Diretor da Unica faz previsões para safra 2014/15 e fala sobre os problemas que o setor produtivo deve continuar enfrentandoProjetar como será a moagem de cana e a produção de açúcar e etanol em cada safra não é tarefa fácil. O clima é a incógnita constante em cada previsão, mas, este ano, também não está claro como as usinas se comportarão, já que muitas não fizeram manutenção, algumas podem antecipar a safra e outras devem fechar as portas.
O diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, fala sobre isso e também:
- Nove usinas devem fechar na próxima safra
- 2006: o ano que não volta
- Mecanização pode levar de cinco a dez anos para ser completamente aprendida
- Endividamento das usinas X renovação e expansão dos canaviais
- Queda no faturamento das usinas
- Novamente uma safra mais alcooleira em 2014/15
No mês passado o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues esteve no Paraná para a IV Reunião Técnica sobre a Cana de Açúcar 2013, evento da Alcopar em parceria com a UFPR/Ridesa e a empresa Dow AgroSciences.
No encontro, o diretor técnico falou que a grande dúvida para a próxima safra não é quanto de cana tem, mas quanto será moído. Pádua disse que vai sobrar cana desta safra e o clima tem sido favorável para o desenvolvimento da cultura. "Tem mais cana, mas depende das empresas, já que muitas não fizeram manutenção, e principalmente das condições climáticas e o consequente aproveitamento de tempo".
Pádua afirmou que a capacidade de moagem da safra 2014/15 deverá ser similar à atual, mas alertou que nove usinas poderão encerrar suas atividades, uma nova unidade deve entrar em operação e outra deve ser reativada. "É possível uma pequena ampliação da moagem por meio da antecipação do início da safra já que cerca de 50% das unidades iniciam a safra após o dia 15 de abril."
Para agravar a situação, a mecanização se desenvolveu rapidamente. O processo gera uma cadeia de problemas para a usina e ainda não está dominado completamente. Com a mecanização, a usina demora a voltar a colher e leva uma grande quantidade de impurezas para a indústria. "Isso significa perda de ATR, aumento de custos e ineficiência. A cana picada perde açúcar e a palha é o grande transtorno, demandando mais manutenção".
A previsão é de que as usinas só aprendam a lidar com as mudanças provocadas daqui a cinco ou dez anos, para as usinas que investiram em novos ambientes, de condições mais restritivas. "Vamos sofrer alguns anos ainda para aumentar a produtividade. Tem muita tecnologia, mas muito a aprender e o endividamento complica tudo. É preciso buscar tecnologia para voltar a ser competitivo", destacou.
O percentual de renovação do canavial no Centro Sul em 2012 foi de 20% da área e de 2013, 17%. Com isso, a idade média do canavial que era de 3,33 anos, vai aumentar em 2014, disse o diretor. Além da perda de mudas com as geadas e a dificuldade de plantio devido ao clima, a falta de crédito foi maior problema. "Deve haver perda de produtividade e aumento de custo de produção na safra 2015/16. Agora não se queima mais cana, o que toma a safra mais problemática", afirmou.
Pádua reforçou que a mecanização tem sido uma das principais causas de queda de produtividade.
O resultado aparece nos preços apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo. A receita obtida pelas usinas de São Paulo com a venda de etanol e açúcar até novembro de 2013, RS 98,40 por tonelada de cana, foi 9,21% inferior à observada no mesmo período da safra passada, RS 108,38.
Comparada com 2011/2012, quando o valor chegou a RS 116,46, a receita média até novembro foi 15,51% menor. A queda gradativa na receita observada nas últimas três safras, somada â despesa financeira das empresas do setor, tem produzido uma situação bastante preocupante.
Também citou que a proposta de alteração no mandato norte americano com relação à mistura de etanol à gasolina ainda não é definitiva. "Estamos participando da discussão quanto à revisão dos valores". Caso a proposta divulgada seja mantida, o Brasil pode reduzir as exportações para os EUA, perder alguns mercados que demandam etanol industrial, e até passar a importar o produto, condição que será definida pela paridade de preços. Mas a demanda por etanol de cana para a Califórnia e contratos de exportação já assumidos deverão ser mantidos.
Marly Aires (Jornal Paraná)
Adaptado por NovaCana
O diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, fala sobre isso e também:
- Nove usinas devem fechar na próxima safra
- 2006: o ano que não volta
- Mecanização pode levar de cinco a dez anos para ser completamente aprendida
- Endividamento das usinas X renovação e expansão dos canaviais
- Queda no faturamento das usinas
- Novamente uma safra mais alcooleira em 2014/15
No mês passado o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues esteve no Paraná para a IV Reunião Técnica sobre a Cana de Açúcar 2013, evento da Alcopar em parceria com a UFPR/Ridesa e a empresa Dow AgroSciences.
