Pouco tempo após divulgar um relatório prevendo que a USJ Açúcar e Álcool só voltará a registrar lucro na safra 2017/18, mas relativamente confiante sobre a liquidez da empresa, a agência de classificação de risco Fitch Ratings voltou a rebaixar o rating da sucroalcooleira
Pouco tempo após divulgar um relatório prevendo que a USJ Açúcar e Álcool só voltará a registrar lucro na safra 2017/18, mas relativamente confiante sobre a liquidez da empresa, a agência de classificação de risco Fitch Ratings voltou a rebaixar o rating da sucroalcooleira. A classificação da companhia foi de ‘CCC’ para ‘CC’, nos ratings em moeda estrangeira e local.
A empresa, que já havia sido rebaixada pela Fitch em maio (de ‘B’ para ‘CCC’) e estava fora da lista de análise negativa.
A seguir, detalhes sobre a motivação da Fitch para a análise negativa, o risco de novo rebaixamento da companhia e a composição da dívida da USJ.
Pouco tempo após divulgar um relatório prevendo que a USJ Açúcar e Álcool só voltará a registrar lucro na safra 2017/18, mas relativamente confiante sobre a liquidez da empresa, a agência de classificação de risco Fitch Ratings voltou a rebaixar o rating da sucroalcooleira. A classificação da companhia foi de ‘CCC’ para ‘CC’, nos ratings em moeda estrangeira e local.
A empresa, que já havia sido rebaixada pela Fitch em maio (de ‘B’ para ‘CCC’), estava fora da lista de análise negativa, o que significa não havia expectativa de novo rebaixamento no curto prazo. No entanto, o mais recente relatório já atentava para o risco cambial, uma vez que a maior parte das dívidas da USJ está em dólar. Atualmente, o principal débito da USJ consiste em US$ 275 milhões em notas seniores sem garantia, com vencimento em 2019.
“As principais preocupações relacionadas à liquidez da USJ não mudaram significativamente desde a última ação de rating, mesmo em face da deterioração do ambiente macroeconômico brasileiro e dos riscos de inadimplência na indústria”, aponta o relatório da Fitch publicado no início de outubro.

Especificamente com relação a essas notas seniores, a Fitch diminuiu a classificação de CCC/RR4 para CC/RR4.
A usina, situada em Araras (SP), deve moer de 3,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta safra, 8% a mais do que as 3 milhões de toneladas processadas em 2014/15.
Motivos do rebaixamento
O rebaixamento reflete as expectativas da Fitch em relação à liquidez da USJ. Para a agência, o indicador continuará sob crescente pressão devido ao aumento da concentração da dívida de curto prazo e à incapacidade da empresa para gerar fluxo de caixa livre (FCF) positivo. A ação de rating também incorpora as dificuldades da USJ para monetizar parte de seu estoque de terras devido às desfavoráveis condições macroeconômicas no Brasil.
Segundo documento divulgado pela agência, nos últimos meses, a USJ não reportou melhora em sua estrutura de capital e precisa pagar cupom de US$ 14 milhões, relativo às notas seniores sem garantias reais, com vencimento em 2019 e montante de US$ 275 milhões, até 9 de novembro.
Ainda de acordo com o relatório, a USJ está queimando caixa rapidamente. A Fitch ainda considera que a disponibilidade de financiamentos de capital de giro diminuiu para as companhias brasileiras de açúcar e etanol devido ao aumento do risco sistêmico após a reestruturação de outras companhias no setor.
Além disso, a agência considera que a companhia não reportou vendas relevantes de terras na atual temporada, o que vem impedindo o necessário aumento de sua liquidez. Apesar de serem ativos mais líquidos, as terras agriculturáveis que a companhia possui em Goiás têm valores de venda que podem ser insuficientes para alterar significativamente a posição de liquidez da empresa.
Possibilidade de nova queda
A impossibilidade de a USJ reduzir seu risco de liquidez nos próximos meses pode levar a uma nova ação de rating negativa, segundo a Fitch. Por outro lado, uma ação de rating positiva pode ocorrer se a companhia conseguir monetizar seus estoques de terras e melhorar consideravelmente a relação entre posição caixa e dívida de curto prazo.
Pelas projeções da Fitch, o FCF da USJ ficará negativo em R$ 41 milhões no exercício de 2016, devendo passar a positivo apenas em 2017. No período de 12 meses encerrado em 30 de junho de 2015, a companhia reportou fluxo de caixa das operações (CFFO) de R$ 135 milhões, que não foram suficientes para cobrir os R$ 215 milhões de investimentos, deixando o FCF negativo em R$ 82 milhões.
A posição final de caixa foi mais pressionada, ainda, pelos R$ 84 milhões de aporte de capital na SJC, joint-venture com a Cargill. Os investimentos deverão diminuir para R$ 105 milhões no exercício de 2016 e não deve haver aporte de capital adicional na SJC.

A Fitch ainda acredita que a USJ reportará cobertura de caixa sobre dívida de curto prazo abaixo de 0,40 vez em 30 de setembro de 2015. Em 30 de junho de 2015, a posição de caixa da companhia, de R$ 116 milhões, e a dívida de curto prazo de R$ 296 milhões se comparavam desfavoravelmente à posição de caixa de R$ 201 milhões e à dívida de curto prazo de R$ 285 milhões reportadas em 31 de março de 2015.
Renata Bossle – NovaCana