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IEA prevê crescimento de 9 bilhões de litros na produção brasileira de etanol

Perspectiva da agência internacional é similar aos números apresentados pelo governo brasileiro

NovaCana 8 min de leitura

Com o planeta no rumo da mobilidade limpa, as principais nações produtoras de biocombustível buscam um aumento da produção de etanol, tentando direcionar os olhares para as opções líquidas renováveis – um mercado de transição em meio ao crescimento dos carros elétricos.

Atualmente, o etanol corresponde a dois terços do crescimento previsto para a produção de biocombustíveis entre 2018 e 2023. O Brasil é um dos seus principais produtores e o segundo maior consumidor, perdendo apenas para os Estados Unidos. A extensa frota de veículos flex no país permite uma competição direta do etanol com a gasolina e, além disso, a mistura obrigatória de biodiesel fez com que o Brasil atingisse, em 2017, uma matriz energética de transportes com 20% de participação de energia renovável, a mais alta do mundo.

Os dados são da Agência Internacional de Energia (IEA), entidade vinculada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em relatório, a IEA expressa que a energia renovável estimada para o setor de transportes deve crescer 19% entre 2018 e 2023.

Neste cenário, a produção de etanol brasileira puxará ainda mais o consumo mundial do biocombustível: a entidade prevê um aumento de 8,8 bilhões de litros no comparativo entre 2017 e 2023. Desta forma, o Brasil passará de 27,7 bilhões para 36,5 bilhões de litros de etanol ao ano, em um cenário normal.

Em um ritmo acelerado, esse valor chegaria a 38 bilhões de litros. O crescimento adicional de 1,5 bilhão de litros seria respaldado por um RenovaBio eficaz e capaz de estimular investimentos, e por baixos níveis de capacidade ociosa de produção, maior produção de etanol de milho e a popularização da cana-energia.

A IEA não é a primeira a estimar um aumento considerável na produção brasileira do biocombustível. Em outubro, a versão inicial do mais recente Plano Decenal de Energia (PDE), lançado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), trouxe detalhes de como o governo espera que o país produza e consuma energia nos próximos dez anos.

A partir de uma produção estimada de 28 bilhões de litros em 2017, a entidade prevê um crescimento de 10 bilhões até 2023, chegando a 38 bilhões de litros – o mesmo valor presente no cenário de crescimento acelerado da IEA.

Confira, na versão completa, os detalhes do relatório da IEA e da EPE quanto à projeção de produção de etanol para os próximos anos.

Com o planeta no rumo da mobilidade limpa, as principais nações produtoras de biocombustível buscam um aumento da produção de etanol, tentando direcionar os olhares para as opções líquidas renováveis – um mercado de transição em meio ao crescimento dos carros elétricos.

Atualmente, o etanol corresponde a dois terços do crescimento previsto para a produção de biocombustíveis entre 2018 e 2023. O Brasil é um dos seus principais produtores e o segundo maior consumidor, perdendo apenas para os Estados Unidos. A extensa frota de veículos flex no país permite uma competição direta do etanol com a gasolina e, além disso, a mistura obrigatória de biodiesel fez com que o Brasil atingisse, em 2017, uma matriz energética de transportes com 20% de participação de energia renovável, a mais alta do mundo.

Os dados são da Agência Internacional de Energia (IEA), entidade vinculada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em relatório, a IEA expressa que a energia renovável estimada para o setor de transportes deve crescer 19% entre 2018 e 2023.

Neste cenário, a produção de etanol brasileira puxará ainda mais o consumo mundial do biocombustível: a entidade prevê um aumento de 8,8 bilhões de litros no comparativo entre 2017 e 2023. Dessa forma, o Brasil passará de 27,7 bilhões para 36,5 bilhões de litros de etanol ao ano, em um cenário normal.

Em um ritmo acelerado, esse valor chegaria a 38 bilhões de litros. O crescimento adicional de 1,5 bilhão de litros seria respaldado por um RenovaBio eficaz e capaz de estimular investimentos, e por baixos níveis de capacidade ociosa de produção, maior produção de etanol de milho e a popularização da cana-energia.

A IEA não é a primeira a estimar um aumento considerável na produção brasileira do biocombustível. Em outubro, a versão inicial do mais recente Plano Decenal de Energia (PDE), lançado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), trouxe detalhes de como o governo espera que o país produza e consuma energia nos próximos dez anos.

A partir de uma produção estimada em 28 bilhões de litros para 2017, a entidade prevê um crescimento de 10 bilhões até 2023, chegando a 38 bilhões de litros – mesmo valor do cenário de crescimento acelerado da IEA. A EPE vai ainda mais longe ao avaliar a capacidade produtiva até 2027, estimando um volume de 44 bilhões de litros, sendo 32 bilhões de hidratado.

