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Flexibilidade e capacidade de estocagem garantem lucro recorde à Adecoagro Brasil

Resultado líquido ficou quase 40% acima do registrado em 2019; vendas externas de açúcar VHP foram destaque

NovaCana 11 min de leitura

Com duas usinas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais, a Adecoagro Brasil reportou bons números em 2020. Inclusive, a companhia teve o melhor resultado líquido da sua história: um lucro de R$ 328,15 milhões.

A afirmação considera o histórico das demonstrações contábeis publicadas no Diário Oficial de São Paulo. A primeira delas, de abril de 2012, é referente aos resultados dos anos civis 2010 e 2011, ainda que a empresa tenha sido criada em 2006.

O desempenho favorável de 2020 também foi 39,48% superior ao do ano anterior, um lucro de R$ 235,25 milhões.

Conforme expresso pela empresa, a Adecoagro adotou medidas para aumentar sua eficiência nas operações e, consequentemente, reduzir custos. Além disso, a companhia utilizou seu “alto potencial” de flexibilização do mix de produção e sua capacidade de adaptação às mudanças do mercado.

Outro ponto citado foi sua alta capacidade de estocagem de etanol. Ela permitiu manter a produção armazenada nos momentos de baixa demanda causados pela pandemia de covid-19 e vendê-la posteriormente, conseguindo melhores preços.

Além disso, a Adecoagro destaca a forte reação dos valores de venda tanto do etanol quanto do açúcar ao longo de 2020. No ano, a commodity atingiu preços históricos considerando a cotação internacional combinada com a desvalorização do real frente ao dólar. Com isso, sua receita total teve um incremento de 6% no comparativo com 2019.

Confira, na versão restrita para assinantes, informações sobre o desempenho da empresa em 2020, gráficos com dados dos últimos cinco anos e informações sobre a produção da Adecoagro Brasil.

Com duas usinas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais, a Adecoagro Brasil reportou bons números em 2020. Inclusive, a companhia teve o melhor resultado líquido da sua história: um lucro de R$ 328,15 milhões.

A afirmação considera o histórico das demonstrações contábeis publicadas no Diário Oficial de São Paulo. A primeira delas, de abril de 2012, é referente aos resultados dos anos civis 2010 e 2011, ainda que a empresa tenha sido criada em 2006.

O desempenho favorável de 2020 também foi 39,48% superior ao do ano anterior, um lucro de R$ 235,25 milhões.

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Os números e apontamentos foram divulgados no último dia 9 e, diferentemente do que ocorre com a maioria das empresas do setor, se referem ao ano civil encerrado em 31 de dezembro e não ao ano-safra concluído em 31 de março.

A Adecoagro Brasil é controlada pela Adecoagro LP SCS, empresa com sede em Luxemburgo, subsidiária direta da Adecoagro S.A. Considerado um dos principais produtores de alimentos e energia renovável da América do Sul, o grupo Adecoagro está presente na Argentina, no Brasil e no Uruguai, atuando com a produção de grãos, arroz, oleaginosas, amendoim, lácteos, açúcar e etanol.

Desempenho operacional favorável

Conforme expresso pela empresa, a Adecoagro Brasil adotou medidas para aumentar sua eficiência nas operações e, consequentemente, reduzir custos. Além disso, a companhia utilizou seu “alto potencial” de flexibilização do mix de produção e sua capacidade de adaptação às mudanças do mercado.

Com isso, seu lucro bruto também foi recorde, de R$ 881,77 milhões, valor 60,1% superior aos R$ 550,83 milhões reportados em 2019.

adecoagrobr 2020 lucro bruto 120421

Outro ponto citado foi sua alta capacidade de estocagem de etanol. Ela permitiu manter a produção armazenada nos momentos de baixa demanda causados pela pandemia de covid-19 e vendê-la posteriormente, conseguindo melhores preços.

Além disso, a Adecoagro destaca a forte reação dos valores de venda tanto do etanol quanto do açúcar ao longo de 2020. No ano, a commodity atingiu preços históricos considerando a cotação internacional combinada com a desvalorização do real frente ao dólar. Com isso, sua receita total teve um incremento de 6% no comparativo com 2019.

No período, a receita líquida da companhia, contabilizada como “receitas de contratos com clientes” somou R$ 2,04 bilhões, valor 13,13% acima dos R$ 1,8 bilhão de 2019. Já os custos com vendas aumentaram 10,18% no mesmo comparativo, de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,44 bilhão.

Como o crescimento dos gastos foi inferior ao dos ganhos, a relação entre os dois valores foi mais favorável. Em 2020, os custos representaram o equivalente a 70,49% das receitas, ante 72,39% em 2019.

