Há seis safras o Grupo Clealco registra resultados líquidos negativos – desde a temporada 2013/14 os indicadores no vermelho refletem a situação financeira delicada do grupo que, em julho desse ano, entrou com pedido de recuperação judicial
Há seis safras o Grupo Clealco registra resultados líquidos negativos – desde a temporada 2013/14 os indicadores no vermelho refletem a situação financeira delicada do grupo que, em julho desse ano, entrou com pedido de recuperação judicial.
De acordo com as demonstrações financeiras divulgadas no mês passado, a empresa registrou prejuízo de R$ 572,92 milhões na safra 2017/18 finalizada em 31 de março, perda 141,46% superior aos R$ 237,27 milhões da temporada passada, quando a continuidade operacional do grupo já estava ameaçada.
Questionada quanto às demonstrações financeiras divulgadas, A Clealco informou, em nota ao NovaCana que "atualmente está empenhada nas negociações do plano de recuperação judicial e que irá se manifestar sobre seus resultados somente após obter avanços nestas negociações".
O grupo, possui três usinas no estado de São Paulo: Unidade Clementina, Unidade Penápolis e Unidade Queróz. Juntas, têm capacidade de moagem de 10,5 milhões de toneladas de cana por safra.
No texto a seguir detalhamos a evolução da situação da Clealco através do seu resultado financeiro.
Confira na versão completa:
- Comparativo do prejuízo líquido por safra
- Desempenho financeiro da Clealco
- Impacto da variação cambial
- Resultados operacionais da companhia
- Perfil das dívidas
Há seis safras o Grupo Clealco registra resultados líquidos negativos – desde a temporada 2013/14 os indicadores no vermelho refletem a situação financeira delicada do grupo que, em julho desse ano, entrou com pedido de recuperação judicial.
De acordo com as demonstrações financeiras divulgadas no mês passado, a empresa registrou prejuízo de R$ 572,92 milhões na safra 2017/18 finalizada em 31 de março, perda 141,46% superior aos R$ 237,27 milhões da temporada passada, quando a continuidade operacional do grupo já estava ameaçada.
Um dos indicadores que levava à essa situação crítica era a existência de um passivo descoberto, ou seja, superior ao ativo, de R$ 320,46 milhões em 2016/17 - a situação ficou ainda mais delicada na última safra com o valor aumentando para R$ 893,38 milhões.

Questionada quanto às demonstrações financeiras divulgadas, A Clealco informou, em nota ao NovaCana que "atualmente está empenhada nas negociações do plano de recuperação judicial e que irá se manifestar sobre seus resultados somente após obter avanços nestas negociações". O NovaCana também não teve acesso às notas explicativas do demonstrativo financeiro – estas foram divulgadas em Diário Oficial no ano passado, mas não neste.
Resultado operacional
O grupo, possui três usinas no estado de São Paulo: Unidade Clementina, Unidade Penápolis e Unidade Queróz. Juntas, têm capacidade de moagem de 10,5 milhões de toneladas de cana por safra.
O lucro bruto do grupo foi negativo em R$ 980 mil, inferior aos R$ 191,44 milhões da safra 2016/17 – o pior resultado nos últimos seis anos e decorrente de uma relação entre produtos vendidos e receitas desfavorável ao grupo. As receitas somaram R$ 1,08 bilhão, 16,14 % inferior aos R$ 1,288 bilhão do mesmo período do ano passado. Já os custos foram de R$ 1,081 bilhão contra R$ 1,096 bilhão no mesmo comparativo, representando redução de 1,41%. Com isso, a relação entre os indicadores ficou em 100,08% frente a 85,14% da safra passada em um setor em que a média saudável é de 70%.


Outro indicador que pesou negativamente nas contas do Grupo Clealco foi a variação cambial líquida que ficou negativa em R$ 30,39 milhões na temporada 2017/18, enquanto no mesmo período do ano passado o indicador foi favorável, positivo em R$ 76,92 milhões. Na última safra, havia uma expectativa de valorização do câmbio que não se efetivou. O indicador é mais prejudicial, pois apenas parte dos custos é indexada ao dólar, enquanto toda a receita é precificada pela moeda.
Além disso, as receitas financeiras foram consideravelmente inferiores as despesas. O indicador se refere aos ganhos vindos da aplicação dos excedentes temporários de caixa. Estas somaram R$ 8,32 milhões frente aos custos de R$ 270,32 milhões. Os débitos se referem as despesas com contratações de financiamentos bancários realizados.


Dívidas elevadas
A dívida, principal motivo de pedido de recuperação judicial na Clealco, somaram R$ 1,086 bilhão em 2017/18 em relação aos empréstimos e financiamentos do grupo – houve um pequeno aumento de 1,38% frente a posição de R$ 1,071 bilhão no mesmo período do ano passado. O maior montante desta dívida, a longo prazo, foi de R$ 808,13 milhões, 37,41% superior aos R$ 588,1 milhões de 2016/17.

Nas dívidas de curto prazo houve redução de 42,49% - a quantia passou de R$ 483,01 milhões para R$ 277,77 milhões, melhorando o cenário de um ano atrás, quando as dívidas a curto prazo haviam se elevado em 63,5% no comparativo com 2015/16. A melhora ocorreu por conta de um plano de renegociação bancária — em dezembro do ano passado, a empresa havia consolidado a reestruturação de dívidas junto às empresas credoras.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana