A companhia espera “alongar” a vida útil dos canaviais e reduzir a depreciação da cana de cinco para sete e até oito cortes
A exemplo da São Martinho, a Raízen também aposta em técnicas mais ágeis e eficientes para a propagação de mudas pré-brotadas (MPB).
Com menos cana indo para o plantio, o MPB confere, na visão da Raízen, não apenas vida longa aos canaviais, mas também, competitividade para as operações de açúcar e etanol.
“Isso muda o cenário do nosso negócio”, afirma o gerente agrícola da Raízen, Rodrigo Vinchi.
A exemplo da São Martinho, a Raízen também aposta em técnicas mais ágeis e eficientes para a propagação de mudas pré-brotadas (MPB).
Com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a maior processadora de cana do país irá investir R$ 4,5 milhões, provenientes do PAISS Agrícola, para viabilizar a técnica em “larga escala”. A meta da empresa, no entanto, era captar até R$ 20 milhões.
Segundo informou o gerente agrícola da Raízen, Rodrigo Vinchi, a maior parte do dinheiro obtido será destinada a estudos de demanda hídrica.
“As mudas pré-brotadas são um método que requer algum nível de umidade de irrigação. Precisamos saber, exatamente, quanto de água e quando colocar esta água no sistema”, disse o executivo em evento do BNDES realizado no final do ano passado, no Rio de Janeiro.
Diante da crise hídrica e do baixo regime de chuvas que tem afetado os canaviais paulistas nas últimas safras, a Raízen busca estabelecer uma estratégia de manejo do plantio mais adequada a este tipo de sistema.
“Vamos focar em volume de água e em produtos que aumentem a soberania da planta numa condição de déficit hídrico”, adiantou.
Outro ponto que tem chamado a atenção da sucroalcooleira e que apresenta “rápida viabilidade econômica” é a reposição de falhas. “O custo de reposição das lavouras é um grande problema nosso. A ideia é que, com o MPB, tenhamos a possibilidade de prolongar a vida destas lavouras num ciclo bastante aceitável”, apontou Vinchi.
Com isso, a companhia espera “alongar” a vida útil dos canaviais e reduzir a depreciação da cana de cinco para sete e até oito cortes.
Líder na captação de recursos junto ao BNDES, com um volume financeiro superior a R$ 1,6 bilhão de reais em transações não automáticas desde 2012, a Raízen destinou R$ 600 milhões desse total para o plantio de cana-de-açúcar (veja o gráfico abaixo)

Os filtros do gráfico acima podem ser manipulados na Plataforma de Dados Estatísticos: Recursos do BNDES para as usinas sucroenergéticas.
Com menos cana indo para o plantio, o MPB confere, na visão da Raízen, não apenas vida longa aos canaviais, mas também, competitividade para as operações de açúcar e etanol.
“Isso muda o cenário do nosso negócio”, admitiu o executivo.
Avanços e maquinário
Em sua apresentação no evento, Vinchi não comentou detalhes sobre a tecnologia adotada pela Raízen, mas deu pistas de que a sucroalcooleira está, aos poucos, otimizando as etapas do processo de produção das plântulas.
O corte dos minirrebolos, que no sistema tradicional é feito de maneira rudimentar, por meio de uma lâmina de corte manual, está sendo automatizado para dar mais agilidade ao processo.
A novidade fará com que “o rendimento da extração aumente e permita à Raízen alcançar patamares de custo por muda competitivos comparados com as despesas atuais do plantio mecanizado”.
Embora tenha relatado “avanços” no uso de maquinário para o plantio das mudas, Vinchi admitiu que a capacidade operacional destas plantadoras está aquém do esperado para este tipo de operação.
“Hoje, a capacidade operacional destas plantadoras está em torno de 3,5 a 4 hectares (ha) por turno. Se formos levar em consideração as atuais plantadoras de toletes de cana, este patamar não muda muito. É difícil achar rendimentos superiores a dez e quinze hectares por dia com uma plantadora trabalhando em três períodos. Para nós, isso ainda é muito pouco. É preciso atingir números mais elevados de rendimento, mas é esta é uma área que tem evoluído bastante”, disse.
Custo competitivo
Diante de uma plateia ambientada, composta, em sua maioria, por executivos do setor de açúcar e etanol, Vinchi sinalizou que é possível, sim, produzir o MPB a custos competitivos.
“Levando em conta a cana que eu vou processar na indústria como receita, entendemos que temos condições de produzir o MPB a preços inferiores a R$ 0,20 por muda”, apostou.
A declaração confirma a aposta de gigantes do setor como a São Martinho, que afirma ter alcançado um custo estimado de produção por muda de R$ 0,14.
“A medida em que o método ganhar escala e houver mais players neste negócio, o custo tende a cair”, afirmou.
Escopo do projeto
Segundo explicou no ano passado o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, “trata-se de um processo complexo, pois a fase de testes demanda um ciclo inteiro da cana, de quatro a cinco anos”.
Com ou sem recursos adicionais, a empresa planeja ampliar os 130 hectares de mudas plantados “em casa” para diferentes localidades de São Paulo.
“Começamos com a Usina da Barra, mas a ideia é implantar alguns módulos satélite para uma produção um pouco maior em outras unidades”.
As usinas Junqueira, na divisa com Minas Gerais, e Centroeste, localizada em Jataí (GO), serão algumas das unidades que receberão estes “módulos satélite”.
Embora não tenha mencionado detalhes sobre a estrutura física destes “módulos”, espera-se que os mesmos contemplem estufas, escritório e sistemas para funcionamento.
Leonardo Siqueira – NovaCana