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Grupo Zilor detalha processo de certificação de suas usinas para o RenovaBio

Elegibilidade média das áreas das unidades ficou em 98%: “Nossa meta é atingir 100%”, diz diretor da companhia

NovaCana 9 min de leitura

Até o momento, 43 empresas produtoras de biocombustíveis têm certificação para emitir e comercializar créditos de descarbonização (CBios) no programa RenovaBio, conforme aprovadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Dentre elas, 38 são usinas de etanol.

O grupo Zilor certificou todas as suas três unidades ainda no primeiro mês do ano. A usina Barra Grande, em Lençóis Paulista (SP), foi aprovada pela ANP em 27 de janeiro, enquanto as unidades São José, em Macatuba (SP), e Quatá, em Quatá (SP), foram certificadas em 31 do mesmo mês.

Segundo a Zilor, o processo de certificação das unidades iniciou antes mesmo da regulamentação do RenovaBio estar concluída. “Nos preparamos com antecedência para acompanhar de perto os indicadores e as evoluções da regulamentação do RenovaBio”, relata o diretor agroindustrial do grupo, Luiz Gustavo Scartezini Rodrigues.

Para isso, a empresa participou de treinamentos ministrados pela equipe da Embrapa Meio Ambiente, que estava envolvida no desenvolvimento da RenovaCalc. Além disso, foram realizados workshops e treinamentos em todas as unidades agroindustriais e corporativas do grupo, tratando do processo de certificação do RenovaBio e da própria RenovaCalc.

Das três usinas do grupo, a com melhor nota é a Quatá: 57,8 gCO2eq/MJ para o etanol anidro e 57,5 gCO2eq/MJ para o hidratado. Já a unidade São José tem notas de 52,6 e 52,2 gCO2eq/MJ para anidro e hidratado, respectivamente. Por fim, a Barra Grande tem a nota mais baixa do grupo: 51,3 e 50,9 gCO2eq/MJ, entre anidro e hidratado.

“O processo de contratação da firma inspetora foi em junho de 2019 e, depois, passamos por todas as etapas da certificação, incluindo análise de elegibilidade e de indicadores dos processos agroindustriais, atendimento às exigências da RenovaCalc, auditoria in loco e consulta pública”, detalha Rodrigues.

Conforme o diretor, um dos destaques da certificação das unidades da Zilor foi o nível de elegibilidade alcançado, com médias superiores a 98%. “Nossa meta é atingir 100%”, completa.

Confira, na versão completa, a entrevista exclusiva com o diretor agroindustrial da empresa e gráficos sobre as certificações da Zilor, as notas obtidas e os dados apresentados para cada usina, além de projeções para a geração de CBios e a receita adicional a ser obtida com a venda dos títulos.

Até o momento, 43 empresas produtoras de biocombustíveis têm certificação para emitir e comercializar créditos de descarbonização (CBios) no programa RenovaBio, conforme aprovadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Dentre elas, 38 são usinas de etanol.

O grupo Zilor certificou todas as suas três unidades ainda no primeiro mês do ano. A usina Barra Grande, em Lençóis Paulista (SP), foi aprovada pela ANP em 27 de janeiro, enquanto as unidades São José, em Macatuba (SP), e Quatá, em Quatá (SP), foram certificadas em 31 do mesmo mês.

Segundo a Zilor, o processo de certificação das unidades iniciou antes mesmo da regulamentação do RenovaBio estar concluída. “Nos preparamos com antecedência para acompanhar de perto os indicadores e as evoluções da regulamentação do RenovaBio”, relata o diretor agroindustrial do grupo, Luiz Gustavo Scartezini Rodrigues.

Para isso, a empresa participou de treinamentos ministrados pela equipe da Embrapa Meio Ambiente, que estava envolvida no desenvolvimento da RenovaCalc. Além disso, foram realizados workshops e treinamentos em todas as unidades agroindustriais e corporativas do grupo, tratando do processo de certificação do RenovaBio e da própria RenovaCalc.

Das três usinas do grupo, a com melhor nota é a Quatá: 57,8 gCO2eq/MJ para o etanol anidro e 57,5 gCO2eq/MJ para o hidratado. Já a unidade São José tem notas de 52,6 e 52,2 gCO2eq/MJ para anidro e hidratado, respectivamente. Por fim, a Barra Grande tem a nota mais baixa do grupo: 51,3 e 50,9 gCO2eq/MJ, entre anidro e hidratado.

“O processo de contratação da firma inspetora foi em junho de 2019 e, depois, passamos por todas as etapas da certificação, incluindo análise de elegibilidade e de indicadores dos processos agroindustriais, atendimento às exigências da RenovaCalc, auditoria in loco e consulta pública”, detalha Rodrigues.

Conforme o diretor, um dos destaques da certificação das unidades da Zilor foi o nível de elegibilidade alcançado, com médias superiores a 98%. “Nossa meta é atingir 100%”, completa.

Para o cálculo das emissões, assim como ocorre com todas as usinas, os dados vindos do campo são os que têm mais peso sobre a nota final. Portanto, é a unidade Quatá que apresenta as menores emissões no campo: 25,3 gCO2eq/MJ. Em contrapartida, a Barra Grande apresenta as maiores, com 32,7 gCO2eq/MJ.

Ou seja, ainda que seja possível minimizar esta diferença com o desempenho em outras etapas – industrial e distribuição, por exemplo –, os 7,4 pontos de distância nas emissões do campo acabaram tendo bastante impacto na nota final.