O volume de 2017 usado pela IEA é o mesmo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 27,7 bilhões e arredondado para 28 bilhões na publicação da EPE.

Apesar da entidade internacional não expor os volumes ano a ano, é possível estimá-los por meio dos dados totais de biocombustíveis divulgados no documento. Considerando que, tanto em 2017 quanto em 2023, o montante de etanol corresponde a cerca de 85% do total de biocombustíveis, é possível fazer um cálculo aproximado, ano a ano, da projeção de produção.

EPE IEA projecao etanol brasil 20122018

Traçando a linha de progressão produtiva de ambas as entidades é possível notar um ponto em comum: a perspectiva de crescimento constante na produção brasileira de etanol. A diferença ano a ano entre cada entidade é de cerca de 1 bilhão de litros. Apenas em 2023, o último ano estimado pela agência internacional, os montantes se distanciam mais, com 38 bilhões para a EPE e 36,5 bilhões para IEA.

Aumento na produção e na demanda

Segundo o documento da IEA, a produção global de etanol aumentou 3% em 2017, para 104 bilhões de litros, com destaque para Estados Unidos, União Europeia e China. Com isso, a produção de etanol deve ser expandida para 119 bilhões de litros em 2023, uma previsão 2% acima da realizada pelo órgão em 2017, quando a IEA estimava 116 bilhões de litros.

Neste período, quem deve impulsionar o crescimento é o Brasil, seguido pela China e pelos mercados em expansão da Índia e da Tailândia. “Em 2023, a participação chinesa na produção mundial aumenta, mas os Estados Unidos e o Brasil ainda dominam a produção de etanol, representando 80% da produção global”, expressa o documento.

A produção brasileira de etanol caiu levemente para 27,7 bilhões de litros em 2017, embora os preços baixos do açúcar no segundo semestre tenham ampliado a rentabilidade do combustível renovável. Outro fator que auxiliou na sua competitividade, segundo a entidade, foi a menor tributação federal sobre o etanol em relação à gasolina.

O primeiro semestre de 2018, por sua vez, foi marcado pela manutenção dos baixos preços internacionais do açúcar e por uma demanda crescente pelo hidratado nas bombas, ampliando sua produção. O ano ainda teve elevações no preço do petróleo bruto e, consequentemente, da gasolina.

Do lado da demanda, o elevado número de veículos flex, que representam mais de 70% da frota no país, é um dos fatores-chave: o consumo deverá aumentar acompanhando a competitividade do hidratado no período. Quanto ao etanol anidro, o mandato de 27% na mistura com a gasolina deve permanecer, o que gera uma menor perspectiva de crescimento.

O papel do RenovaBio

A IEA destacou que a contribuição dos biocombustíveis deve aumentar ainda mais a partir do RenovaBio, ao elevar a participação de energia renovável no setor de transporte brasileiro para 24% em 2023. O objetivo do programa é justamente esse: reforçar a presença dos biocombustíveis na matriz energética do país até 2030.

Além disso, a IEA espera que o RenovaBio forneça, já na primeira metade do período de previsão, uma estrutura de suporte para mais investimentos em capacidade de produção de etanol, principalmente pela expansão das usinas existentes. Essa capacidade seria complementada por investimentos em greenfields após 2020.

Conforme a agência, cerca de 80 usinas que devem permanecer desligadas durante a safra 2018/19 serão reativadas. Além disso, o aumento na produção de etanol pode se dar pela escolha do biocombustível em detrimento do açúcar. “Embora haja limites na participação da produção de açúcar no processo industrial, as usinas poderiam, em teoria, ser ajustadas para produzir 100% de etanol”.

Já a EPE prevê um total de 379 usinas em 2023 e de 387 em 2027. Em 2017, segundo o relatório, 15 unidades fecharam e outras três retomaram as atividades. Além disso, outras 41 operam em cenário de recuperação judicial, correspondendo a 71 milhões de toneladas de cana em capacidade de moagem efetiva.

Outro quesito para aumento produtivo, de acordo com a IEA, é a expansão do etanol de milho. A EPE também considera o renovável feito a partir do grão, enxergando 2 bilhões de litros a serem produzidos em 2027. Por outro lado, há entidades que preveem um aumento ainda mais substancial – de três vezes mais em três anos –, como o banco holandês Rabobank.

“O uso do milho para a produção de etanol permite aproveitar ocasiões de baixa do preço do grão, visto que os custos logísticos do escoamento da região Centro-Oeste impactam a competitividade do produto no mercado internacional, o que induz os investimentos em novas unidades produtoras”, acrescenta o relatório da EPE.

Atualmente, são seis unidades no Brasil que produzem etanol de milho além da cana (usinas flex) e uma voltada apenas para o grão (usinas full).

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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