No encontro, o diretor técnico falou que a grande dúvida para a próxima safra não é quanto de cana tem, mas quanto será moído. Pádua disse que vai sobrar cana desta safra e o clima tem sido favorável para o desenvolvimento da cultura. "Tem mais cana, mas depende das empresas, já que muitas não fizeram manutenção, e principalmente das condições climáticas e o consequente aproveitamento de tempo".
Pádua afirmou que a capacidade de moagem da safra 2014/15 deverá ser similar à atual, mas alertou que nove usinas poderão encerrar suas atividades, uma nova unidade deve entrar em operação e outra deve ser reativada. "É possível uma pequena ampliação da moagem por meio da antecipação do início da safra já que cerca de 50% das unidades iniciam a safra após o dia 15 de abril."
O ano que não volta
O excelente ano de 2006 para o setor produtivo seria uma realidade nesta safra se, de lá para cá, a produtividade aumentasse 8% todo ano. Desde então, o distanciamento da competitividade do etanol em relação a gasolina foi se intensificando.Para agravar a situação, a mecanização se desenvolveu rapidamente. O processo gera uma cadeia de problemas para a usina e ainda não está dominado completamente. Com a mecanização, a usina demora a voltar a colher e leva uma grande quantidade de impurezas para a indústria. "Isso significa perda de ATR, aumento de custos e ineficiência. A cana picada perde açúcar e a palha é o grande transtorno, demandando mais manutenção".
A previsão é de que as usinas só aprendam a lidar com as mudanças provocadas daqui a cinco ou dez anos, para as usinas que investiram em novos ambientes, de condições mais restritivas. "Vamos sofrer alguns anos ainda para aumentar a produtividade. Tem muita tecnologia, mas muito a aprender e o endividamento complica tudo. É preciso buscar tecnologia para voltar a ser competitivo", destacou.
Endividamento
Pádua comentou que antes dos investimentos feitos pelo setor para a forte expansão ocorrida até 2008, o endividamento era de 30% a 40% do faturamento. Agora foi para um valor superior ao do faturamento e são dívidas de longo prazo. "Não se sabe como pagar a conta. Em média, só para pagar os juros, as usinas tem comprometido 15% do faturamento e em alguns casos, esse percentual é bem maior. Aí, como reformar a cana, como plantar?", questiona.O percentual de renovação do canavial no Centro Sul em 2012 foi de 20% da área e de 2013, 17%. Com isso, a idade média do canavial que era de 3,33 anos, vai aumentar em 2014, disse o diretor. Além da perda de mudas com as geadas e a dificuldade de plantio devido ao clima, a falta de crédito foi maior problema. "Deve haver perda de produtividade e aumento de custo de produção na safra 2015/16. Agora não se queima mais cana, o que toma a safra mais problemática", afirmou.
Pádua reforçou que a mecanização tem sido uma das principais causas de queda de produtividade.
Faturamento menor
Além do fato de que 14,3% das indústrias sucroenergéticas do Centro Sul fabricam apenas etanol, os produtos responsáveis por 57% do faturamento das usinas tiveram preços menores que nos anos anteriores. O diretor técnico da Única disse que este ano 46,57% da receita vieram do açúcar, a maior parte de açúcar VHP, 23,16% do etanol anidro e 30,27% do etanol hidratado. "Teve maior produtividade, mas safra ficou mais cara", afirmou.O resultado aparece nos preços apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo. A receita obtida pelas usinas de São Paulo com a venda de etanol e açúcar até novembro de 2013, RS 98,40 por tonelada de cana, foi 9,21% inferior à observada no mesmo período da safra passada, RS 108,38.
Comparada com 2011/2012, quando o valor chegou a RS 116,46, a receita média até novembro foi 15,51% menor. A queda gradativa na receita observada nas últimas três safras, somada â despesa financeira das empresas do setor, tem produzido uma situação bastante preocupante.
Dependência do etanol
Para Antônio de Pádua Rodrigues, na próxima safra, as usinas vão continuar dependendo do etanol. O diretor avalia que no balanço mundial de açúcar, o superávit que chegou a 10 milhões de toneladas na safra 2012/13, vem diminuindo, mas continua positivo. "Pela primeira vez houve uma queda da produção global nos últimos cinco anos. O crescimento do consumo tem ficado cm 2% ao ano, com demanda adicional de pelo menos três milhões de toneladas".Também citou que a proposta de alteração no mandato norte americano com relação à mistura de etanol à gasolina ainda não é definitiva. "Estamos participando da discussão quanto à revisão dos valores". Caso a proposta divulgada seja mantida, o Brasil pode reduzir as exportações para os EUA, perder alguns mercados que demandam etanol industrial, e até passar a importar o produto, condição que será definida pela paridade de preços. Mas a demanda por etanol de cana para a Califórnia e contratos de exportação já assumidos deverão ser mantidos.
Marly Aires (Jornal Paraná)
Adaptado por NovaCana