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Falta de políticas públicas para a cana reduz estimativas da Canaplan para safra 2020/21

Especialistas comentam o início da moagem, as perspectivas para o resto do ano e o andamento do RenovaBio

NovaCana 7 min de leitura

No final de abril, a Canaplan divulgou suas perspectivas para a safra 2020/21, que havia recém-começado. Em uma webinar comandado pela equipe da consultoria, as influências do clima, o ritmo da moagem e os efeitos da pandemia do coronavírus foram levados em consideração para que a definição dos números iniciais para a temporada.

À época, um dos principais determinantes no andamento da safra seriam possíveis políticas públicas criadas devido à pandemia, que poderiam auxiliar – ou não – o setor. Pouco mais de um mês depois, a equipe da Canaplan já consegue enxergar como o cenário evoluiu e divulgou suas estimativas atualizadas em uma novo evento on-line, realizado em 29 de maio.

A principal evolução entre os dois momentos é em relação aos diferentes cenários esperados para a safra. Inicialmente, conforme comentou o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a consultoria imaginava três cenários. “No primeiro, as políticas de auxílio neste momento de crise viriam e a moagem seria acelerada; no segundo, essas políticas chegariam em ritmo mais lento, assim como a moagem; e no terceiro, não há políticas e a moagem também é mais lenta”, explicou.

Considerando essas perspectivas, a quantidade de cana moída ao final da temporada variava entre 578,8 milhões e 594,4 milhões de toneladas, respectivamente.

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A conclusão, até o momento, é que o clima está mais seco e as políticas de auxílio não vieram. O ritmo da moagem foi mais lento no início da safra, mas a seca aumentou a disponibilidade de máquinas e a própria colheita, acelerando a moagem. Desta forma, atualmente, a consultoria trabalha com um cenário que ficará entre os dois primeiros.

Confira, na versão completa (restrita para assinantes), as expectativas da Canaplan para a safra 2020/21, com comentários e comparações com a anterior, além da opinião dos analistas sobre o RenovaBio.

No final de abril, a Canaplan divulgou suas perspectivas para a safra 2020/21, que havia recém-começado. Em uma webinar comandado pela equipe da consultoria, as influências do clima, o ritmo da moagem e os efeitos da pandemia do coronavírus foram levados em consideração para que a definição dos números iniciais para a temporada.

À época, um dos principais determinantes no andamento da safra seriam possíveis políticas públicas criadas devido à pandemia, que poderiam auxiliar – ou não – o setor. Pouco mais de um mês depois, a equipe da Canaplan já consegue enxergar como o cenário evoluiu e divulgou suas estimativas atualizadas em um novo evento on-line, realizado em 29 de maio.

A principal evolução entre os dois momentos é em relação aos diferentes cenários esperados para a safra. Inicialmente, conforme comentou o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a consultoria imaginava três cenários. “No primeiro, as políticas de auxílio neste momento de crise viriam e a moagem seria acelerada; no segundo, essas políticas chegariam em ritmo mais lento, assim como a moagem; e no terceiro, não há políticas e a moagem também é mais lenta”, explicou.

Considerando essas perspectivas, a quantidade de cana moída ao final da temporada variava entre 578,8 milhões e 594,4 milhões de toneladas, respectivamente.

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A conclusão, até o momento, é que o clima está mais seco e as políticas de auxílio não vieram. O esperado era um ritmo mais lento da moagem no início da safra, mas a seca aumentou a disponibilidade de máquinas e a própria colheita, acelerando a moagem. Desta forma, atualmente, a consultoria trabalha com um cenário que ficará entre os dois primeiros.

Na média, a expectativa é de que sejam moídas 582,3 milhões de toneladas de cana ao final da safra 2020/21. Na comparação com a temporada anterior, que terminou em 589,9 milhões, isso representaria uma queda de 1,3% no total.

A explicação para esta diminuição da moagem veio do analista da Canaplan, Nilceu Cardozo. Em uma comparação com 2018/19, ele observa que o desenho de ambas as safras, pelo menos no início, foi bem similar: “Começou secando em março e tendo um abril seco, houve a colheita dos canaviais mais jovens já em abril”.

