Agência afirma que credores continuarão evitando o setor até que o governo implante uma política transparente de reajuste regular dos preços da gasolina
A agência de classificação de risco Fitch Ratings considera que o próximo ano será difícil para o empresariado brasileiro, principalmente para os setores de eletricidade e de açúcar e etanol.
No artigo pós-eleição a agência refirmou o diagnóstico negativo, apontando que “o risco de inadimplência continuará alto no setor brasileiro de açúcar e etanol”. Disse ainda que “os credores continuarão evitando essas empresas até que o governo implante uma política transparente de reajuste regular dos preços da gasolina”.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings considera que o próximo ano será difícil para o empresariado brasileiro, principalmente para os setores de eletricidade e de açúcar e etanol. Em artigo publicado nesta segunda-feira (27), de Chicago, Estados Unidos, a agência afirmou que a reeleição da presidente Dilma Rousseff no segundo turno das eleições, não altera as previsões anteriores desfavoráveis.
Após a possibilidade de calote do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), a Fitch colocou o rating de crédito de quatro sucroalcooleiras – Biosev, Jalles Machado, Tonon Bioenergia e Usina São João (USJ) – em observação negativa. Conforme a análise de crédito, as companhias mais vulneráveis são Tonon e USJ. Entre as avaliadas, a única que manteve a nota de crédito estável foi a Raízen, considerada uma exceção no setor.
“Os credores continuarão evitando empresas de açúcar e etanol até que o governo implante uma política transparente de reajuste regular dos preços da gasolina”
No artigo pós-eleição a agência refirmou o diagnóstico, apontando que “o risco de inadimplência continuará alto no setor brasileiro de açúcar e etanol”. Disse ainda que “os credores continuarão evitando essas empresas até que o governo implante uma política transparente de reajuste regular dos preços da gasolina”.
No próximo ano, a agência estima que cerca de 15% das 82 empresas classificadas pela Fitch no Brasil provavelmente sofrerão uma ação de rating e a tendência deve ser fortemente negativa. É possível que os rebaixamentos ultrapassem as elevações em mais de duas vezes, sendo as companhias de eletricidade e de açúcar e etanol as mais vulneráveis a ações de rating negativas.
Macroeconomia
Além dos problemas enfrentados por opções governamentais que atingem diretamente o setor de açúcar e etanol, há o agravante das dificuldades não exclusivas à atividade canavieira. A agência de risco menciona os aspectos que mais afetam o futuro econômico do país.
“Problemas sistêmicos, como inflação e um sistema tributário extremamente complexo e ineficiente, continuarão afetando o fluxo de caixa das companhias. [...] Esses desafios, além dos fracos preços das commodities, provavelmente levarão as empresas a reportar maior alavancagem, predispondo-as a ações de rating negativas em 2015”.
Para o segundo mandato da presidente Dilma, a agência destaca a necessidade “crucial” de investimentos que eliminem os gargalos logísticos, assim como a redução de intervenção do estado na economia. “Sinais mais claros de menos intervenção estatal durante seu segundo mandato serão importantes para melhorar a confiança do empresariado e retomar os investimentos”.
A Fitch recomenda para as empresas um controle de custos para que evitem rebaixamentos em 2015. No próximo ano a expectativa é de um índice médio de alavancagem das empresas brasileiras superior a 3,2 vezes, ante cerca de 3,0 vezes no início de 2014. O patamar ainda fica abaixo do pico de 3,4 vezes registrado em 2010, mas é pior que o de 2009, quando ficou em 2,8 vezes. A agência analisa o maior endividamento como reflexo de uma carteira na qual 70% dos créditos estão nas categorias de rating que indicam riscos de inadimplência mais elevados.
Para completar, o câmbio deve continuar a não favorecer as vendas no mercado externo. “O real provavelmente não se enfraquecerá o bastante em 2015 para melhorar a lucratividade dos exportadores e atuar como importante barreira nos setores não protegidos. Os exportadores perderam competitividade em relação aos seus pares globais durante a última década, devido ao aumento da inflação, que elevou os custos. A apreciação da moeda também aumentou seus infortúnios”, finaliza.
NovaCana