Em entrevista ao NovaCana, Bernardo Gradin comenta retomada da produção de etanol celulósico, aquisições de patentes e perspectivas para este e o próximo ano
A GranBio Investimentos segue com seu tradicional resultado financeiro no vermelho. Nos últimos cinco anos, a empresa de etanol celulósico acumulou prejuízos em seus balanços anuais, especialmente graças à dificuldade de trabalhar com uma tecnologia pouco estabelecida.
Segundo a demonstração financeira referente ao ano fiscal finalizado em 31 de dezembro de 2018, quando empresa atuou majoritariamente com cogeração de energia elétrica e não com produção e comercialização de etanol de segunda geração, a GranBio teve prejuízo de R$ 52,47 milhões. A perda é 55,71% menor que a de 2017, quando o resultado foi negativo em R$ 118,48 milhões.
Em entrevista exclusiva ao NovaCana, o CEO, Bernardo Gradin, explica que a GranBio é mantida pelo controlador enquanto a operação não se torna lucrativa. “Os credores têm demonstrado confiança e algumas dívidas foram perfiladas para a melhor projeção de ‘ramp up’ [aumento na produção] da planta e de receita com venda de licenças futuras de tecnologia”, explica.
Apesar do resultado negativo, o prejuízo foi o menor dos últimos cinco anos. Gradin, entretanto, aponta que os números não refletem o potencial da usina, já que a planta ainda não alcançou capacidade de produção lucrativa. “Houve o recebimento de um ressarcimento do acordo pós-arbitragem com uma empresa que nos vendeu uma tecnologia que não funcionou”, explica o CEO.
Para 2019, as coisas podem começar a mudar. Além da aposta no etanol celulósico, a companhia está cada vez mais focada no licenciamento e na venda de tecnologia.
Em janeiro, a GranBio informou que retomaria suas operações comerciais de etanol celulósico. A planta tem estrutura produzir até 60 milhões de litros de etanol celulósico por ano, mas nunca atingiu plena capacidade operacional.
Confira, na versão completa, mais detalhes financeiros da GranBio e as visões de Bernardo Gradin sobre o mercado de E2G dentro e fora do país.
A GranBio Investimentos segue com seu tradicional resultado financeiro no vermelho. Nos últimos cinco anos, a empresa de etanol celulósico acumulou prejuízos em seus balanços anuais, especialmente graças à dificuldade de trabalhar com uma tecnologia pouco estabelecida.
Segundo a demonstração financeira referente ao ano fiscal finalizado em 31 de dezembro de 2018, quando empresa atuou majoritariamente com cogeração de energia elétrica e não com produção e comercialização de etanol de segunda geração, a GranBio teve prejuízo de R$ 52,47 milhões. A perda é 55,71% menor que a de 2017, quando o resultado foi negativo em R$ 118,48 milhões.
Em entrevista exclusiva ao NovaCana, o CEO, Bernardo Gradin, explica que a GranBio é mantida pelo controlador enquanto a operação não se torna lucrativa. “Os credores têm demonstrado confiança e algumas dívidas foram perfiladas para a melhor projeção de ‘ramp up’ [aumento na produção] da planta e de receita com venda de licenças futuras de tecnologia”, explica.

