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Importações de etanol em queda sustentam preços domésticos no Norte-Nordeste

Com arbitragem fechada, compras brasileiras de etanol caíram 57% na comparação anual; na região Norte-Nordeste, declínio foi de 45%

NovaCana 6 min de leitura

Por Nicolle Monteiro de Castro*

As importações brasileiras de etanol somaram 77,41 milhões de litros em janeiro, despencando 57% em relação ao mesmo período do ano passado. Esta também foi a menor quantidade importada no mês desde 2016, quando 28,77 milhões de litros entraram no país.

Os dados, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que 77,39 milhões de litros – quase todo o volume importado – foram direcionados para o abastecimento das regiões Norte e Nordeste do Brasil, que apresentam um histórico déficit estrutural de etanol.

Especificamente, a importação mensal do renovável para o Norte-Nordeste ficou 45% abaixo da observada no mesmo período de 2020. A maior parte desta queda é explicada por uma arbitragem de importação fechada para os Estados Unidos desde dezembro, quando o governo brasileiro passou a aplicar uma tarifa de 20% para todas as compras de etanol estrangeiro, acabando com a cota vigente até então.

Embora um menor volume importado pudesse apenas refletir uma demanda limitada de combustível, o quadro é um pouco diferente no Norte-Nordeste. Na região, o consumo de anidro caiu apenas 3,7% em 2020 – ante uma queda de 7,2% no Centro-Sul –, o que desencadeou uma alta no preço regional no meio da safra, sugerindo a existência de uma pressão pela compra.

Saiba mais sobre o cenário de oferta e demanda de etanol, assim como seu impacto nos preços, no texto completo (exclusivo para assinantes).

Por Nicolle Monteiro de Castro*

As importações brasileiras de etanol somaram 77,41 milhões de litros em janeiro, despencando 57% em relação ao mesmo período do ano passado. Esta também foi a menor quantidade importada no mês desde 2016, quando 28,77 milhões de litros entraram no país.

Os dados, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que 77,39 milhões de litros – quase todo o volume importado – foram direcionados para o abastecimento das regiões Norte e Nordeste do Brasil, que apresentam um histórico déficit estrutural de etanol.

Especificamente, a importação mensal do renovável para o Norte-Nordeste ficou 45% abaixo da observada no mesmo período de 2020. A maior parte desta queda é explicada por uma arbitragem de importação fechada para os Estados Unidos desde dezembro, quando o governo brasileiro passou a aplicar uma tarifa de 20% para todas as compras de etanol estrangeiro, acabando com a cota vigente até então.

Embora um menor volume importado pudesse apenas refletir uma demanda limitada de combustível, o quadro é um pouco diferente no Norte-Nordeste. Na região, o consumo de anidro caiu apenas 3,7% em 2020 – ante uma queda de 7,2% no Centro-Sul –, o que desencadeou uma alta no preço regional no meio da safra, sugerindo a existência de uma pressão pela compra.

Esta diminuição na oferta, afetada principalmente pelo menor volume vindo dos Estados Unidos, impactou diretamente o acompanhamento da S&P Global Platts para o valor de entrega (DAP, na sigla em inglês) do etanol anidro em Suape (PE).

Em 19 de novembro, a Platts avaliou o DAP a R$ 3.015/m³, um aumento de 31,4% na comparação anual. Também se trata do maior preço histórico apurado desde que a avaliação foi lançada, em outubro de 2017.

Por conta do aumento no preço, as usinas do Norte-Nordeste continuaram priorizando a produção de anidro em dezembro, quando a maior parte dos grandes distribuidores estava fora do mercado à vista aguardando a chegada de volumes importados.

Este descompasso entre o pico de produção nas usinas e os grandes compradores, abastecidos com etanol importado em dezembro e janeiro, limitou o preço regional do anidro DAP Suape a uma média de R$ 2.830/m³. O valor representa uma queda de 6,8% em relação ao preço recorde visto em 19 de novembro.

Cenário de oferta

Os dados de armazenagem mais recentes apontaram que, em 16 de janeiro, os estoques domésticos de anidro no Norte-Nordeste somavam 234,15 milhões de litros, um aumento anual de 73,5%. Se apenas este dado fosse analisado, os números poderiam apontar para um superávit na região.

Para ter uma visão clara da oferta no Norte-Nordeste, é relevante destacar que as importações totais em 2020 caíram 29% em relação a 2019, o equivalente a 306,79 milhões de litros. Em janeiro de 2021, a redução foi de 63,09 milhões de litros.

Portanto, no período analisado, aproximadamente 370 milhões de litros deixaram de entrar na região. Ao mesmo tempo, os estoques domésticos em 16 de janeiro estavam apenas 99,21 milhões de litros mais elevados na comparação anual.

Além disso, algumas usinas pernambucanas passaram a hidratar parte de seus estoques de anidro, estimuladas pelo aumento da demanda por combustíveis e por uma alta dos preços.

“A produção de anidro em Pernambuco foi estimada inicialmente em 130 milhões de litros, mas este número agora tem uma desvantagem, já que o hidratado foi negociado a R$ 2.470/m³ no dia 8 de fevereiro”, disse o superintendente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Marcelo Guerra.

A expectativa é que a safra 2020/21 no Norte-Nordeste termine em meados de março. Assim, com a arbitragem de importação fechada, a região precisará recorrer à safra do Centro-Sul para suprir a demanda.

“Não esperamos importação com a arbitragem fechada”, disse um grande importador de etanol consultado pela Platts. Ele acrescentou que o preço regional acabará sendo convertido no preço do anidro no Centro-Sul somado ao frete para Suape.

A safra 2021/22 do Centro-Sul, que geralmente começa em 1º de abril, porém, deve ter um atraso como consequência do clima seco visto em 2020/21. Além disso, os produtores devem se concentrar na produção de açúcar logo no início da temporada, limitando as possibilidades de transferência de grandes volumes para o Norte-Nordeste entre abril e maio.

De acordo com cálculos da Platts, em 8 de fevereiro, o etanol anidro importado dos Estados Unidos, incluindo a tarifa de importação de 20%, poderia chegar a Suape a R$ 3.939/m³. Com isso, ele ficaria R$ 999/m³ acima do preço regional.

Demanda e preços

No que se refere ao consumo, a demanda mensal de etanol anidro no Norte-Nordeste vem registrando volumes maiores em relação ao ano anterior desde setembro. Assim, apesar do aumento do número de infectados pela covid-19 no final do ano, o consumo do combustível não foi afetado.

No quarto trimestre de 2020, as vendas de anidro na região somaram 878,35 milhões de litros, o que representa um aumento anual de 55,09 milhões, ou 6,7%.

A S&P Global Platts Analytics estima que a demanda brasileira de combustíveis do Ciclo Otto aumente 8% em 2021. Para o Norte-Nordeste em particular, o consumo de etanol anidro deve crescer 4% no ano, para 3,1 bilhões de litros.

Com a retomada na demanda por combustíveis e a menor oferta, o preço do anidro começou a se recuperar na primeira semana de fevereiro. Na última sexta-feira, 5, a Platts avaliou o DAP do anidro em Suape a R$ 2.930/m³, alta de R$ 40/m³ na semana e de 15,6% na comparação anual.

* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução NovaCana

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