Este cenário influencia diretamente na quantidade de litros que são necessários para produzir um CBio. Enquanto a unidade Quatá, a mais eficaz das três, precisa de 779,11 mil litros de anidro ou 820,32 mil litros de hidratado para emitir um CBio, a unidade Barra Grande – que é a menos eficaz –, precisa de 895,04 mil litros de anidro ou 944,86 mil litros de hidratado para emissão do crédito.

20200221 Zilor Renovabio nota

Considerando a capacidade de produção diária autorizada pela ANP e uma safra de 180 dias, o NovaCana fez uma estimativa da quantidade de CBios que cada uma das usinas poderá produzir em uma safra. Neste caso, a Quatá poderia produzir 385,53 mil CBios, a São José, 381,04 mil e a Barra Grande, 350,33 mil.

Receita extra pode chegar a R$ 163 milhões

O NovaCana também projetou a receita adicional que o grupo pode ter com os CBios. Para isso, foram considerados os três preços expostos em estudos do Ministério de Minas e Energia (MME), com CBios valendo R$ 17 no cenário pessimista, R$ 34 no realista e R$ 146 no otimista.

No primeiro caso, somando produções de anidro e hidratado das três usinas, a receita adicional seria de R$ 19 milhões. Em um cenário médio, o valor sobe para R$ 38 milhões. Já na opção mais otimista, ele chega a R$ 163,1 milhões.

20200221 Zilor Renovabio receita

A usina Quatá é também a que rende uma receita adicional maior. Considerando um cenário médio, ela obteria R$ 5,5 milhões com etanol anidro e R$ 7,6 milhões com hidratado, totalizando R$ 13,1 milhões por safra.

Sob a perspectiva da receita adicional por litro de etanol, em um cenário realista, a venda de CBios proporcionaria para a Zilor entre R$ 36/m³ e R$ 43,6/m³. Os valores são referentes ao etanol hidratado da unidade Barra Grande e ao anidro da unidade Quatá, respectivamente.

Entretanto, quando questionado sobre a expectativa de receitas com o programa, Rodrigues não arrisca números. Ele acredita que qualquer análise em relação aos preços dos CBios é “prematura”. “A melhoria dos processos produtivos já é um foco estratégico de nossa gestão, mas poderá ganhar ainda mais velocidade e capacidade de implementação com a receita a ser gerada pela venda dos CBios”, complementa.

Conforme o diretor, a comercialização dos CBios gerados pelas unidades da Zilor será realizada pela Copersucar. O grupo, inclusive, foi a primeira cooperada Copersucar e quinta do país a receber o certificado para comercializar CBios, e está entre as oito primeiras usinas aprovadas no RenovaBio.

Penalização por uso de dados padrão

Como grande parte das emissões de gases de efeito estufa das usinas vem do campo, os canaviais têm um papel importante quando se trata do RenovaBio. Fatores como queimadas e produtividade impactam diretamente no resultado que as usinas terão na RenovaCalc e, consequentemente, na quantidade de créditos que poderão ser emitidos.

A usina Quatá declarou 19,5% da área como queimada, de um total de 48,73 mil hectares. Já as outras duas usinas do grupo registraram 100% da área como queimada. O valor, porém, pode não representar a realidade efetiva da usina já que, quando há preenchimento com os dados padrão da RenovaCalc, a calculadora considera toda a área queimada. O objetivo é incentivar as unidades a obterem dados reais de seus fornecedores para poderem diminuir suas notas.

Além disso, a produtividade agrícola das unidades variou entre 52,02 e 60,03 toneladas de cana por hectare – valores considerados baixos pelo setor, mas que também são prejudicados pela utilização dos dados padrão da calculadora.

20200221 Zilor Renovabio canaviais

Por fim, a produção total de cana das unidades variou entre 2,53 milhões e 4,11 milhões de toneladas. Considerando a estimativa de CBios emitidos por safra, isso significa que o número de créditos por tonelada de cana moída deve variar de 92 a 152 CBios entre as usinas do grupo.

Importância do programa em foco

Segundo o diretor, os custos da certificação ficaram limitados somente à contratação da firma inspetora. “Não foi preciso realizar nenhuma ação adicional pensando no RenovaBio, pois as iniciativas de gestão e monitoramento realizadas pela Zilor são procedimentos em todas as usinas desde 2011, quando conquistamos a certificação Bonsucro”, relata.

Rodrigues completa que a empresa segue buscando melhorias nos processos agrícolas e industriais, analisando e implementando soluções que possam melhorar as notas no programa. “Nossas equipes estão preparadas para acompanhar continuamente a intensidade de carbono do etanol, mapeando e entendendo o dia a dia os nossos processos na busca pelo aumento da eficiência sustentável e a geração de valor”, afirma.

Ainda de acordo com ele, a Zilor não participou da reunião que o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) realizou para apresentação da Plataforma CBio, porém declara conhecer a plataforma. Conforme o profissional, a empresa está em processo de a contratação com o Serpro para iniciar o envio das notas fiscais.

“Acreditamos que o RenovaBio trará de volta um novo círculo virtuoso do investimento com visão de longo prazo no setor sucroenergético”, opina Rodrigues, que completa: “O programa trará uma maior previsibilidade ao longo dos próximos anos, oferecendo às empresas condições de planejamento dos investimentos de forma sustentável, bem como uma análise criteriosa para melhorias nos parques fabris já instalados, para um aumento do mix de produção de etanol, ou para a aquisição e construção de unidades produtoras”.

Gabriele Rumor Koster – NovaCana

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