“A projeção é que, neste ano, o acumulado da safra seja maior que nos anteriores, e a gente chegue em junho com um quarto da safra potencial já colhido”, complementa Cardozo. Desta forma, sobrará pouca cana a ser colhida na segunda metade da temporada, reduzindo os números.

Ainda assim, ele espera por uma produtividade média acima da vista na temporada passada. De acordo com ele, a idade média dos canaviais está inferior devido ao maior processamento de canas mais jovens.

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Desta forma, a única estimativa da Canaplan que apresentou aumento na comparação com 2019/20 foi a relativa ao açúcar. Na média, a consultoria espera uma produção de 33,6 milhões de toneladas, 25,88% a mais do que as 26,7 milhões vistas na última safra. Isso é consequência do aumento no direcionamento de matéria-prima para a produção da commodity, previsto em 44%.

De acordo com Carvalho, a safra deve manter os aspectos favoráveis observados no início do ano. “Uma safra formada sob expectativa de recuperação e com o efeito positivo de 2019/20: aumento da renovação e dos investimentos em soqueiras; queda na idade média do canavial; verão generoso em chuvas e redução no consumo de muda por causa da meiosi e da redução do plantio de 12 meses, que gera maior volume de cana a ser esmagada”, enumera.

Por outro lado, os efeitos das secas do fim de 2019 e do começo de 2020 preocupam, pois reduzem as perspectivas para a produtividade agrícola no segundo e no terceiro terços da safra.

Além disso, o atual momento do mercado também entra na conta. “A covid-19 e a demanda reduzida trazem um fator negativo de ponto de vista de mercado, com preços naturalmente menores e um ambiente político com inação de governo em relação aos riscos setoriais”, lamenta Carvalho.

RenovaBio: a futura pérola do setor

Dentre as expectativas para a safra 2020/21, o programa de incentivo aos biocombustíveis RenovaBio tinha grande influência. Luiz Carlos Carvalho afirmou que ele seria um grande diferencial para as usinas em uma temporada de perspectivas já positivas. “A fotografia da safra era muito boa, a configuração era muito boa e a imagem era de recuperação”, lembra.

Porém, mesmo com boas expectativas no início do ano, o diretor afirma que o RenovaBio acabou sendo substituído na mente dos executivos pela covid-19. Agora, o programa está passando por uma nova fase, com a reavaliação das metas devido à queda no consumo e, consequentemente, na oferta de etanol.

“A expectativa para o CBio [crédito de descarbonização] era de uma coisa absolutamente moderna e impactante, mas isso não vai acontecer, com impacto, na safra 2020/21 ou mesmo na 2021/22”, afirma Carvalho, que completa: “O CBio pode vir a ser a pérola do setor, pode vir a fazer o papel que, por exemplo, a Cide não pode fazer por que ela depende da caneta de um ministro”. Contudo, essa perspectiva foi adiada.

Enquanto está na expectativa do andamento do programa, Carvalho explica que o setor, em especial a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), está trabalhando para definir a taxação do CBio. Atualmente, ela é de 34%, mas a expectativa é que essa porcentagem seja reduzida. Para o diretor, esta definição é importante para valorizar o crédito.

O que a Canaplan observa, especialmente durante a pandemia, é uma oportunidade que vai além do próprio RenovaBio para a redução das emissões de CO2. “O período após a covid-19 vai trazer o conceito da questão da poluição e da sustentabilidade”, afirma Carvalho. “Esse novo mundo traz para determinados produtos uma valorização muito grande, e é o caso do nosso setor. A nossa produtividade vai fazer a gente se destacar”.

De acordo com ele, neste ano, os produtores não devem concentrar as atenções no valor dos CBios – o mais importante seria priorizar o início efetivo do RenovaBio. “O fundamental é o RenovaBio de fato começar, é a gente plantar o programa, cuidar dele com carinho, não deixar faltar água, pois depois vai ocorrer uma produção em escala”, conclui, esperançoso, o diretor.

Rafaella Coury – NovaCana

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