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4 grupos sucroalcooleiros doaram mais de R$ 10 milhões a candidatos e partidos

transporte cana 030914Dois grupos respondem por 93,1% das doações. Apenas três partidos foram apoiados

- NovaCana - 5 min de leitura

Doações de empresas para políticos é sempre um assunto delicado. A frequência com que esta relação se transforma em escândalos não tira o direito dos empresários de apoiarem seus candidatos. Com dinheiro, inclusive. Quando feito com critério e às claras, as doações fazem parte do jogo democrático brasileiro. O setor sucroenergético não é exceção e está presente nas eleições 2014.

Até agora o setor já doou mais de R$ 10 milhões a partir de quatro empresas. Dois tradicionais grupos sucroalcooleiros encabeçam a lista das usinas com os maiores volumes de recursos financeiros a candidatos a governador e a presidente.

O resultado da primeira prestação de contas das doações para as eleições 2014 revela quais candidatos e partidos estão sendo alvos do apoio sucroenergético e o valor doado pelas empresas para cada um deles.

Doações de empresas para políticos é sempre um assunto delicado. A frequência com que esta relação se transforma em escândalos não tira o direito dos empresários de apoiarem seus candidatos. Com dinheiro, inclusive. Quando feito com critério e às claras, as doações fazem parte do jogo democrático brasileiro. O setor sucroenergético não é exceção e está presente nas eleições 2014.

Boa parte destas doações, que na primeira fase de prestação de contas das legendas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ultrapassou a casa dos R$ 10 milhões, foi destinada a três partidos.

Cosan e Copersucar, dois tradicionais grupos sucroalcooleiros encabeçam a lista das usinas que doaram o maior volume de recursos a candidatos a governador e a presidente.

Os dados apresentados a seguir incluem ainda o repasse de recursos aos comitês de campanha e aos diretórios estaduais e nacionais dos partidos.

Tradicionais lideram

Juntos, Cosan e Copersucar, doaram R$ 9,4 milhões, de um total de R$ 10,1 milhões, a três partidos: PTB, PSB e PMDB. O valor corresponde a 93,1% de todas as doações.

A Cosan doou R$ 7,9 milhões ao PMDB e ao PSB através do repasse de recursos para três estados, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.

O candidato a governador de Minas Gerais pelo PSB, Raimundo Tarciso Delgado, recebeu um cheque de R$ 224 mil, enquanto o empresário Paulo Skaf, que disputa o mesmo cargo em São Paulo pelo PMDB, ficou com R$ 1,5 milhão.

Em Alagoas, nenhum candidato foi apoiado diretamente, mas o grupo fez o repasse de R$ 1 milhão à direção estadual do PMDB. Renan Calheiros Filho é o candidato escolhido pela legenda para disputar o pleito no estado.

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Apoio a Eduardo Campos

Dos R$ 1,5 milhão repassados pela Copersucar ao PSB e à direção estadual do PTB em São Paulo, R$ 1 milhão foi para o então candidato a presidente, Eduardo Campos. O PTB ficou com o restante, embora não tenha nenhum candidato disputando o governo do estado.

Nesta primeira fase de prestação de contas ao TSE, encerrada em 6 de agosto, Cosan e Copersucar manifestaram seu apoio a Eduardo Campos por meio de doações que foram entregues diretamente ao comitê financeiro do partido. Os repasses foram feitos antes da morte do presidenciável que, entre outros pontos, defendia um tratamento diferenciado para os combustíveis fóssil e renovável.

Com Marina na liderança da chapa, o apoio financeiro das usinas ao PSB pode mudar, contudo, a candidata já sinalizou que dará continuidade ao plano de governo de Campos. A segunda prestação de contas será divulgada neste sábado (6) e deve indicar para onde os recursos – e apoios – estão sendo direcionados.

Procurada, a Cosan disse que “que apoia o processo democrático brasileiro, mas não comenta as doações realizadas ou programadas”.

Postura semelhante também foi adotada pela Copersucar, afirmando que “não emite opiniões sobre o processo político-eleitoral”.

PSB e PMDB foram os mais beneficiados

Na soma de todos os recursos, PSB e PMDB foram as siglas mais beneficiadas pelo setor sucroalcooleiro nesta primeira fase.

O PMDB detém a maior fatia dos recursos, 59,9% ou R$ 6,1 milhões, enquanto o PSB ficou com 34,1% (R$ 3,4 milhões) e o PTB com 5,8% (R$ 600 mil).

Das seis doações que o PMDB recebeu da Cosan, três - num total de R$ 3 milhões - foram para o caixa nacional do partido. Uma doação foi feita diretamente ao candidato Paulo Skaf, que disputa o governo de São Paulo, e as outras duas à direção estadual do partido em Alagoas.

Embora a sigla faça parte da chapa que apoia Dilma Rousseff a presidência, a legenda concorre contra o PT em São Paulo.

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A participação das usinas do Nordeste

Duas usinas do Nordeste completam a lista dos quatro grupos que apoiaram candidatos e partidos.

Embora tenham feito doações “menores” que as tradicionais Cosan e Copersucar, estas usinas mantiveram a homogeneidade das doações e dos apoios aos candidatos e partidos.

Novamente, o PMDB ficou com a maior fatia das doações.

A Usina Coruripe, do grupo Tércio Wanderley, fez duas doações de R$ 300 mil à sigla. Metade dos R$ 600 mil foi para a direção nacional do partido e a outra parte ficou com a direção estadual da legenda em Alagoas. O filho do senador Renan Calheiros, Renan Calheiros Filho, é o candidato do partido que disputa o governo do estado.

Já a Agrovale, com sede na em Juazeiro, na Bahia, aportou R$ 100 mil na candidatura de Armando Monteiro, do PTB. Ele disputa o cargo de governador em Pernambuco.

Procuradas, as usinas Agrovale e Coruripe não responderam aos e-mails enviados pelo portal NovaCana.

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A prestação final de contas para quem não avançou ao segundo turno será 4 de novembro. O prazo final para os candidatos e partidos que foram ao segundo turno identificarem a origem dos recursos é 25 de novembro.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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