Consultoria estima o tamanho do estrago causado pelas políticas do governo e apresenta soluções para os combustíveis líquidos e a eletricidadeCada vez ficam mais visíveis as distorções criadas pelo governo com suas políticas públicas. Esta é a avaliação da Datagro, que alerta para os estragos que fazem o futuro ser preocupante.
Em uma análise divulgada recentemente, o presidente da consultoria, Plinio Nastari, avalia as ações do governo, mas vai além do lugar-comum ao apresentar o tamanho do buraco caso a política de incentivo à gasolina continue e oferece soluções ao setor sucroenergético.
Além de prejudicar a geração de caixa da já endividada Petrobras, que tem dificuldades para cumprir seu plano de investimentos, o efeito colateral da política de incentivo à gasolina tem sido o prejuízo e desestímulo ao setor canavieiro e sucroenergético, diz Nastari.
Segundo estimativas da Datagro, na semana de 1º a 9 de maio, a defasagem da gasolina era de 18,50% entre o preço do combustível FOB Golfo dos EUA e o preço médio nas refinarias brasileiras, sem contar gastos com frete, seguro e despesas de descarga do combustível importado.
Não é novidade que a redução da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) a zero, decisão amplamente criticada pelo setor, contribuiu para que o etanol se tornasse menos competitivo em relação à gasolina.
Contudo, se fosse mantido, o tributo, corrigido pelo Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna (IGP-DI), equivaleria em julho de 2008 a R$ 0,74/litro e a R$ 0,40/litro em abril de 2008. Valores que, na avaliação de Nastari, seriam "mais que suficientes, juntamente ao preço de mercado da gasolina, para mudar completamente a realidade de remuneração, estímulo à inovação e investimentos no setor de etanol".
Nas contas do presidente da Datagro, se os produtores tivessem recebido pelo etanol anidro que é misturado à gasolina o mesmo valor gasto com a importação de gasolina, eles teriam, nos últimos dois anos, entre março de 2012 e março de 2014, uma renda R$ 5,45 bilhões maior.
Sozinho, o bagaço da cana teria hoje condições de oferecer ao sistema interligado 7,81GW, mas em 2013 forneceu apenas 1,72GW médio de potência.
O executivo estima que o atual déficit de 3,2GW seria facilmente suprido com a geração de eletricidade da cana, caso investimentos tivessem sido realizados. "Estima-se que cada 1 GW de potência instalada em cogeração de resíduos de cana economize até 4% da água nas represas da região Sul-Sudeste. No momento em que é aflitiva a situação dos reservatórios de água, faz muita falta essa energia potencial não aproveitada", observa.
Parece contraditório, mas a medida em que a frota flex aumenta, a participação da gasolina na matriz energética só cresce. "No ritmo atual de vendas, em 2020, a frota flex vai representar 85,2% da frota total e, em 2024, 92,5%. Isso significa que existe uma demanda potencial por etanol muito grande, caso condições propícias de competitividade sejam enxergadas pelos consumidores", analisa Nastari.
A Datagro estima que nos próximos seis anos, até 2020, é esperado que o consumo de combustíveis do ciclo Otto passe dos 49 bilhões de litros registrados em 2013 para 67,5 bilhões de litros.
Mesmo que apenas 20% da frota flex utilize o etanol hidratado em 2020, o consumo total do combustível de cana chegaria a 32,8 bilhões de litros, um volume difícil de se materializar em apenas um ciclo de cultivo de cana, diz Nastari.
O executivo vai ainda mais longe ao projetar que, caso mantida a produção atual de gasolina neste mesmo cenário, o Brasil precisaria importar cerca de 11,5 bilhões de litros de gasolina, que, a preços de 2014, iriam custar ao país US$ 9,24 bilhões por ano. "Para um cenário de 30% da frota flex usando etanol em 2020, o consumo de etanol alcançaria 40,75 bilhões de litros e a importação de gasolina seria de 6,5 bilhões de litros por ano, custando US$ 5,22 bilhões por ano", compara.
Passado o período das eleições, Nastari espera que correções sejam implementadas para reduzir, ainda que parcialmente, os problemas que afetam a indústria canavieira.
Se acontecer, "ficará claro que o setor da cana, açúcar e etanol é novamente a solução para resolver a dependência por importação de gasolina e pode ser uma das poucas soluções em tempo para aumentar a oferta de eletricidade", concluiu o presidente da consultoria.
Leonardo Siqueira – NovaCana
Em uma análise divulgada recentemente, o presidente da consultoria, Plinio Nastari, avalia as ações do governo, mas vai além do lugar-comum ao apresentar o tamanho do buraco caso a política de incentivo à gasolina continue e oferece soluções ao setor sucroenergético.