Apesar do resultado negativo, o prejuízo foi o menor dos últimos cinco anos. Gradin, entretanto, aponta que os números ainda não refletem o potencial da usina, já que a planta ainda não alcançou capacidade de produção lucrativa. “Houve o recebimento de um ressarcimento do acordo pós-arbitragem com uma empresa que nos vendeu uma tecnologia que não funcionou”, explica o CEO.
Perspectivas para o futuro: produção e mercado de E2G
Para 2019, as coisas podem começar a mudar. Além da aposta no etanol celulósico, a companhia está cada vez mais focada no licenciamento e na venda de tecnologia.
Em janeiro, a GranBio informou que retomaria suas operações comerciais de etanol celulósico na usina Bioflex, que tem estrutura produzir até 60 milhões de litros de etanol celulósico por ano, mas nunca atingiu plena capacidade operacional.
Segundo Gradin, a usina funcionou de fato entre o final de janeiro e o início de maio. “Foi a primeira vez que a GranBio operou na entressafra [de Alagoas], por três semanas”, afirma. No momento, entretanto, a planta de etanol de primeira geração está com uma produção inferior à necessária para a autossuficiência energética da Bioflex. Por isso, a companhia optou por paralisar as atividades em 10 de maio, devendo retomá-las somente na nova safra, prevista para agosto.
A princípio, a expectativa era produzir 30 milhões de litros de E2G em 2019 e 50 milhões em 2020. Conforme o CEO, houve um ajuste da projeção para 2020 e, agora, são esperados entre 40 e 45 milhões de litros de etanol celulósico. Também faz parte dos objetivos demonstrar uma capacidade instalada superior a 50 milhões no segundo semestre do ano.
Conforme Gradin, não há mercado para o etanol celulósico no Brasil. O produto, ao menos por hora, tem uma fabricação mais cara que a do convencional e não é competitivo no mercado doméstico. Mas o E2G está presente em outros países.
“A Califórnia continua honrando o prêmio de carbono em sua política de sustentabilidade e na resposta à mudança climática. A China anunciou que vai demandar 2 bilhões de litros de etanol celulósico até 2030. A Índia anunciou um programa agressivo com subsídios para lançar a indústria de etanol 2G no país”, enumera.
Ele ainda complementa que a regulamentação que representa “a melhor notícia” para o E2G é a da União Europeia, pois o bloco possui um mandato de mistura de etanol avançado (produzido por meio de resíduos) na gasolina. Segundo Gradin, isso seria capaz de estimular a operação de, aproximadamente, 40 plantas de etanol celulósico até 2030 no grupo.
“Estas notícias nos incentivam, pois vêm de encontro ao nosso propósito de continuar desenvolvendo soluções inovadoras e que revertam os impactos na mudança climática que enfrentamos hoje”, expressa.
Além disso, a empresa é licenciadora da tecnologia industrial que utiliza, e possui clientes na Europa. “O foco é explorar as oportunidades que ajudam no desenvolvimento da indústria de etanol celulósico no mundo, trabalhando em colaboração com parceiros estratégicos”.
Em março deste ano, a GranBio finalizou a aquisição de negócios de energia de biomassa nos Estados Unidos e, conforme Gradin, o objetivo é seguir viabilizando economicamente tecnologias que usem carbono de celulose para produzir biocombustíveis, bioquímicos e materiais renováveis em alternativa ao uso intensivo de carbono fóssil.
“A GranBio consolidou seu investimento na GranAPI, incorporando 100% das patentes e do parque de Pesquisa e Desenvolvimento nos Estados Unidos, além da planta piloto de nanocelulose”, afirma o CEO. Segundo ele, o principal objetivo da aquisição era justamente o ativo tecnológico e o avanço na estratégia de licenciamento, que inclui mais de 200 patentes na área e a experiência de operação integrada da Bioflex. “A GranBio espera comercializar sua primeira licença tecnológica ainda em 2019”, conclui.
Desempenho financeiro e dívidas
Em 2018, mesmo com o ressarcimento do acordo pós-arbitragem mencionado por Gradin, a receita da GranBio caiu 5,38%, indo de R$ 25,63 milhões para R$ 24,25 milhões no comparativo anual.
Ainda assim, o resultado bruto da companhia voltou a ser positivo porque os custos caíram 74,65%. Em 2017, as despesas somaram R$ 25,63 milhões; já em 2018, elas totalizaram R$ 7,42 milhões.

Desta forma, o lucro bruto da GranBio foi de R$ 16,83 milhões, ante o prejuízo de R$ 3,64 milhões no resultado anterior.

Apesar da melhora aparente no resultado, a posição dos empréstimos e financiamentos da companhia sofreu um pequeno aumento no comparativo anual. Os débitos com vencimento em até 12 meses somavam R$ 59,55 milhões em 31 de dezembro, um valor 59,55% superior à posição vista um ano antes, de R$ 96,11 milhões.
Os débitos com vencimento a longo prazo, porém, reduziram. Eles totalizavam R$ 482,17 milhões no encerramento anterior e passaram para R$ 440,86 milhões.

No total, os débitos a curto e longo prazos somaram R$ 594,20 milhões, 2,75% a mais que os R$ 578,28 milhões de 2017. Apesar disso, Gradin argumenta que a dívida líquida reduziu em 5,6% no mesmo período.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana