Cogeração de energia

Cogeração de energia

Albioma faz acordo com usina Vale do Paraná e investirá R$ 100 milhões em projeto de cogeração

A Albioma terá 40% do capital de uma empresa que administrará a central de cogeração de Vale do Paraná, filial do grupo Pantaleon


Agence France-Presse - Publicado: 30 Mai 2016 - 09:34 | Atualizado: 31 Mai 2016 - 09:44

A empresa francesa Albioma, produtora de energia elétrica a partir do bagaço de cana-de-açúcar, anunciou nesta segunda-feira o lançamento de seu terceiro projeto no Brasil, com o desenvolvimento de uma nova central de geração no estado de São Paulo.

A Albioma terá 40% do capital de uma empresa que será proprietária e administrará a central de cogeração de Vale do Paraná. O investimento está avaliado em quase 100 milhões de reais (27,7 milhões de dólares, 24,9 milhões de euros), destacou a empresa francesa em um comunicado.

Segundo o Valor Econômico, aproximadamente 80% do investimento será destinado à ampliação de capacidade da indústria. Para isso, o plano é modernizar a caldeira atual para que ela possa operar com uma pressão maior, substituir o gerador existente para que suporte maior pressão e adquirir um novo gerador, também apropriado para operar sob alta pressão. Os outros 20% do aporte serão direcionados à construção de linhas de transmissão para a conexão da usina com o sistema interligado nacional (SIN) que deverão percorrer 20 quilômetros.

A Vale do Paraná, uma usina com capacidade anual de moagem de 2 milhões de toneladas de cana e é uma subsidiária de dois grupos sucroenergético: Pantaleon, principal produtor da América Central (capacidade de moagem de 13 milhões de toneladas de cana) com sede na Guatemala; e Manuelita, uma das principais empresas agroindustriais da Colômbia (capacidade de moagem de 4,5 milhões de toneladas de cana na Colômbia e no Peru).

Juntas, a Albioma e a Vale do Paraná irão constituir uma empresa que será proprietária e operadora da usina de cogeração do Vale do Paraná. Esta joint venture irá realizar uma ampliação, elevando a potência da instalação de 16 para 48 MW, dos quais 30 MW serão exportados para o Sistema Interligado Nacional. Esta central de 48 megawatts, que deve começar a operar em 2021, utilizará resíduos de cana-de-açúcar como fonte de energia.

"Este projeto se inclui perfeitamente na estratégia de desenvolvimento da Albioma no Brasil", disse Jacques Pétry, conselheiro delegado da empresa.

Venda garantida

A Albioma afirma que o projeto é rentável porque 80% das vendas da produção de energia elétrica esperada estão "asseguradas a longo prazo a uma tarifa elevada". Isso acontece porque a Vale do Paraná participou com sucesso do último leilão de energia (leilão A-5), garantindo a venda no mercado regulado de 80% da produção de energia elétrica prevista.

Assim, 120 GWh/ano foram vendidos, por 25 anos a contar de 1º de janeiro de 2021, ao preço historicamente elevado de 245,2 Reais/MWh (base 2016) indexado pela inflação, o que assegura a rentabilidade do projeto. Além disso, a expectativa da empresa é que os demais 20% que a planta terá capacidade de exportar ao sistema (aproximadamente 29 GWh ao ano) serão vendidos no mercado livre.

Conforme noticiado pelo Valor Econômico, a Albioma e a Vale do Paraná esperam que o BNDES financie uma parte do investimento, uma vez que o projeto tornou-se elegível após vencer o leilão de energia.

Outros projetos

Para a Albioma, a entrada no negócio de cogeração na usina Vale do Paraná representa o maior passo dado pelo grupo francês em direção à sua meta de deter uma capacidade instalada no Brasil de 600 MW até 2024.

No ano passado, a Albioma adquiriu 65% do capital da empresa Codora Energia, proprietária de uma central de cogeração de 48 megawatts no estado de Goiás. Além disso, em 2014, a empresa havia adquirido por 43 milhões de euros a Rio Pardo Termelétrica, uma central de cogeração em São Paulo que também utiliza resíduos de cana.

Contando com o controle nas unidades de Rio Pardo e na Codora, em parceria com a Jalles Machado, a múlti francesa terá 156 MW de capacidade no país, volume pequeno se comparado aos 750 MW que a companhia tem de potência instalada no mundo atualmente. Segundo o Valor Econômico, os negócios da Albioma no Brasil representam menos de 4% do faturamento do grupo francês, conforme dados divulgados no balanço de 2015.

Com informações adicionais da empresa e do Valor Econômico. Edição novaCana.com