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EUA reduz projeção para etanol brasileiro dentro do mandato de biocombustíveis do país

Política brasileira, clima, safra nacional e barreiras inerentes ao limite de mistura do E10 nos Estados Unidos são alguns dos motivos utilizados para justificar diminuição no volume

NovaCana 7 min de leitura

A Agência de Proteção Ambiental estadunidense (EPA, na sigla em inglês) reduziu a projeção de importação de etanol brasileiro. A proposta para os mandatos de biocombustíveis referente a 2020, assinada pela entidade em 5 de julho, foi enviada para a análise do governo do país.

Segundo a EPA, os Estados Unidos devem receber até 227,13 milhões de litros (60 milhões de galões) do etanol brasileiro feito de cana, um combustível avançado segundo as regras do programa Padrão de Combustível Renovável (RFS, na sigla original). Em 2018 e 2019, a agência havia estimado a entrada de até 378,54 milhões de litros de etanol importado. Nos dois anos anteriores, esse volume era de 757,08 milhões de litros.

As exportações, no entanto, tendem a ficar abaixo das estimativas. A EPA justifica que, apesar de considerar suas previsões “razoavelmente atingíveis”, o programa teria contabilizado apenas 166,56 milhões de litros do biocombustível brasileiro em 2018.

“Também notamos a alta variabilidade nos volumes de importação de etanol no passado (incluindo o de cana-de-açúcar), o aumento no consumo de gasolina no Brasil e a variabilidade na produção brasileira de açúcar”, expressa o documento, que conclui: “Não é apropriado assumir que as importações de etanol chegariam a níveis muito mais altos, como sugerido por algumas partes interessadas”.

Leia mais:

- Fatores que motivaram a redução da estimativa
- Metas completas de biocombustíveis
- Estimativas para a produção de etanol celulósico em 2020 – por usina

A Agência de Proteção Ambiental estadunidense (EPA, na sigla em inglês) reduziu a projeção de importação de etanol brasileiro. A proposta para os mandatos de biocombustíveis referente a 2020, assinada pela entidade em 5 de julho, foi enviada para a análise do governo do país.

Segundo a EPA, os Estados Unidos devem receber até 227,13 milhões de litros (60 milhões de galões) do etanol brasileiro feito de cana, um combustível avançado segundo as regras do programa Padrão de Combustível Renovável (RFS, na sigla original). Em 2018 e 2019, a agência havia estimado a entrada de até 378,54 milhões de litros de etanol importado. Nos dois anos anteriores, esse volume era de 757,08 milhões de litros.

As exportações, no entanto, tendem a ficar abaixo das estimativas. A EPA justifica que, apesar de considerar suas previsões “razoavelmente atingíveis”, o programa teria contabilizado apenas 166,56 milhões de litros do biocombustível brasileiro em 2018.

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“Também notamos a alta variabilidade nos volumes de importação de etanol no passado (incluindo o de cana-de-açúcar), o aumento no consumo de gasolina no Brasil e a variabilidade na produção brasileira de açúcar”, expressa o documento, que conclui: “Não é apropriado assumir que as importações de etanol chegariam a níveis muito mais altos, como sugerido por algumas partes interessadas”.

Assim, quando definiu suas metas para 2018 e 2019, a EPA enxergou que a importação do etanol de cana cairia para um volume “significativamente abaixo” dos 757,08 milhões de litros estimados para 2017. Agora, os dados demonstram uma tendência contínua de baixas exportações, motivando uma nova queda na projeção.

“Embora seja difícil prever as importações para 2020, acreditamos que os dados mais recentes sugerem que não seria razoável esperar mais de 100 milhões de galões de importações de etanol de cana-de-açúcar em 2020", expressa o relatório.

Outras barreiras encontradas pelo governo americano incluem a chamada “parede de mistura” do E10, o crédito tributário que o biodiesel possui (alguns métodos produtivos também se adequam na categoria de combustível avançado) e o fato de o etanol de cana custar mais do que o de milho.

