A consultoria INTL FCStone estimou recentemente que, nesta safra, haverá um aumento de 119,4% na produção de etanol de milho no Centro-Sul do Brasil, atingindo 1,14 bilhão de litros. O número vai ao encontro das estimativas dos produtores, que querem ampliar o volume para 3,5 bilhões de litros em cinco anos.
Por enquanto, quando o assunto é o etanol de milho, uma das primeiras associações mentais é a companhia FS Bioenergia: a primeira usina brasileira a operar utilizando 100% de milho como matéria-prima e que tem Henrique Ubrig como executive chairman.
Com ampla experiência internacional, incluindo agronegócio e energia renovável, Ubrig foi presidente da DuPont na América do Sul por 27 anos e no Sudeste Asiático por um ano.
O conhecimento na área fez dele um nome certo para o painel “Etanol de milho: crescimento e oportunidades”, do NovaCana Ethanol Conference deste ano. O profissional irá apresentar a palestra “O modelo de negócio da FS Bioenergia”, empresa em que atua há mais de um ano. Também estão confirmados o sócio da Agroicone, Marcelo Moreira, e o gerente do departamento de pesquisas do Rabobank, Andy Duff.
Apesar de recente, a companhia – que é uma joint venture entre a Summit Agricultural Group, dos EUA, e a Tapajós Participações –, tem muitas promessas para o futuro. Em fevereiro deste ano, a FS Bioenergia anunciou que irá investir R$ 1 bilhão na construção de uma nova unidade em Sorriso (MT), cidade líder na produção de grãos, e mais R$ 350 milhões na duplicação da capacidade da usina em Lucas do Rio Verde (MT).
“Somos pioneiros na produção de etanol 100% do milho no Brasil e estamos extremamente satisfeitos com os resultados que obtivemos desde a inauguração da planta, em agosto de 2017”, Henrique Ubrig (Gazeta do Povo, fevereiro de 2018)
A usina de Sorriso poderá produzir anualmente 680 milhões de litros de etanol, que, se somados à capacidade da unidade de Lucas do Rio Verde após a expansão, gerarão 1,2 bilhões de litros por ano.
"Com a ampliação da usina, poderemos acompanhar a crescente demanda por nossos produtos, além de colaborar ainda mais com o desenvolvimento econômico e social do estado de Mato Grosso e do país”, declarou Ubrig em entrevista ao jornal Gazeta do Povo.
Segundo números da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), entre 1º de abril e 1º de julho, a produção acumulada de etanol de milho do Centro-Sul brasileiro chegava a 161,5 milhões de litros – um crescimento de 170,6% em relação aos 59,7 milhões de litros registrados um ano antes.
Deste total, 48,7 milhões de litros são de etanol anidro (+476,8%) e 112,9 milhões de litros são de etanol hidratado (+120,2%).

Os investimentos da empresa foram viabilizados pela combinação de dois fatores: a demanda nacional por biocombustíveis mais em conta e o acesso facilitado ao milho em Mato Grosso, de acordo com informações divulgadas pela Reuters.
Entretanto, um dos desafios do setor de etanol de milho e, consequentemente, da FS Bioenergia, é o transporte do etanol para outros estados, já que Mato Grosso não absorve toda a produção atual.
"Tivemos os nossos primeiros seis meses com muito sucesso e hoje estamos produzindo em plena capacidade, exportando ou vendendo para dez estados brasileiros”, Henrique Ubrig (janeiro de 2018)
Enquanto demanda 1,1 bilhão de litros, a produção estadual saltou de 1,3 para 1,65 bilhão de litros. O volume é originário principalmente da produção a partir da cana-de-açúcar, mas foi ampliado, de acordo com a Agroconsult, graças à operação de quatro unidades flex, que também produzem etanol de milho.
Além disso, há a previsão de que a produção dobre nos próximos cinco anos – com nove projetos já anunciados. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) tem a perspectiva de que ao menos mais sete usinas de etanol de milho sejam construídas só este ano, graças a 4 bilhões em investimentos.

Segundo Ubrig, a FS Bioenergia é competitiva apesar das diferenças de regras fiscais existentes no Nordeste, por exemplo – que seria um possível mercado para o etanol de milho. Além disso, a companhia afirma também poder entregar etanol no estado de São Paulo.
Nesta temporada, a INTL FCStone espera um aumento de 119,4% na produção de etanol de milho em relação à safra passada. Dos 1,14 bilhão de litros que devem ser produzidos, 864 milhões são de hidratado e outros 281 milhões, de anidro. Além disso, a safra 2016/17 já havia registrado um aumento de 66% em relação ao ciclo anterior, confirmando a força do renovável de milho.
De acordo com a Agroicone, o etanol de milho é uma alternativa de investimento em Mato Grosso, pois, além de ser uma possibilidade para o agricultor, também ajuda a matriz energética se tornar mais limpa, bem como na geração de empregos.
De acordo com Marcelo Melo Ramalho Moreira, sócio da Agroicone – também confirmado como palestrante no NovaCana Ethanol Conference –, investir em uma unidade autônoma que produz 500 milhões de litros pode gerar 8,5 mil empregos diretos e indiretos. Em fase operacional, a unidade movimentaria R$ 2,5 bilhões de vendas ao ano.
A programação completa do NovaCana Ethanol Conference 2018 está disponível aqui e o cadastro para participar do evento pode ser feito aqui.
novaCana.com