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O futuro da frota de carros flex no Brasil e a penetração dos híbridos

motor total flex 110615O preço da gasolina é essencial para determinar o mercado de etanol no Brasil. Mas esta máxima só é verdadeira em razão da frota de veículos flex fuel rodando no país

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O preço da gasolina é essencial para determinar o mercado de etanol no Brasil. Mas esta máxima só é verdadeira em razão da frota de veículos flex fuel rodando no país. Assim, para quem deseja pensar o mercado nos próximos dez anos, é importante considerar como se desenvolverá a frota de veículos leves no país.

Nesta conta, feita pelo governo federal, foi considerada e o desenvolvimento de motores mais eficientes e a penetração de tecnologias concorrentes do flex fuel, que, apesar de novas, possuem estímulos oficiais para se desenvolverem.

A seguir o NovaCana apresenta a expectativa para os próximos dez anos dos tipos de veículos que estarão nas estradas brasileiras:

- Mapa de penetração de novas tecnologias

- Perfil da frota de veículos leves por combustível

- Demanda total de energia para veículos leves do ciclo Otto (em gasolina equivalente)

Além de considerar a acirrada concorrência com a gasolina, o setor sucroenergético precisa estar atento às tendências de consumo de automóveis e veículos comerciais leves. Para quem deseja pensar os próximos dez anos, é preciso também colocar na conta os veículos híbridos e os motores mais eficientes. Afinal, por mais que eles representem uma parcela pequena do mercado, o setor nacional é conhecido por seu caráter de pioneirismo.

Elaborado pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), a partir de diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME), o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024) analisou a demanda de etanol e gasolina dentro de uma perspectiva que vai de 2015 a 2024. Segundo o documento, além do cenário econômico, foram observados aspectos relacionados ao licenciamento de veículos leves, à oferta interna de etanol, ao preço doméstico da gasolina e à preferência do consumidor entre gasolina e etanol no abastecimento de veículos flex.

De acordo com os dados apresentados, no último ano, o Brasil contava com 3,3 milhões de automóveis licenciados. A estimativa é que, ao longo da próxima década, o número de veículos leves tenha um crescimento anual de 3,4%, alcançando 4,7 milhões de unidades em 2024.

Em um dado bastante similar, a frota nacional como um todo deve crescer 3,8% ao ano, atingindo a marca de 54 milhões de unidades entre automóveis e veículos comerciais leves. Nesse contexto, os veículos flex a combustão interna devem representar, em 2024, 79% desta frota, correspondendo a um total de 42,7 milhões de unidades.

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Veículos híbridos terão crescimento lento

A previsão da EPE é que a maior parte da venda de automóveis seja de veículos flex. No entanto, também deve crescer a frota de veículos híbridos (que possuem um motor elétrico e outro habitualmente a gasolina) do tipo sem plug in (recarga na tomada), os quais têm capacidade de até três litros no motor a combustão de cilindrada.

Atualmente, esses modelos representam 0,09% dos licenciamentos, mas a previsão é que sua participação no mercado seja multiplicada algumas vezes até o final da década, passando para 2% de representatividade dos veículos novos já em 2020. Os modelos contam com incentivo do governo federal que proporciona a redução de 35% no imposto de importação, benefício que não é oferecido para os modelos com plug in.

“Considerando a permanência de dificuldades de viabilidade técnico-econômica e a escassez de incentivos governamentais, admite-se que os veículos híbridos (não plug in) continuarão aumentando sua participação de forma progressiva no mercado brasileiro, porém lenta”, aponta o relatório.

A expectativa exposta no PDE aponta que os veículos híbridos devem representar até 4,6% dos licenciamentos em 2024. Além disso, espera-se que, até 2017, a maior parte desses automóveis seja importada e com motor a gasolina. A partir de 2018, os híbridos importados passariam a dividir espaço com veículos produzidos dentro do país – e dotados da tecnologia flex.

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Maior eficiência será estimulada por novas tecnologias

Outro aspecto que deve alterar o perfil do consumo de combustíveis até 2024 é a evolução da eficiência veicular. O EPE espera que esse índice seja de 1% ao ano para os veículos novos, já contando com o impulso do programa Inovar-Auto. Isso será possível, segundo o documento, pela entrada de novas tecnologias, como o start-stop, pelo uso de materiais mais leves e por melhorias no sistema de propulsão.

Vale notar que a preferência do consumidor entre etanol e gasolina é variável de acordo com o preço relativo dos combustíveis. O relatório, contudo, não fez projeções desses valores, apresentando seus números em gasolina equivalente. Também foi considerado que o teor de etanol anidro adicionado à gasolina permanecerá em 27% durante todo o período analisado.

Projeções de consumo: etanol crescerá mais que gasolina

Assim, para o período de 2014 a 2024, foi estimado um crescimento de 2,3% ao ano na demanda de combustíveis para a frota total de veículos leves do Ciclo Otto, expressa em de gasolina equivalente.

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Para o atendimento total da demanda de combustíveis do ciclo Otto, o EPE considera que existirá um crescimento da demanda de etanol hidratado em uma taxa de 6,8% ao ano. Em 2014, a demanda nacional alcançou 14 bilhões de litros, sendo que seu volume em 2024 deverá atingir 27 bilhões de litros.

Por sua vez, a projeção da demanda de etanol anidro é calculada a partir da demanda de gasolina C e do teor de anidro pré-estabelecido. No ano passado, o consumo foi de 11 bilhões de litros, considerando-se o teor obrigatório de 25%.

No entanto, para o ano de 2015, foi considerado um percentual em valores entre 25% e 27% e, para o restante do período decenal, assumiu-se que o teor de anidro na gasolina será mantido em 27%. Assim, para o período de 2014 a 2024, o esperado é uma taxa média de crescimento de 1,9% ao ano. Em 2024, portanto, a demanda de etanol anidro deve atingir o valor de 13 bilhões de litros.

Esses números são bem superiores ao aumento esperado para a gasolina A (sem adição de etanol), que registrou uma demanda de 33 bilhões de litros em 2014. A expectativa é que, em 2024, o volume deste combustível atinja 36 bilhões de litros, o que representa taxa média de crescimento no período de 0,7% ao ano.

Já com relação à gasolina C (com adição de etanol) foi projetado um aumento de 1% ao ano. Dessa forma, o consumo passará de 44 bilhões de litros em 2014 para 49 bilhões de litros no final do período.

O PDE 2024 na íntegra está disponível aqui.

Renata Bossle – NovaCana

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