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Governo aposta em 5 novas usinas no Brasil até 2016

usina iluminada 270914Depois de receber muitas críticas, documento divulgado pelo governo neste mês reduziu o número de novas usinas que devem ser instaladas no Brasil. Ainda assim, o novo cenário vislumbrado pelo governo indica a instalação de cinco novas usinas até 2016

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Depois de receber muitas críticas, documento divulgado pelo governo neste mês reduziu o número de novas usinas que devem ser instaladas no Brasil. Ainda assim, o novo cenário vislumbrado pelo governo indica a instalação de cinco novas usinas até 2016, três mistas e duas destilarias.

Apesar do histórico ruim de acerto do governo em seus cenários, desta vez o documento quer passar segurança e afirma que os investimentos para expansão da capacidade podem ser identificados com razoável precisão.

Além disso, 24 novos projetos já estariam com detalhes definidos (veja ao final mapa com a localização dessas novas usinas e das cinco em implantação).

E ainda, nesta reportagem:

- A capacidade de moagem e a taxa de ocupação atual das usinas

- As ampliações esperadas das usinas em funcionamento e o resultado de um levantamento sobre a intenção de ampliação

- Os custos de construção de uma usina mista e destilaria por tonelada de cana

O governo reduziu as projeções de ampliação do parque sucroenergético no novo Plano Decenal de Energia (PDE), mas os investimentos continuam significativos e incertos para o atual momento do setor. O trabalho é realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME).

O documento, elaborado anualmente, serve de referência para o planejamento da matriz energética nacional. Em sua versão anterior, o PDE 2022, se previa a instalação de nove unidades somente entre 2013 e 2015, avaliação que ficou longe de se concretizar. Na edição atual, para o curto prazo, período de 2014 a 2016, estimou-se a instalação de apenas cinco unidades.

Para a segunda fase do decênio, de 2017 a 2023, a EPE frisa que “incertezas do mercado de etanol e de açúcar impedem uma quantificação precisa”.

Cinco usinas em dois anos

Cinco novas unidades produtoras devem ser implantadas até 2016, três usinas mistas e duas destilarias. A capacidade nominal de moagem destas unidades seria de aproximadamente 13 milhões de toneladas de cana, que apenas estaria plenamente ocupada dentro de quatro anos, em média. Esta expansão do parque não neutralizaria o efeito da perda de capacidade com o fechamento e paralisação da operação de unidades.

Na avaliação do PDE 2023, o modesto interesse em novos empreendimentos é reflexo da desaceleração do crescimento do setor sucroenergético após a crise global de crédito em 2008 e 2009. Não há menções sobre a política econômica de controle do preço da gasolina que restringe a competitividade do etanol.

A partir de dados da Conab, a EPE estima que a capacidade atual de moagem de cana do Brasil seja de cerca de 745 milhões de toneladas, correspondente às 389 usinas em operação registradas no MAPA. Com a restrição da oferta de cana, o documento avalia que a taxa de utilização atual está em torno de 87%.

“A ociosidade da capacidade instalada atual, juntamente com a implantação de projetos greenfield entre 2014 e 2016, possibilitará a moagem adicional de aproximadamente 100 milhões de toneladas de cana, implantada de modo escalonado. Em termos de área colhida, isto representa, aproximadamente, 1 milhão de hectares de área de expansão”, projeta o documento.

Considerando que a avaliação se dá sobre o resultado da safra 2013/14 (de 659 milhões de toneladas), isso significa que o teto para a moagem brasileira nos próximos três anos será de 750 milhões de toneladas. Isso com a condição de que os cinco projetos realmente sejam executados e desde que não haja o fechamento de mais unidades.

A EPE indica segurança sobre a projeção de greenfields para os próximos dois anos, período em que afirma “os investimentos para expansão da capacidade podem ser identificados com razoável precisão”, já que o tempo médio para construção e partida de uma usina é de três anos.

Após este período a segurança diminui e “incertezas do mercado de etanol e de açúcar impedem uma quantificação precisa da expansão da capacidade industrial do setor através de unidades greenfield”, ressalva o documento.

Horizonte de incertezas: 2017 a 2023

Para o período a partir de 2017 o PDE deixa implícito que única certeza sobre a expansão do setor é a dúvida. O cenário entre 2017 e 2023 está sujeito à alterações que possam ocorrer no curto prazo, como eventuais mudanças na política nacional para combustíveis e, em menor proporção, no mercado internacional de açúcar.