Além de prejudicar a geração de caixa da já endividada Petrobras, que tem dificuldades para cumprir seu plano de investimentos, o efeito colateral da política de incentivo à gasolina tem sido o prejuízo e desestímulo ao setor canavieiro e sucroenergético, diz Nastari.
Segundo estimativas da Datagro, na semana de 1º a 9 de maio, a defasagem da gasolina era de 18,50% entre o preço do combustível FOB Golfo dos EUA e o preço médio nas refinarias brasileiras, sem contar gastos com frete, seguro e despesas de descarga do combustível importado.
Não é novidade que a redução da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) a zero, decisão amplamente criticada pelo setor, contribuiu para que o etanol se tornasse menos competitivo em relação à gasolina.
Contudo, se fosse mantido, o tributo, corrigido pelo Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna (IGP-DI), equivaleria em julho de 2008 a R$ 0,74/litro e a R$ 0,40/litro em abril de 2008. Valores que, na avaliação de Nastari, seriam "mais que suficientes, juntamente ao preço de mercado da gasolina, para mudar completamente a realidade de remuneração, estímulo à inovação e investimentos no setor de etanol".
Nas contas do presidente da Datagro, se os produtores tivessem recebido pelo etanol anidro que é misturado à gasolina o mesmo valor gasto com a importação de gasolina, eles teriam, nos últimos dois anos, entre março de 2012 e março de 2014, uma renda R$ 5,45 bilhões maior.
Bioeletricidade
Outro ponto levantado por Nastari é a falta de incentivo à cogeração. Segundo ele, os leilões por modicidade colocaram em base iguais fontes de energia que foram diferenciadas por muito tempo. "[Foi] tempo suficiente para estancar os investimentos em energia de biomassa por meio do bagaço e palha da cana", diz.Sozinho, o bagaço da cana teria hoje condições de oferecer ao sistema interligado 7,81GW, mas em 2013 forneceu apenas 1,72GW médio de potência.
O executivo estima que o atual déficit de 3,2GW seria facilmente suprido com a geração de eletricidade da cana, caso investimentos tivessem sido realizados. "Estima-se que cada 1 GW de potência instalada em cogeração de resíduos de cana economize até 4% da água nas represas da região Sul-Sudeste. No momento em que é aflitiva a situação dos reservatórios de água, faz muita falta essa energia potencial não aproveitada", observa.
Consumo em alta
Ao mesmo tempo que a indústria sucroalcooleira perde oportunidades por não poder competir com a gasolina subsidiada pelo governo, o consumo de combustível - gasolina mais etanol - cresce. Só que na direção do combustível fóssil, embora a sua produção interna tenha aumentado de 18,58 bilhões de litros para 28,61 bilhões entre 2000 e 2013, estima a Datagro.Parece contraditório, mas a medida em que a frota flex aumenta, a participação da gasolina na matriz energética só cresce. "No ritmo atual de vendas, em 2020, a frota flex vai representar 85,2% da frota total e, em 2024, 92,5%. Isso significa que existe uma demanda potencial por etanol muito grande, caso condições propícias de competitividade sejam enxergadas pelos consumidores", analisa Nastari.
A Datagro estima que nos próximos seis anos, até 2020, é esperado que o consumo de combustíveis do ciclo Otto passe dos 49 bilhões de litros registrados em 2013 para 67,5 bilhões de litros.
Mesmo que apenas 20% da frota flex utilize o etanol hidratado em 2020, o consumo total do combustível de cana chegaria a 32,8 bilhões de litros, um volume difícil de se materializar em apenas um ciclo de cultivo de cana, diz Nastari.
O executivo vai ainda mais longe ao projetar que, caso mantida a produção atual de gasolina neste mesmo cenário, o Brasil precisaria importar cerca de 11,5 bilhões de litros de gasolina, que, a preços de 2014, iriam custar ao país US$ 9,24 bilhões por ano. "Para um cenário de 30% da frota flex usando etanol em 2020, o consumo de etanol alcançaria 40,75 bilhões de litros e a importação de gasolina seria de 6,5 bilhões de litros por ano, custando US$ 5,22 bilhões por ano", compara.
Passado o período das eleições, Nastari espera que correções sejam implementadas para reduzir, ainda que parcialmente, os problemas que afetam a indústria canavieira.
Se acontecer, "ficará claro que o setor da cana, açúcar e etanol é novamente a solução para resolver a dependência por importação de gasolina e pode ser uma das poucas soluções em tempo para aumentar a oferta de eletricidade", concluiu o presidente da consultoria.
Leonardo Siqueira – NovaCana