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Anfavea teme volta de cotas de importação de veículos e cobra compromisso de governo

Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve decidir amanhã se volta a liberar cotas para compras do exterior de híbridos e elétricos


Agência Estado - Publicado: 22 Jun 2026 - 10:08

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) vai cobrar que o governo cumpra os compromissos que respaldaram os investimentos de mais de R$ 140 bilhões anunciados pela indústria de veículos até 2033.

A pressão se deve à possibilidade de a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidir amanhã, 23, se volta a liberar cotas para a importação de carros híbridos e elétricos.

O benefício das cotas expirou em janeiro e desde então a montadora chinesa BYD cobra a sua renovação. Se o pedido for aceito, a marca voltará a trazer da China, sem alíquotas de importação, os carros que têm a produção finalizada na fábrica de Camaçari, na Bahia.

A BYD também quer adiar a volta, prevista para julho, da alíquota cheia (35%) na importação de automóveis montados.

A Anfavea defende a manutenção do cronograma de recomposição tarifária, sem postergações, assim como o fim definitivo das cotas.

Por outro lado, em entrevista publicada pela Broadcast em 17 de março, o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, disse que os benefícios para a importação de carros da China foram pactuados com o governo para viabilizar os investimentos em Camaçari.

Segundo a Anfavea, alterar as regras na etapa final de sua implementação compromete a confiança de quem investiu com base nelas.

“Mais do que volumes de produção, está em jogo a capacidade de o Brasil preservar investimentos, ampliar sua competitividade e consolidar-se como polo de engenharia, inovação e desenvolvimento da nova mobilidade”, sustenta a entidade na carta aberta.

Tanto a elevação do imposto cobrado na importação de carros prontos quanto o fim das cotas são, segundo a Anfavea, compromissos assumidos pelo governo federal com os fabricantes.

“Manter as medidas tal como foram anunciadas é assegurar a previsibilidade e a estabilidade das regras sobre as quais o setor automotivo decidiu investir no país”, frisa a associação das montadoras.

Eduardo Laguna