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A Adecoagro também pontua como uma de suas vantagens o modelo de safra contínua, que é possível devido às diferenças climáticas encontradas no cluster de usinas em Mato Grosso do Sul. “Antes da pandemia, [este modelo] nos permitiu estar com a safra mais adiantada do que outras empresas do setor”, observa a empresa.

Segundo os números apresentados, o resultado bruto ainda considera uma variação positiva de R$ 279,86 milhões no valor justo dos ativos biológicos (cana em pé) e dos produtos agrícolas. Em 2019, esta contabilização também foi positiva, mas de menor impacto, atingindo R$ 53,03 milhões. Já em 2018, ela foi negativa em R$ 55,10 milhões.

Guinada do etanol para o açúcar

Os ganhos brutos no mercado interno foram compostos especialmente pelas vendas de etanol anidro e hidratado, que somaram R$ 1,1 bilhão em 2020. Ainda assim, houve uma queda de 32,69% na receita comparativamente com 2019, quando a comercialização do biocombustível estava mais aquecida.

Conforme informado pela Adecoagro, os valores refletiram uma produção de 502,17 milhões de litros de etanol no ano, volume 33,62% inferior a 2019. Dessa quantia, 318,26 milhões foram de hidratado (-25,28%) e 183,91 milhões, de anidro (-37,64%).

Na composição da receita bruta advinda do mercado interno, além do biocombustível, estiveram presentes a cogeração de energia, os açúcares cristal, VHP e orgânico, e outros produtos como soja, milho e arroz.

Quanto à energia, a produção teve uma retração de 14,48% entre 2019 e 2020, indo de 853,14 mil megawatts-hora para 729,63 mil MWh. Com a melhora no preço médio de venda, o lucro bruto foi de R$ 226,67 milhões, 5,02% inferior a um ano antes.

Considerando todos os produtos, a receita obtida pela Adecoagro no mercado interno foi de R$ 1,4 bilhão em 2020 ante os R$ 1,93 bilhão em 2019, o que representa uma queda de 27,75%.

Assim, o que compensou o total dos ganhos brutos e fez com que o resultado superasse o de 2019 foram as vendas externas de açúcar VHP, que trouxeram R$ 850,16 milhões ao caixa de 2020. O valor ultrapassa o de 2019 em 344,71%, quando somente R$ 191,17 milhões foram resultantes dessas comercializações.

A produção do açúcar VHP atingiu 575,86 mil toneladas, uma alta anual de 233,65%. Além disso, a fabricação de todas as variedades do adoçante (VPH, demerara, branco, vitaminado e orgânico) mais do que triplicou entre os últimos dois anos, passando de 213,26 mil para 646,98 mil toneladas.

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Com isso, a receita bruta considerando mercados interno e externo foi de R$ 2,26 bilhões, 6,05% acima dos R$ 2,13 bilhões de um ano antes.

Além disso, em 31 de dezembro de 2020, a Adecoagro – primeira sucroenergética a negociar dentro do âmbito do programa RenovaBio – possuía 1,97 mil créditos de descarbonização (CBios) disponíveis para negociação pela unidade Vale do Ivinhema e 544 créditos pela Monte Alegre, totalizando 2,51 mil escriturações.

Em 2020, as vendas dos CBios da companhia totalizaram R$ 20,1 milhões, com um preço médio de R$ 40,87 no período. Excluindo os impostos e custos de operacionalização, os ganhos foram de R$ 17,20 milhões.

Compromissos firmados

Em sua demonstração de resultados, a Adecoagro divulgou a posição dos acordos com clientes para entregas previstas para a temporada 2021/22. Em 31 de dezembro de 2020, já estavam negociadas 3,63 mil toneladas de açúcar VHP, 287 toneladas do cristal e 18 toneladas do orgânico, além de 3,41 mil litros de etanol e 698,86 mil MWh de energia.

Segundo a empresa, os preços já foram fixados, mas os valores só serão contabilizados quando a entrega física dos produtos for feita.

Deste volume, 217,48 mil toneladas de açúcar produzidas na unidade de Ivinhema (MS) já foram negociadas com valores de referência para contratos futuros de açúcar de US$ 63,02 milhões. Em 2019, o preço era de US$ 29,41 milhões para uma quantia de 101,5 mil toneladas da commodity. Desta forma, o valor médio se manteve praticamente estável, indo de US$ 289,75/t para US$ 289,77/t.

De acordo com as demonstrações financeiras, as vendas da empresa foram firmadas com 30 clientes para o etanol, 20 para a energia elétrica e quatro para o açúcar VHP. Conforme a Adecoagro Brasil, as negociações são centralizadas em poucos clientes, “porém com boa qualidade creditícia, com baixo risco de inadimplência”.

