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Após gastar mais de U$ 750 milhões, BP leiloa ativos de etanol celulósico

bp 220115Entre os “itens” da “vitrine”, estão um laboratório mundial de pesquisa em biocombustíveis, mais de 50 variedades de cana-energia e uma planta demo de etanol 2G, com capacidade para produzir 5,2 milhões de litros de etanol por ano

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Após investir mais de U$ 750 milhões em um extenso portfólio de produtos e tecnologias voltadas à produção de etanol celulósico, a britânica BP desistiu da sua tentativa de aprimorar o processo e resolveu colocar a venda seus ativos de etanol de segunda geração.

O “pacote” inclui um portfólio de ativos invejável.

Veja a seguir mais sobre a desistência da BP, os detalhes dos ativos a serem leiloados, como será o processo de negociação e as pesquisas com a cana-energia.

Após investir mais de U$ 750 milhões em um extenso portfólio de produtos e tecnologias voltadas à produção de etanol celulósico, a britânica BP desistiu da sua tentativa de aprimorar o processo e resolveu colocar a venda seus ativos de etanol de segunda geração.

O “pacote” inclui um portfólio de ativos invejável: um conjunto de cepas fúngicas modificadas geneticamente, que produzem enzimas capazes de converter a biomassa em açúcares fermentáveis; um centro de tecnologia em biocombustíveis, 3.500 hectares de fazendas com gramíneas de alto teor de biomassa, mais de 50 variedades de cana-energia, além de uma planta de demonstração com capacidade para produzir 5,2 milhões de litros de etanol, localizada em Jennings, no estado da Louisiana, um importante polo produtor de cana-de-açúcar.

Antes de anunciar a venda dos ativos, a BP disse que a decisão de “descontinuar as atividades” era resultado de um “ambiente externo de negócios desafiador”, que gerou “escolhas estratégicas difíceis” a serem feitas em diferentes áreas de negócios da empresa.

Na época, a decisão de interromper os investimentos em etanol celulósico incluía “algumas atividades no Brasil”. Segundo apurou o portal NovaCana, estas atividades diziam respeito a um escritório e a um projeto, ainda em fase inicial, para a construção de uma planta comercial de E2G no país, o qual nunca chegou a sair do papel.

Por email, de Londres, um porta-voz da BP disse que “estes poucos ativos, de pesquisa e desenvolvimento, não farão mais parte do negócio” e que, portanto, não estão inclusos no “pacote”. Mesmo assim, chama a atenção a quantidade de tecnologias e os mais cinco anos de pesquisa colocados a venda.

Num documento destinado a investidores, a BP deu detalhes sobre o que considera “uma oportunidade de investimento em etanol celulósico”. A negociação será aberta em 26 de janeiro em uma “sala virtual” e deverá ser concluída no final de junho. Os ativos poderão ser negociados em partes ou em sua totalidade.

Os ativos

Localizados em quatro estados - Califórnia, Texas, Louisiana e Flórida – os ativos de segunda geração incluem desde fazendas com 3.500 hectares, com gramíneas de alta biomassa, como a cana-energia, à pacotes enzimáticos e bibliotecas de genes.

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O pacote de ativos é variado e composto, basicamente, por rotas tecnológicas próprias e um extenso material de pesquisa.

No centro mundial de tecnologia em biocombustíveis, por exemplo, as pesquisas concentram-se no estudo de enzimas, leveduras e processos tecnológicos. O centro de pesquisas conta, ainda, com laboratórios de fermentação em pequena escala, e um laboratório piloto com capacidade para até 500 litros.

Também chama a atenção o extenso patrimônio genético colocado à venda pela petroleira inglesa. No documento, a BP informa que dispõe de milhares de “bibliotecas de genes”, construídas a partir de amostras microbiais de DNA colhidas em diferentes partes do mundo. Embora o simples acesso a este gigantesco patrimônio genético não signifique, necessariamente, a garantia de enzimas mais ágeis e “baratas”, capazes de diminuir o custo de produção do biocombustível e o capex a ele associado, a BP argumenta que a identificação destes materiais permite a “descoberta de novas enzimas, com propriedades únicas”.

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A exemplo de quase tudo que está na “vitrine”, no documento, a BP apresenta um “pacote enzimático” que desenvolveu com tecnologia própria. São cepas fúngicas “competitivas”, feitas a partir de organismos geneticamente modificados (OMGs), e a partir, também, de materiais que não sofreram alterações genéticas, que produzem enzimas capazes de converter a biomassa em açúcares fermentáveis.

“Altas taxas de sacarificação, alta produtividade e alta eficiência enzimática” são alguns dos adjetivos usados pela BP para descrever o pacote de tecnologias, que conta ainda com um conjunto de nutrientes e um processo de produção de enzimas de “custo competitivo”.

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Além de uma planta de demonstração de etanol 2G em Jennings, na Louisiana (veja detalhes abaixo), a BP também colocou a venda milhares de hectares de terra com diferentes tipos de gramíneas, como a cana-energia.

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Vista com bons olhos por empresas como a GranBio, a cana-energia, ou, as pesquisas à ela associadas, também faz parte da lista de “ativos” negociados pela BP.

“A BP desenvolveu um extensivo know-how sobre a produção da cana-energia a partir de testes e plantações comerciais ao redor da costa do Golfo, nos Estados Unidos”, disse a petroleira.

A BP acrescentou que estão disponíveis, ainda, os “resultados e a interpretação de uma variedade de testes agronômicos replicados na Flórida, na Louisiana no Texas”, além de uma coleção de mais de 50 variedades de cana-energia, obtidas em testes de campo.

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Processo de venda

A negociação dos ativos terá início em 26 de janeiro, em uma “sala virtual”, e será dividida em duas fases.

A primeira ocorrerá entre os dias 2 e 13 de março. Após este período, a “BP poderá, a seu critério, selecionar interessados para participar da segunda etapa do processo de leilão”. A data final para o anúncio de uma oferta por parte dos investidores selecionados é 15 de abril, enquanto que a data prevista a venda final dos ativos é 30 de junho.

Um documento inicial, com dados sobre os ativos disponíveis para a venda, pode ser encontrado aqui.

Materiais adicionais, como sumário executivo dos itens a venda, dados financeiros, documentação, operações, ativos de propriedade intelectual, entre outros, serão disponibilizados pela BP mediante a assinatura e a entrega do Acordo de Confidencialidade, disponível aqui.

Em caso de dúvida, a BP orienta potenciais investidores a contatar o gerente de projetos de fusões e aquisições, Malcolm Coleman ou o gerente comercial Patrick Vagner. Os seus respectivos telefones são +1 (281) 366-3952 e +1 (510) 809-7654.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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