Com as informações atuais de mercado, para o período entre 2017 e 2023, a EPE considera a implantação de 13 unidades, cada uma com capacidade média de 4 milhões de toneladas de cana por safra. Nessa segunda fase do decênio, a expansão da capacidade de moagem da indústria sucroenergética com greenfields seria de cerca de 52 milhões de toneladas. A estimativa prevê dez novas usinas com produção mista de etanol e açúcar e três destilarias.

Levantamento já identificou 29 unidades com planos para a expansão da capacidade instalada. Combinados estes projetos ampliarão a moagem de cana em cerca de 40 milhões de toneladas.

Em relação às usinas já existentes, o Plano acredita na expansão da capacidade instalada em cerca de 84 milhões de toneladas para que se atenda à necessidade de produção de etanol carburante em 2023. Pouco menos da metade desta expansão estaria atualmente sendo esboçada pelos usineiros. Segundo o documento, em um levantamento realizado no setor, já identificaram-se 29 unidades com planos para a expansão da capacidade instalada. Combinados os projetos de ampliação chegam a cerca de 40 milhões de toneladas.

Somadas as capacidade previstas com a implantação de novas unidades, na primeira e na segunda etapas do decênio, mais a estimativa de ampliação das instalações existentes, seriam agregados ao parque sucroenergético brasileiro uma capacidade de moagem de 149 milhões de toneladas de cana, no horizonte de dez anos. O volume representa um aumento de 20% da capacidade atual.

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Como a maioria dos novos projetos está previsto para a implementação na região da nova fronteira da cana, a EPE prevê que o movimento de expansão para a região central do país motiva a implantação de novos projetos de logística para o etanol.

A respeito da implantação dos projetos, a empresa vinculada ao MME afirma que “a construção destas novas usinas pode ser perfeitamente atendida pela indústria de base brasileira, que tem capacidade de fornecer equipamentos e recursos necessários à expansão prevista do setor”. O documento reforça ainda que “após a análise das unidades do setor, estratificadas por data de implantação e capacidade média, estimou-se que essa expansão da indústria é plausível”.

“Após a análise das unidades do setor, estratificadas por data de implantação e capacidade média, estimou-se que essa expansão da indústria é plausível”

Com a evolução das instalações na primeira fase do decênio, 2014 a 2016, a oferta de etanol sairá de 27,3 bilhões de litros em 2014, atingindo 37,6 bilhões de litros em 2018. A partir de 2019, estima-se o retorno dos investimentos na implantação de novas unidades e, com isso, a produção deverá atingir 47,8 bilhões de litros em 2023.

Além disso, a EPE admite que “será necessário realizar importações ocasionais de etanol anidro para atender a demanda esperada”. A média dos volumes importados no período decenal foi de 500 milhões de litros ao ano.

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R$ 75 bilhões em investimentos

Para a expansão da capacidade de produção prevista no decênio serão necessários R$ 75 bilhões.  A cifra inclui a construção de 18 projetos – 13 unidades mistas e cinco destilarias –, mais as ampliações das unidades existentes. Dessa forma, os investimentos deverão ser da ordem de R$ 48 bilhões para novas unidades e de R$ 26,7 bilhões referentes às expansões.

Para a construção de uma nova unidade de produção mista, o custo industrial médio por tonelada de cana é estimado em R$ 353,30. No caso das destilarias, o custo médio por tonelada cai para R$ 318,20. Os valores já incluem o investimento em cogeração, equipamentos agrícolas e custos pré-operacionais.

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No campo, para manutenção e renovação da atual área plantada e ainda ampliação dos canaviais, devem ser investidos mais R$ 95 bilhões ao longo dos próximos dez anos. Para a estimativa, o PDE utilizou estudos do Pecege que revelam os custos para a formação do canavial e tratos culturais da cana soca nas três regiões de cultivo da cana do país. Foi considerada também a evolução da produtividade do canavial que terá influência em parte dos custos.

As apostas do Governo Federal em relação aos indicadores agrícolas e a evolução de outros indicadores industriais estão resumidas na reportagem: Governo Federal explica como a produção de etanol vai quase dobrar no Brasil.

O documento completo com a previsão da EPE para todo setor energético brasileiro pode ser acessado aqui (.pdf 12,5mb — 433 páginas). 

Comentários e sugestões podem ser enviados para o governo até o dia 05 de outubro pelo e-mail pde2023@mme.gov.br

Amanda SchArr – NovaCana

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