Menor produtividade, mais terras

Quanto à parte agrícola da companhia, a área total de colheita de cana-de-açúcar foi estimada em 158,5 mil hectares em 2020, um aumento de 5,22% no comparativo com 2019, quando era 150,64 mil hectares. Por outro lado, a produtividade prevista caiu de 84 para 82 toneladas de cana por hectare – em 2018, ela chegou a ser de 87 t/ha.

O aumento de área compensou a queda na produtividade, ampliando a moagem em 2020. A partir dos números divulgados, é possível calcular que ela foi de 13 milhões de toneladas ante as 12,65 milhões de 2019 e as 12,75 milhões de 2018.

Ainda assim, a quantia de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada da matéria-prima também decaiu no comparativo entre os dois anos, de 130 para 128 quilos por tonelada de cana.

Conforme o documento, as controladas Monte Alegre e Adecoagro Vale do Ivinhema tinham, em 31 de dezembro de 2020, uma área total cultivável de 176,65 mil hectares, 6,39% acima dos 166,04 mil hectares de 2019. As terras, localizadas em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, são tanto próprias quanto de parceria agrícola.

Na unidade Monte Alegre, 1,8 mil hectares do total cultivável foram destinados ao plantio de cana orgânica.

Dívidas elevadas

Enquanto o resultado operacional foi favorável, as receitas e despesas financeiras do grupo trouxeram números negativos, o que vem ocorrendo, pelo menos, desde 2010. Nos dados mais recentes, a Adecoagro Brasil teve gastos de R$ 308,19 milhões com juros e receitas de R$ 20,3 milhões. Com isso, o balanço financeiro foi de R$ 287,9 milhões negativos.

Em 2019, o cenário não foi muito diferente, com um balanço negativo de R$ 175,24 milhões, resultado de ganhos de R$ 21,85 milhões e dispêndios de R$ 197,09 milhões.

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As despesas com juros devem se manter elevadas nos próximos anos. A posição das dívidas da companhia com empréstimos e financiamentos em 31 de dezembro de 2020 contabilizava R$ 1,49 bilhão, 53,25% acima dos R$ 967,52 milhões reportados um ano antes.

Deste montante, R$ 267,2 milhões eram de débitos com vencimento em até 12 meses, representando um crescimento de 146,89% no comparativo com os R$ 108,23 milhões de um ano antes.

Já os empréstimos e financiamentos com prazos acima de 12 meses somavam R$ 1,21 bilhão, ampliação de 41,46% ante os R$ 859,29 milhões de 31 de dezembro de 2019.

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“A liquidez de curto e longo prazos está preservada, sendo que a estruturação da dívida da companhia é com vencimentos acima de cinco anos e a da dívida em dólar é preponderantemente com partes relacionadas”, detalha a Adecoagro.

Pandemia impacta pouco na produção

De acordo com a companhia, foram analisados os riscos decorrentes de reflexos da pandemia de coronavírus, como: impactos na gestão dos controles e processos internos; repercussão na receita e nas margens; potenciais impactos no valor realizável de estoques; potencial deterioração dos ativos imobilizado e intangível; aumento do risco de perdas em ativos financeiros; e impacto no fluxo de caixa por potencial impossibilidade de acesso ao crédito.

Entretanto, a Adecoagro Brasil não identificou efeito relevante dos riscos nas demonstrações financeiras no exercício finalizado em 31 de dezembro de 2020.

“A companhia e suas controladas agiram com celeridade e assertividade na criação de um comitê de crise, o qual ficou responsável pela elaboração de protocolos de prevenção e ação sob medida para cada unidade e realizou o acompanhamento contínuo das medidas tomadas para o enfrentamento do covid-19”, detalha.

Conforme o documento, as providências visaram proteger as pessoas da empresa e suas controladas, fornecedores, clientes e parceiros de negócio da contaminação pelo vírus.

“A companhia está monitorando de perto a situação e tomando todas as medidas necessárias disponíveis para preservar a vida humana e garantir seu normal funcionamento, não identificando nenhum risco relevante em relação à sua capacidade de continuar operando”, completa o documento.

Além disso, a Adecoagro destaca que não houve grandes interrupções na operação, seja na parte agrícola, industrial ou de transporte. Ainda assim, alguns contratos trabalhistas foram suspensos temporariamente e a demanda pelo etanol foi reduzida no segundo trimestre do ano, quando os primeiros casos de contaminação foram registrados no Brasil. A queda, porém, foi compensada devido à mudança no mix de produção da empresa, não trazendo impactos nos resultados.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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