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Europa questiona se fusão entre Dow e DuPont irá afetar inovação agrícola

dupont-180117Novas tecnologias agrícolas para impulsionar a produtividade estão no centro de uma investigação das autoridades antitruste da União Europeia sobre a fusão da Dow Chemical Co. com a DuPont Co.

Wall Street Journal 5 min de leitura

Novas tecnologias agrícolas para impulsionar a produtividade estão no centro de uma investigação das autoridades antitruste da União Europeia sobre a fusão da Dow Chemical Co. com a DuPont Co.

Os reguladores estão se concentrando na corrida por inovação como uma preocupação que as empresas precisam abordar antes de obter aprovação para a planejada fusão, segundo pessoas a par do assunto.

A Comissão Europeia (CE), a agência antitruste do bloco, enviou à Dow e DuPont, em dezembro, um documento de cerca de 800 páginas com objeções à fusão. Os reguladores temem o impacto da perda de um participante forte do setor agrícola, com capacidade significativa de pesquisa, disseram as pessoas.

As empresas estão fazendo progressos na busca de soluções para amenizar as preocupações da UE, segundo representantes tanto da UE quanto das empresas.

“Acreditamos que a fusão favorece a concorrência e entregará mais inovação e opções para os clientes”, disse uma porta-voz da Dow, adicionando que as empresas “continuam trabalhando construtivamente” com a UE e outros reguladores.

As empresas defenderam sua fusão diante de autoridades da CE em uma audiência a portas fechadas em 9 de janeiro. Também presente estavam outros participantes do setor, incluindo o grupo químico alemão rival, BASF SE, que tem expressado interesse em comprar alguns dos ativos da empresa resultante da fusão que terão que ser vendidos.

Mas o tempo está se esgotando para resolver as preocupações da UE esboçadas no documento, que se transformou em um dos mais longos já rascunhados pelos reguladores antitruste do bloco.

A UE tem até o fim de fevereiro para julgar a fusão, que é uma de várias do setor que estão sendo avaliadas, entre elas a da China National Chemical Corp. com a Syngenta AG, e a da Bayer AG com a Monsanto Co.

A Dow e a DuPont foram as primeiras do grupo a anunciar o acordo, em dezembro de 2015. A fusão propõe unir duas gigantes, com um valor de mercado combinado de cerca de US$ 122 bilhões, para depois separá-las em três empresas distintas.

A comissão indicou que estava preocupada com uma redução da inovação na proteção de lavouras quando dediciu aprofundar sua investigação sobre a fusão entre a Dow e a DuPont em agosto. Em especial, ela apontou para os mercados deherbicidas para lavouras como cereais, beterrabas e oleaginosas, assim como inseticidas.

“A transação pode levar à eliminação de uma das poucas empresas capazes de desenvolver e lançar novos ingredientes ativos”, informou a CE na época.

Juntos, a Dow, DuPont e outros concorrentes investem bilhões de dólares anualmente para desenvolver plantações que podem sobreviver à pulverização de herbicidas e produzir proteínas que repelem insetos, além de produtos mais poderosos para combater pragas agrícolas e software de análise de dados para melhorar a gestão das fazendas.

Executivos da Dow e da DuPont dizem que esperam reduzir os gastos com pesquisa e desenvolvimento em cerca de US$ 300 milhões, como parte do plano de cortar US$ 3 bilhões em custos com a fusão. Contudo, a fusão deveria ajudar a trazer novos produtos ao mercado mais rapidamente ao combinar as capacidades biotecnológicas da Dow com a extensa biblioteca genética de milho e soja da DuPont, dizem eles.

As disputas com reguladores sobre inovação podem às vezes ser mais difíceis de resolver para as empresas que estão se unindo do que a sobreposição comercial, quando elas podem vender unidades de negócios que competem diretamente, dizem advogados especializados em questões antitruste.

“Isso se resume na questão da motivação de uma empresa para fazer algo”, diz Lisl Dunlop, uma das líderes de práticas antitruste da firma de advocacia Manatt, Phelps & Phillips LLP.

Quando analisam questões de inovação, os reguladores antitruste examinam os incentivos das empresas para licenciar novas tecnologias, como métodos de edição genética, e como eles poderiam mudar se a concorrência for reduzida. Em análises anteriores de fusão, a UE exigiu que as empresas vendessem os direitos europeus de produtos que estivessem sendo desenvolvidos.

A Dow e a DuPont têm investido em produtos baseados em micróbios que podem ajudar as plantações a absorver melhor nutrientes e eliminar pragas, assim como técnicas para editar os genes das plantas, o que poderia elevar a produtividade das safras e trazer outros benefícios para os agricultores.

A concorrência pela inovação é um fator cada vez mais importante em avaliações antitruste, dizem advogados. Ela também foi um problema na análise da UE da planejada fusão de US$ 35 bilhões entre a Halliburton Co. e a Baker Hugues Inc., que as duas empresas cancelaram em maio de 2016, em grande parte devido à incapacidade das empresas de solucionar os desafios regulatórios.

Natalia Drozdiak e Jacob Bunge

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