Pela primeira vez nas últimas safras a Unica e o Ministério da Agricultura divergem de forma significativa em relação à produção de açúcar e cana no BrasilAté o dia 20 de dezembro o Brasil havia produzido 33,974 milhões de toneladas de açúcar, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). No entanto, o volume tomado como oficial pelo mercado não corresponde aos dados obtidos e divulgados pelo Ministério da Agricultura (Mapa), e mais: a diferença equivale a pouco mais de 15% do excedente estimado pela Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês), de 4,5 milhões de toneladas.
As 677 mil toneladas a mais registradas pela Unica correspondem ainda a 1,4% da produção total do Brasil nesta safra, volume suficiente para satisfazer a necessidade de açúcar de 150 milhões de brasileiros por um mês, e a quase quatro vezes o volume perdido pela Copersucar no incêndio que atingiu armazéns da empresa no Porto de Santos em outubro passado. Em outras palavras, a diferença é significativa o suficiente para mexer com os preços da commodity, bastante sensíveis a qualquer variação no mix de produção e nas perspectivas de fabricação do produto.
O portal NovaCana ouviu o Mapa e a Unica e analisou as diferenças quinzenais, estaduais e de metodologia entre os dados das últimas quatro safras para encontrar onde pode estar o problema.
E mais:
- Gráficos e tabelas interativas com as diferenças das últimas quatro safras
- O recorde significativo desta safra
Até o dia 20 de dezembro o Brasil havia produzido 33,974 milhões de toneladas de açúcar, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). No entanto, o volume tomado como oficial pelo mercado não corresponde aos dados obtidos e divulgados pelo Ministério da Agricultura (Mapa), e mais: a diferença equivale a pouco mais de 15% do excedente estimado pela Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês), de 4,5 milhões de toneladas.
As 677 mil toneladas a mais registradas pela Unica correspondem ainda a 1,4% da produção total do Brasil nesta safra, volume suficiente para satisfazer a necessidade de açúcar de 150 milhões de brasileiros por um mês, e a quase quatro vezes o volume perdido pela Copersucar no incêndio que atingiu armazéns da empresa no Porto de Santos em outubro passado. Em outras palavras, a diferença é significativa o suficiente para mexer com os preços da commodity, bastante sensíveis a qualquer variação no mix de produção e nas perspectivas de fabricação do produto.
Uma análise dos dados das últimas quatro safras mostra que os dados apresentados pela Unica e pelo Mapa sempre apresentam disparidades, mas em um nível que pode ser considerado "sutil", caminhando praticamente juntos. Na safra 2013/2014, no entanto, as diferenças foram crescendo gradativamente e, até dezembro, atingiram um nível recorde.
As discrepâncias são expressivas também no que diz respeito à moagem: enquanto, para a Unica, a moagem de cana atingiu 587,9 milhões de toneladas de cana na região centro-sul do país, para o Mapa, foram moídas 582,4 milhões de toneladas. Curiosamente, os dados sobre a produção de etanol estão muito parecidos, com uma diferença de apenas 53 mil litros, diferença compatível com a das últimas safras.
Enquanto, para o etanol não há diferença significativa, na produção de açúcar a disparidade em São Paulo aumenta: das 677 mil toneladas a mais do centro-sul, São Paulo é responsável por 696 mil toneladas – tudo e mais um pouco. A diferença final é inferior a este volume, porque o Mapa informa que os demais estados da região produziram um volume 18 mil toneladas maior do que o volume informado pela Unica.
Para tentar explicar as discrepâncias encontradas, foi realizada uma pesquisa sobre as metodologias empregadas pelas instituições para a coleta de dados, o que rendeu apenas algumas pistas.
Uma delas é que as metodologias se diferenciam em vários aspectos. Os dados do Mapa são informados pelas próprias usinas, após estas estarem devidamente cadastradas no SAPCana. Já os dados da Unica percorrem um caminho maior e passam pelas associações e sindicatos antes de chegar na mão da entidade.
Além disso, enquanto uma resolução do Ministério da Agricultura obriga as usinas a informarem quinzenalmente sua produção ao governo, para a Unica esta mesma informação é fornecida de forma voluntária.
Um problema é comum nos dois acompanhamentos, conforme as duas instituições confirmaram. Mapa e Unica nem sempre recebem os dados de todas as usinas em tempo.
