Especialistas explicam qual será o impacto do acordo e comentam de que forma a crise energética deve interferir na produção de energia pelo mundo
Os problemas energéticos e os desafios climáticos enfrentados pelo mundo foram abordados durante a 21ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada em outubro.
Levando em conta o contexto da pandemia de covid-19, o diretor administrativo da Paragon Global Markets, Michael McDougall, observou que, em 2020, a demanda caiu 7% nos Estados Unidos e 5% no mundo, gerando a pior queda desde a Segunda Guerra Mundial. Agora, em um cenário de recuperação, as estimativas dos preços de petróleo, gás natural e energia subiram cerca de 35%.
De acordo com ele, isso está acontecendo porque os investimentos em combustíveis fósseis estão caindo.
Contudo, o diretor também observa que o aporte em energia renovável tende a ser apenas a metade do que seria necessário para compensar a emissão de gases causados pelas fontes fósseis, chegando a uma emissão de zero porcento em 2050, como é esperado pelo Pacto Ecológico Europeu, também conhecido como European Green Deal.
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Os problemas energéticos e os desafios climáticos enfrentados pelo mundo foram abordados durante a 21ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada em outubro.
Levando em conta o contexto da pandemia de covid-19, o diretor administrativo da Paragon Global Markets, Michael McDougall, observou que, em 2020, a demanda caiu 7% nos Estados Unidos e 5% no mundo, gerando a pior queda desde a Segunda Guerra Mundial. Agora, em um cenário de recuperação, as estimativas dos preços de petróleo, gás natural e energia subiram cerca de 35%.
De acordo com ele, isso está acontecendo porque os investimentos em combustíveis fósseis estão caindo.
Contudo, o diretor também observa que o aporte em energia renovável tende a ser apenas a metade do que seria necessário para compensar a emissão de gases causados pelas fontes fósseis, chegando a uma emissão de zero porcento em 2050, como é esperado pelo Pacto Ecológico Europeu, também conhecido como European Green Deal.
Crise energética pelo mundo
Segundo McDougall, o problema está em como fazer a transição de combustível fóssil para renovável. O Brasil, por exemplo, começou seu programa de etanol na década de 1970 para diminuir a importação de combustíveis fósseis. “Por que governo quer reduzir o uso de etanol agora?”, questiona.
De acordo com o diretor, no Brasil, a seca diminuiu a quantidade de energia hidrelétrica disponível fazendo com que o país tivesse que importar uma maior quantidade de gás; o volume foi 50% superior ao que a China importou dos Estados Unidos no mês de julho. Assim, o país está disputando com a Ásia o gás americano, algo novo para o Brasil.
Outro problema no país é que o etanol está perdendo espaço de mercado para a gasolina, com os estoques do biocombustível hidratado diminuindo enquanto os do anidro sobem. Isso torna o preço da gasolina ainda mais ligado ao mercado internacional, pois o etanol pode se tornar mais competitivo.
Como aponta McDougall, uma maneira de diminuir o uso do combustível fóssil são os veículos elétricos, contudo, seu preço de implementação ainda é elevado. De acordo com ele, cada estação de recarga custa US$ 2 milhões, enquanto uma de gasolina custa US$ 300 mil. O diretor também comenta que, embora o custo dos carros ainda seja elevado, ele pode ser reduzido por meio de subsídios.
Além disso, países como a China estão tentando rever suas fontes energéticas, relata McDougall. O gigante asiático possui 70% da sua energia provinda do carvão – porém, recentemente, houve uma queda para 52%. Ainda assim, apenas 27% da matriz energética do país é renovável e 10% é gás natural. Mas, com o foco em desenvolver ainda mais sua economia enquanto segue cortando o uso de carvão, a China quer reverter este cenário.
Ainda segundo dados trazidos pela Paragon, considerando todo o continente asiático, a demanda por gás natural aumentou em 50% nos últimos dez anos. Isso fez com que a China assinasse três novos acordos com empresas americanas para fornecimento, fazendo o continente ser o maior importador de gás americano.
Já na Europa, o fornecimento de gás caiu 30% nos últimos dez anos e o Reino Unido depende cada vez mais da Rússia.
Desafios para a indústria europeia
O objetivo do European Green Deal é chegar a 2050 com zero emissões de gases do efeito estufa, sendo o primeiro continente no mundo a ser neutro em carbono. As emissões de 1990 foram o ponto de partida e, a princípio, a expectativa era diminuí-las em cerca de 20% até 2020. Agora, a meta é que haja uma redução de 55% até 2030.
Como explica o diretor de operações da Pfeifer & Langen, Michael Schaupp, há algumas métricas que ainda precisam ser estabelecidas, o que vem sendo discutido de maneira intensa. Uma das alternativas é o aumento no valor da tonelada de CO2 fazendo com que as empresas poluidoras precisem pagar mais para neutralizar suas emissões. Com créditos mais caros é esperado que as negociações de carbono até 2030 sejam reduzidas em 2,2%, pois as empresas passariam a investir em tecnologias limpas.
Com o Green Deal, algumas metas foram traçadas para serem atingidas até 2030 e a indústria deve se adaptar para alcançá-las. Olhando para o açúcar europeu, feito a partir de beterraba, algumas dessas metas terão um impacto maior. Entre elas está a diminuição no uso de pesticidas em até 50%, o que vai ampliar custos e até mesmo gerar um risco de doenças para as plantações. Segundo Schaupp, isso também irá criar um ambiente mais competitivo.
Outro ponto é a redução em 20% na utilização de fertilizante, o que pode contribuir para uma redução no rendimento. Além disso, a expansão da área de cultivo orgânico em 25% também é uma meta, o que deve causar declínio no cultivo tradicional. Está previsto ainda o estabelecimento de zonas de proteção em 30% das áreas agrícolas, o que deve diminuir o espaço para cultivos tradicionais.
Em termos de produção, o objetivo de redução dos gases deve mudar os sistemas existentes e ajudar a implementar alternativas que causem menos impacto. Porém, Schaupp aponta que é necessário investimento em tecnologias mais limpas para atender à demanda de escala industrial.
Para o executivo, a indústria precisa focar no desenvolvimento de tecnologias para o combate e monitoramento de pragas, de pesticidas que proporcionem economia de insumos e de variedades de plantas mais resistentes.
“O caminho é a eficiência, mas a eficiência não é nada se não precisarmos reinventar a roda”, complementa Schaupp. Ele acredita ser necessário buscar resultados mais significativos em relação às emissões de CO2 e à neutralidade nos gases de efeito estufa, mas para isso seria importante o setor realizar mais investimentos e buscar novas soluções.
Lucas Vasconcelos – NovaCana