Com a falta de ânimo do setor em relação ao etanol celulósico e com sua usina parada entre abril e outubro de 2016, a GranBio viu seus resultados financeiros refletirem o momento do E2G
Com a falta de ânimo do setor em relação ao etanol celulósico e com sua usina parada entre abril e outubro de 2016, a GranBio viu seus resultados financeiros do ano passado (período de janeiro a dezembro) refletirem o momento do etanol de segunda geração.
Ainda assim, os números mostram um resultado operacional positivo – mesmo que tímido –, com lucro bruto de R$ 7,15 milhões. Isso, entretanto, não impediu a GranBio Investimentos de registrar mais um prejuízo, dessa vez de R$ 72 milhões.
O resultado financeiro da GranBio Investimentos é referente aos números cinco empresas controladas e à participação em outras quatro companhias. As empresas controladas são: GranBio LLC, companhia de investimentos com sede nos Estados Unidos; BioPlant Agroindustrial, dedicada à implementação e estudo de soluções para a produção de bioquímicos e biocombustíveis; BioCelere Agroindustrial, empresa de pesquisa científica voltada para a conversão de biomassa em açúcar e desenvolvimento de microrganismos geneticamente modificados; BioVertis Produção Agrícola, dedicada à experimentação, desenvolvimento, plantio, produção e colheita de biomassa (cana-energia e palha de cana); e BioEdge Agroindustrial, companhia de investimento em plantas de etanol de segunda geração e bioquímicos em escala comercial.
Leia mais:
- Andamento da usina de etanol de segunda geração
- Histórico de prejuízos da GranBio Investimentos
- Lucro e prejuízo anual por empresa controlada
- Relação da receita com vendas e dos custos dos produtos
- Formação da receita e dos custos da GranBio Investimentos
- Valor dos estoques de etanol celulósico, palha de cana-de-açúcar e insumos
- Empréstimos e financiamentos por data de vencimento e por taxa de juros incidente
- Cronograma de amortização das dívidas
Com a falta de ânimo do setor em relação ao etanol celulósico e com sua usina parada entre abril e outubro de 2016, a GranBio viu seus resultados financeiros do ano passado (período de janeiro a dezembro) refletirem o momento do etanol de segunda geração. Ainda assim, os números mostram um resultado operacional positivo – mesmo que tímido –, com lucro bruto de R$ 7,15 milhões.

Isso, entretanto, não impediu a GranBio Investimentos de registrar mais um prejuízo, dessa vez de R$ 72 milhões. O grande vilão desse resultado está nas mãos das despesas administrativas – um total de R$ 47,63 milhões –, especialmente por meio de gastos com serviços prestados (R$ 23,09 mi), pessoal (R$ 9,55 mi) e depreciação e amortização de dívidas (R$ 4,30 mi).
Em uma comparação com os números de 2015, as despesas administrativas caíram em 18,7%. Já o prejuízo total do período diminuiu em 21,9%.

O resultado financeiro da GranBio Investimentos é referente aos números cinco empresas controladas e à participação em outras quatro companhias. As empresas controladas são: GranBio LLC, companhia de investimentos com sede nos Estados Unidos; BioPlant Agroindustrial, dedicada à implementação e estudo de soluções para a produção de bioquímicos e biocombustíveis; BioCelere Agroindustrial, empresa de pesquisa científica voltada para a conversão de biomassa em açúcar e desenvolvimento de microrganismos geneticamente modificados; BioVertis Produção Agrícola, dedicada à experimentação, desenvolvimento, plantio, produção e colheita de biomassa (cana-energia e palha de cana); e BioEdge Agroindustrial, companhia de investimento em plantas de etanol de segunda geração e bioquímicos em escala comercial.

Por sua vez, as companhias em que a GranBio tem participação são: Companhia Energética de São Miguel dos Campos, Granapi LLC, API - Intelectual Property Holdings - LLC e SGBio Renováveis. Em todos os casos, a participação da companhia é de 50%.
Dessa forma, os números não incluem os resultados da GranEnergia, empresa do grupo voltada para soluções nos segmentos de óleo e gás, logística, novas tecnologias e ativos.

Etanol de 2ª geração
É na BioEdge que se concentram os esforços para viabilizar a “operação contínua e estável” da planta de etanol celulósico da GranBio, uma vez que é essa a companhia que controla a Bioflex Agroindustrial. “No período compreendido entre janeiro e setembro de 2016, a companhia se dedicou a implementação de ajustes em equipamentos e processos produtivos com foco em obtenção de estabilidade operacional até então não atingida”, afirma o relatório, justificando a parada nas atividades da usina.
Segundo o documento, no 4º trimestre de 2016, a BioEdge iniciou os testes de produção e estabilidade, que continuaram no 1º trimestre de 2017. Além disso, a companhia também afirmou que pretende realizar o escalonamento gradativo da produção de etanol celulósico com estabilidade operacional e produção em escala comercial ainda ao longo de 2017.
Ao final de 2016, os estoques de etanol celulósico da companhia foram calculados em R$ 4,54 milhões. O valor é 137,7% superior ao visto no ano anterior.

Contudo, o produto não consta como uma fonte das receitas do grupo. De acordo com o relatório financeiro, a receita da GranBio Investimentos em 2016 foi formada por venda de cana-de-açúcar, locação de equipamentos, prestação de serviços (consultoria e apoio em pesquisa) e revenda de produtos. Por ‘revenda de produtos’, a companhia entende a receita operacional da BioFlex Agroindustrial com venda de produtos químicos e palha de cana – sem menção ao E2G.
Por sua vez, o valor da palha de cana-de-açúcar armazenada pela BioFlex Agroindustrial era de R$ 8,46 milhões em 31 de dezembro de 2016. O montante é 43,8% inferior aos R$ 15,07 milhões vistos nos mesmo período do ano anterior.
No último bimestre de 2015, a GranBio registrou dois incêndios em seu estoque de palha, contudo, o incidente de maiores proporções foi visto em janeiro de 2016, quando aproximadamente 90% do estoque da empresa foi atingido.
Perfil da dívida
Em 31 de dezembro de 2016, a dívida da GranBio Investimentos com empréstimos e financiamentos totalizava R$ 603,72 milhões. O montante é 5,8% inferior aos R$ 640,71 milhões vistos ao final do ano anterior.

Desse total, 87,2% é referente a débitos com vencimentos de longo prazo, ou seja, a partir de 2018. Assim sendo, a companhia possui empréstimos e financiamentos no valor de R$ 77,33 milhões que apresentam vencimento ao longo de 2017. Segundo o cronograma de amortização divulgado pela companhia, a meta é liquidar todo esse valor ao longo do ano. Além disso, para 2018, o encargo ficaria ainda maior – R$ 148,87 milhões.

As dívidas da GranBio Investimentos – tanto as de curto quanto as de médio e longo prazo – estão divididas em três diferentes taxações. A companhia explica que os valores indexados ao Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) são referentes a um empréstimo ponte até a liberação total das linhas de crédito de longo prazo contratadas para a construção de unidade produtora de etanol celulósico e para capital de giro.

Já a parcela do endividamento a juro pré-fixado se refere a contratos de financiamento de longo prazo junto ao BNDES e ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para a construção da usina de etanol celulósico e a aquisição de máquinas agrícolas para a colheita de matéria-prima. Nesse montante também há um valor referente a um financiamento de longo prazo junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para inovação.
Por fim, o financiamento indexado à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) foi tomado junto ao BNDES para a construção da unidade e à Finep para o projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de Biomassa, Bioquímicos e Biocombustíveis.
Renata Bossle – NovaCana