A Unica informa que recebe os mesmos dados que as usinas enviam para o SAPCana. No entanto, claramente, não é o que os dados divulgados mostram.

NovaCana
As 677 mil toneladas a mais registradas pela Unica correspondem ainda a 1,4% da produção total do Brasil nesta safra, volume suficiente para satisfazer a necessidade de açúcar de 150 milhões de brasileiros por um mês, e a quase quatro vezes o volume perdido pela Copersucar no incêndio que atingiu armazéns da empresa no Porto de Santos em outubro passado. Em outras palavras, a diferença é significativa o suficiente para mexer com os preços da commodity, bastante sensíveis a qualquer variação no mix de produção e nas perspectivas de fabricação do produto.
O portal NovaCana ouviu o Mapa e a Unica e analisou as diferenças quinzenais, estaduais e de metodologia entre os dados das últimas quatro safras para encontrar onde pode estar o problema.
E mais:
- Gráficos e tabelas interativas com as diferenças das últimas quatro safras
- O recorde significativo desta safra
Até o dia 20 de dezembro o Brasil havia produzido 33,974 milhões de toneladas de açúcar, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). No entanto, o volume tomado como oficial pelo mercado não corresponde aos dados obtidos e divulgados pelo Ministério da Agricultura (Mapa), e mais: a diferença equivale a pouco mais de 15% do excedente estimado pela Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês), de 4,5 milhões de toneladas.
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Uma análise dos dados das últimas quatro safras mostra que os dados apresentados pela Unica e pelo Mapa sempre apresentam disparidades, mas em um nível que pode ser considerado "sutil", caminhando praticamente juntos. Na safra 2013/2014, no entanto, as diferenças foram crescendo gradativamente e, até dezembro, atingiram um nível recorde.
As discrepâncias são expressivas também no que diz respeito à moagem: enquanto, para a Unica, a moagem de cana atingiu 587,9 milhões de toneladas de cana na região centro-sul do país, para o Mapa, foram moídas 582,4 milhões de toneladas. Curiosamente, os dados sobre a produção de etanol estão muito parecidos, com uma diferença de apenas 53 mil litros, diferença compatível com a das últimas safras.
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Problema concentrado
Os números deixam claro que a diferença está concentrada em São Paulo, estado onde a própria Unica faz a coleta dos dados com as usinas. Segundo as informações fornecidas pela entidade, das 5,5 milhões de toneladas de cana registradas a mais na moagem da região centro-sul, em comparação com o Mapa, 5,2 milhões estão em São Paulo.Enquanto, para o etanol não há diferença significativa, na produção de açúcar a disparidade em São Paulo aumenta: das 677 mil toneladas a mais do centro-sul, São Paulo é responsável por 696 mil toneladas – tudo e mais um pouco. A diferença final é inferior a este volume, porque o Mapa informa que os demais estados da região produziram um volume 18 mil toneladas maior do que o volume informado pela Unica.
Metodologias
Ambas as instituições foram procuradas para falar sobre o assunto. Por meio da assessoria de imprensa, a Unica informou que "não tem como explicar essa diferença". O Ministério da Agricultura disse que não comenta os dados da Unica e, para defender as informações que obtém e divulga, informou que o trabalho independente da Conab, que envia seus técnicos para todas as usinas do Brasil, tem gradativamente ficado mais alinhado com os dados divulgados pelo ministério.![]() |
Uma delas é que as metodologias se diferenciam em vários aspectos. Os dados do Mapa são informados pelas próprias usinas, após estas estarem devidamente cadastradas no SAPCana. Já os dados da Unica percorrem um caminho maior e passam pelas associações e sindicatos antes de chegar na mão da entidade.
Além disso, enquanto uma resolução do Ministério da Agricultura obriga as usinas a informarem quinzenalmente sua produção ao governo, para a Unica esta mesma informação é fornecida de forma voluntária.
Um problema é comum nos dois acompanhamentos, conforme as duas instituições confirmaram. Mapa e Unica nem sempre recebem os dados de todas as usinas em tempo.
A Unica informa que recebe os mesmos dados que as usinas enviam para o SAPCana. No entanto, claramente, não é o que os dados divulgados mostram.
Tabela comparativa: açúcar, etanol e cana

NovaCana


