Milho

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Com falta de chuvas, Rio Grande do Sul vê perdas em lavouras de milho


Globo Rural - Publicado: 14 Dez 2021 - 08:28

A falta de chuva que provoca perdas na agricultura do Rio Grande do Sul está levando municípios a declarar estado de emergência. A cidade Julio de Castilhos, na região central, tomou a medida na última segunda-feira, 13, conforme informa a secretária de agricultura, Ana Paula Alf Lima. No município, o clima desfavorável afeta lavouras de milho e deve prejudicar também plantações de soja e pecuária leiteira.

Lima afirma que, nos últimos dois anos, Julio de Castilhos teve 38% a menos de chuva acumulada. “Neste ano, por exemplo, nós deveríamos ter tido uma precipitação acumulada em torno de 138 milímetros em novembro e não tivemos nem 30 milímetros. E isso aliado com as altas temperaturas afeta tanto o desenvolvimento do milho quanto da soja”, detalha.

A quebra de safra do milho não é exclusiva da região central do estado e deve atrapalhar a repetição de uma safra recorde, segundo o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira. É a terceira quebra consecutiva da lavoura, que fechou 2020/21 com uma produção de 4,3 milhões de toneladas e uma demanda adicional de 7 milhões de toneladas para abastecer suas cadeias de suinocultura e avicultura.

“A previsão era colher a melhor safra de milho da história, mas essa seca prolongada justamente na época de enchimento de grãos é muito preocupante. Só as lavouras com pivô estão se desenvolvendo bem. Se não chover nos próximos dias, a perda será irreparável”, lamenta Pereira. Ainda assim, a Farsul divulgou na última quinta-feira, 9, uma previsão de safra recorde de grãos no estado no ciclo 2021/22.

Oficialmente, a Farsul não faz uma estimativa da quebra. A justificativa é que as entidades oficiais, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que divulgou sua terceira estimativa de safra com revisão para cima do número para o milho de verão, ainda não fizeram isso.

Em entrevista à Globo Rural um dia antes, no entanto, um dos diretores vice-presidente da Farsul, Hamilton Jardim, disse que os estragos causados pelo fenômeno La Niña, com dias muito quentes e pouca chuva, podem causar uma redução de mais de 50% na safra de milho em relação ao ano passado.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) divulgou um levantamento feito no final de novembro pela Rede Técnica de Cooperativas (RTC) do estado, com 20 das 31 associadas, que apontou uma perda média de 29,4% na produtividade do milho de sequeiro plantado logo no início do calendário, com potencial de ultrapassar 80%.

Já nas plantações irrigadas, a estimativa de perda é de 4% na média, com possibilidade de chegar a 20% em algumas regiões, especialmente no Centro, Noroeste e Planalto.

“Desde o levantamento, não houve chuva e as condições das lavouras de milho se agravaram. Infelizmente, a tendência é que só poderemos contar com a produção irrigada, que não chega a 10%”, diz o presidente da Fecoagro, diz Paulo Pires. Segundo ele, a expectativa com o milho era grande, já que houve aumento de 7% na área plantada, mas deve se repetir o que houve nas duas últimas safras em que a produção não passou de 4 milhões de toneladas, 2 milhões a menos que a média.

O dirigente diz que, antes das quebras consecutivas, o Rio Grande do Sul importava de outros estados de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas para suprir sua demanda anual de milho. “Com as quebras de safra, nossa importação subiu para 6 ou 7 milhões de toneladas. E ainda temos que considerar no próximo ano um aumento de demanda com o crescimento das cadeias de suínos e aves”, destaca.

Eliane Silva e Cleyton Vilarino