômico que nós estamos vivendo”, afirma Hernandes, que completa: “Decisões de investimento acabam afetando a trajetória das usinas e a gente viu o que aconteceu com a disparidade das usinas e como ela se comporta em um ciclo de baixa”.
Liquidez corrente
Um dos indicadores mais importantes para os investidores, a liquidez corrente avalia a capacidade de pagamento das empresas frente às obrigações com vencimento dentro de 12 meses.
Nesse caso, um resultado menor que 1 vez significa que a companhia não teria condições imediatas de arcar com suas obrigações de curto-prazo. Assim, a média setorial de 0,9 vez registrada em 2015/16 era particularmente preocupante – fazendo que que o índice de 1,49 vez visto este ano represente um alívio para o setor.

Entre as companhias da amostragem da FG/A que tiveram seus nomes divulgados, apenas a CMAA apresentou um índice considerado preocupante, com 0,69 vez. Por sua vez, o melhor resultado desse grupo foi o da Raízen, com uma liquidez corrente de 2,39 vezes.
De acordo com Hernandes, as companhias que apresentam resultados acima da média setorial são as que possuem um risco de crédito considerado adequado e podem conseguir levantar recursos, por exemplo, no mercado de capitais, com a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). “O mercado está aberto para todo mundo? Não. O mercado está aberto para quem conseguir chegar nesse patamar, de ter resultados ao menos melhores que a média setorial”, completa.

Margem Ebitda
Ainda que os indicadores relacionados às dívidas tenham registrado melhora na safra 2016/17, as companhias de açúcar e etanol experienciaram uma queda em sua margem Ebitda, calculada com base no Ebitda e na receita líquida das empresas. Isso significa que houve uma queda na eficiência operacional.
Nesse caso, o setor teve uma margem média de 36,3%, um valor 3 pontos percentuais abaixo do resultado de 2015/16. Isso significa que, para obter um lucro de operacional de R$ 1 (desconsiderando juros, impostos, depreciação e amortização), as empresas precisaram, em média, de uma receita de R$ 2,75.

Entre as companhias que superaram a média setorial em 2016/17 estão São Martinho, Sonora, Alcoeste e CMAA. Em compensação, Biosev, Coruripe e Raízen ficaram com alguns dos piores resultados dentro da amostragem feita pela FG/A.
Para efeitos comparativos, enquanto a São Martinho precisava de uma receita de R$ 1,97 para obter um lucro operacional de R$ 1, a Raízen precisava de uma receita de R$ 4,20 para obter o mesmo lucro.
Faturamento sobre moagem
Outro indicador que também analisa a receita das companhias é o faturamento sobre a moagem. Nesse caso, os valores a receber já são considerados, desde que a nota fiscal tenha sido emitida dentro do período em análise.
Em 2016/17, as sucroenergéticas registraram um aumento de 21%, atingindo um faturamento líquido de R$ 166,11 por tonelada de cana. O crescimento segue a tendência vista nas duas safras anteriores, que obtiveram faturamentos de R$ 124/t e R$ 137/t.

Dentro da amostra da FG/A, os melhores resultados foram registrados pela Coruripe, com R$ 208,28/t, e pela Raízen, com R$ 205,06. Em compensação, a Biosev ficou na última posição, com R$ 142,53/t.
Ebitda sobre moagem
Com esse aumento no faturamento – por mais que a eficiência das companhias tenha registrado um deslize –, a capacidade das sucroenergéticas de lucrarem a cada tonelada de cana moída aumentou em aproximadamente 7% segundo a FG/A. De acordo com os números apresentados, o lucro operacional das empresas foi de, em média, R$ 59,46 por tonelada de cana-de-açúcar moída.
Entretanto, chama atenção a disparidade entre os resultados da amostra. Entre as empresas analisadas, o melhor resultado foi de R$ 127,72/t, enquanto o pior resultado foi de R$ 6,67/t – uma diferença de R$ 121,05 por tonelada. “A observação da eficiência industrial é uma condição principal para ter resultados consistentes, para conseguir um balanço e, assim, se financiar de maneira longínqua e crescer”, recomenda Hernandes.

Considerando apenas as empresas que tiveram seus nomes divulgados, a Raízen apresentou a maior lucratividade, com R$ 78,91/t. Já a Biosev ficou na posição contrária do espectro, com R$ 43,88/t.
Custo-caixa sobre moagem
O custo de fabricação dos produtos também aumentou na última safra. Segundo a FG/A, a média das empresas de açúcar e etanol analisadas passou de R$ 83/t na temporada 2015/16 para R$ 108/t no período seguinte – um crescimento de 30%.

Entre as empresas da amostra, os valores variaram de R$ 60/t a R$ 181/t em 2016/17. São Martinho, Sonora, Alcoeste, CMAA e Biosev ficaram abaixo da média setorial, enquanto Coruripe e Raízen tiveram alguns dos valores mais altos, com R$ 146,94/t e R$ 156/t, respectivamente.
Despesas administrativas sobre moagem
Especificamente em relação às despesas administrativas, a média setorial em 2016/17 foi de R$ 9,81 por tonelada de cana moída. Ainda que a variação na comparação com os anos anteriores não tenha sido muito grande, esse é o maior valor entre a amostragem de cinco anos apresentada pela FG/A, indicando que as sucroenergéticas estão tendo dificuldades em conter custos indiretos aos negócios de açúcar e etanol.
Nesse caso, os valores apresentados variaram de R$ 0,50/t a R$ 44,32/t. Contudo, o maior valor – registrado pela empresa Sonora –, é 73,6% superior ao menor valor, demonstrando uma grande disparidade nesse resultado.

Entre as demais empresas que tiveram seus nomes disponibilizados, CMAA, Alcoeste, São Martinho e Raízen apresentaram números abaixo da média setorial. Já Biosev e Coruripe apresentaram despesas administrativas de R$ 10,79/t e R$ 11,41/t, respectivamente.
Renata Bossle – NovaCana