"Nossos modelos indicam que enquanto os preços mundiais do açúcar forem de, pelo menos, 14,80 centavos a libra, abaixo dos preços de fechamento de sexta-feira (20), o incentivo para exportar o bruto é maior do que para vender branco no mercado interno"
"Nossos modelos indicam que enquanto os preços mundiais do açúcar forem de, pelo menos, 14,80 centavos a libra, abaixo dos preços de fechamento de sexta-feira (20), o incentivo para exportar o bruto é maior do que para vender branco no mercado interno", afirmou a Morgan Stanley em análise sobre o futuro dos preços no mercado de açúcar.
A seguir os detalhes sobre as mudanças que a Índia pode (e não pode) causar no mercado mundial de açúcar.
Subsídio à exportação de açúcar na Índia "não é um grande risco" para o mercado de futuros da commodity, segunda análise do banco de investimento e corretagem Morgan Stanley. A companhia surpreendeu ao apresentar expectativas de preço otimistas, que colocam o adoçante entre as principais apostas em commodities.
O banco reconheceu que o anúncio da Índia na semana passada de um subsídio de 45 rúpias por tonelada para os agricultores que vendem cana para as usinas exportadoras – que precisam exportar pelo menos 80% da cota definida pelo governo em agosto – “poderia impulsionar os embarques de açúcar” do país.
No entanto, o subsídio à exportação "não é um grande risco de queda para os preços do açúcar", e de fato é "pouco provável que seja um dos principais motores de médio prazo" do mercado, disse o banco.
Dinâmica de produção e consumo "são condutores muito mais importantes" do que o comércio dos estoques mundiais, mesmo que estes tenham uma grande influência sobre o potencial de preço.
"Nós mantemos que a tendência de médio prazo no mercado do açúcar é controlada por fatores que influenciam a produção", disse o analista da Morgan Stanley, Lee Jackson. Ele citou exemplos de aumento da produção de etanol no Brasil, que tem levantado também valores de açúcar e a ameaça de "seca relacionada ao El Niño limitando as perspectivas de produção da Índia ".
O banco projetou o preço médio dos futuros do açúcar bruto em Nova York em 17,30 centavos de dólar por libra-peso (cents/lb) no próximo ano. A previsão é bem acima do preço de pouco mais de 15 cents/lb que os investidores estão negociando.
Índia será exportadora nos próximos anos
"Nossos modelos indicam que enquanto os preços mundiais do açúcar forem de, pelo menos, 14,80 centavos a libra, abaixo dos preços de fechamento de sexta-feira (20), o incentivo para exportar o bruto é maior do que para vender branco no mercado interno", disse Jackson.
"Nossos contatos nos informam que as usinas estão ansiosas para cumprir suas cotas de exportação, mesmo que eles incorrem em perdas pequenas, para recolher o subsídio na sua produção total."
O incentivo econômico para a produção de açúcar bruto para exportação, em vez de açúcar branco para o mercado interno, era de 727 rúpias (US$ 11) por tonelada a partir do final da semana passada, conforme cálculos do Morgan Stanley.
Em relatório publicado nesta segunda-feira (23), a consultoria brasileira FC Stone, avaliou que “no momento atual – considerando o preço de exportação como o contrato contínuo na bolsa de Londres e o preço interno corresponde como a bolsa de Mumbai – a cotação no mercado internacional está 17% acima do necessário para incentivar as usinas a cumprirem as metas”.
Mesmo assim, o relatório da FC Stone assinado pelo analista João Paulo Botelho, considera que, mesmo assim, “o mais provável é que o subsídio estimule a maior parte das usinas indianas a exportar, pelo menos, os 80% de sua cota necessários para o recebimento do subsídio”.
A Índia é historicamente um importador ocasional de açúcar a granel, mas continuará a ser um exportador nos "próximos anos, pelo menos", graças ao entusiasmo dos agricultores para o cultivo de cana, na avaliação da Indian Sugar Mills Association.
O país asiático, que é o segundo principal produtor de açúcar mundial e o maior consumidor, viveu três anos de preços elevados, o que acabou estimulando a superprodução, seguido por dois anos de valores fracos, incentivando os agricultores a escolher outras culturas.
No entanto, o que seria o comportamento natural dos plantadores tem sido prejudicado por preços de cana regulados pelo governo indiano, que manteve o apelo do cultivo da cana.
Para reduzir o volume dos estoques de açúcar indiano, o governo do país está estimulando a exportação com novos subsídios. Além da injeção direta do governo, um benefício adicional das exportações seria o impacto que isso teria na redução da oferta doméstica, elevando os preços internos, tradicionalmente superiores ao mercado internacional.
Normalmente, um complicador para as exportações indianas é o preço doméstico relativamente elevado, ao mesmo tempo em que o custo de produção é igualmente alto no país. Estimativa da consultoria Green Pool, avalia em 24 centavos de dólar por libra-peso (cents/lb) o custo na Índia, em comparação com 12 cents/lb no Brasil e 14,5 a 15 cents/lb na Austrália e Tailândia.
Para a Índia, exportar cerca de 10% do seu açúcar pode resultar em um aumento de 5% nos valores domésticos, segundo a Indian Sugar Mills Association.
O diretor-geral da entidade, Abinash Verma, disse há poucos dias que "a Índia se tornou estruturalmente um produtor excedente de açúcar". Com isso, ele avalia que o país “será um exportador líquido de açúcar pelos próximos anos”, permanecendo por algumas temporadas “no mercado global”.
“Não se surpreenda se a Índia continuar a ser um exportador de açúcar”, disse Verma em evento do setor.
Estimativas
A Indian Sugar Mills Association na semana passada estimou a produção do país em 27 milhões de toneladas na safra 2015/16, uma queda modesta de 1,3 milhões de toneladas ante o registrado na temporada passada.
Na sexta-feira, a multinacional suíça SGS SA, previu que a produção de açúcar da Índia cairia para 23 milhões de toneladas em 2015/16 – volume bem abaixo de outras previsões, e que, se confirmado, seria o mais baixo em seis anos.
O Departamento de Agricultura dos Estados unidos (USDA, na sigla em inglês), na quinta-feira (19), reduziu sua previsão para a produção de açúcar indiana em 520 mil toneladas, para 28,53 milhões de toneladas. Comparado ao volume processado na temporada anterior (2014/15), a estimativa apresenta uma queda de 1,7 milhão de toneladas.
O USDA elevou sua estimativa para as exportações de açúcar da Índia em 2015/16 para 2,5 milhões de toneladas, 300 mil toneladas a mais que o previsto anteriormente. Entretanto, neste nível, o volume ainda permaneceria abaixo dos 3,2 milhões de toneladas que o governo da Índia está esperando.
NovaCana
Com informações do Agrimoney