“Acreditamos que seria apropriado reduzir o volume esperado de etanol de cana-de-açúcar importado para menos de 100 milhões de galões”, determina a agência. Ela ainda aponta uma relativa estabilização nas entradas do biocombustível de cana-de-açúcar no país entre 2014 e 2018, com um volume médio de 234,7 milhões de litros no período.

Variações são possíveis

A EPA reforça que 227,13 milhões de litros é um “volume razoavelmente alcançável” para as importações de etanol de cana. Ou seja, embora exista a possibilidade de o Brasil ultrapassar essa marca, esse foi o valor considerado possível dentro das atuais condições do país e foi o parâmetro utilizado para a elaboração das metas da agência.

Além disso, a EPA também considerou a possibilidade de o renovável de cana brasileiro não atender à projeção, mesmo após a redução. Porém, segundo a agência, mesmo que ocorram mudanças na disponibilidade de etanol, isso não impactaria significativamente na capacidade do mercado em atender aos volumes avançados de biocombustível.

A EPA ainda deixa claro que o volume pode ser “inferior ou superior” ao calculado, dependendo do contexto político brasileiro, do clima na região Centro-Sul, da safra nacional, da demanda mundial por etanol, dos preços do combustível, do mercado internacional de açúcar e do custo do etanol de cana ante o de milho.

Programa vai além do etanol de cana

Para 2020, a proposta de mandatos de biocombustíveis estabelece uma meta de 19,08 bilhões de litros (5,04 bilhões de galões) de combustíveis avançados. Assim, a estimativa é que o etanol brasileiro represente, no máximo, 1,2% da meta específica de sua categoria.

Já dentro da meta total de biocombustíveis, de 75,86 bilhões de litros (20,04 bilhões de galões), o volume esperado para o etanol nacional representa 0,3%.

Desconsiderando os combustíveis celulósicos, a meta para biocombustíveis avançados foi mantida em relação ao mandato de 2019 – 17,03 bilhões de litros. Para este volume ser atingido, além do etanol de cana, também são considerados: biodiesel avançado, diesel renovável, GNV não celulósico, nafta, óleo de aquecimento e o etanol avançado produzido domesticamente.

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Segundo o documento, o renovável de cana brasileiro tem sido a forma predominante de importação e a única fonte significativa de etanol avançado vindo de outro país, mesmo que em uma quantidade considerada pequena.

Biocombustível celulósico

Dentro da meta de combustíveis avançados, a EPA também estabeleceu um mandato para biocombustíveis celulósicos. Neste caso, o volume foi estabelecido em 2,04 bilhões de litros (540 milhões de galões), um aumento de 29% ante os 1,58 bilhão de litros de 2019.

A agência ainda observa que, no Brasil, há duas plantas que podem ajudar a atender a esta demanda estadunidense: a GranBio, em São Miguel dos Campos (AL) e a Raízen Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Ambas produzem etanol celulósico a partir do bagaço da cana-de-açúcar e fizeram pelo menos uma exportação para os Estados Unidos entre 2017 e 2018.

O documento ainda aponta que, em 2020, cada uma dessas unidades deve produzir entre 49,21 e 189,27 milhões de litros de etanol. Entretanto, nem todo o volume deve ser direcionado para os Estados Unidos.

Essa projeção de produção também é válida para as plantas de etanol celulósico da Edeniq, da da Poet-DSM, da QCCP/Syngenta e para a usina Renfrew, da Ensyn. Já as unidades da Enerkem, da BioEnergy, da Red Rock Biofuels e a planta Port Cartier, da Ensyn, devem produzir entre 0 e 90,85 milhões de litros.

Para elaborar a meta, a EPA relata que considerou a disponibilidade de matéria-prima, a capacidade de produção no país, o histórico de importações e a capacidade do mercado para produzir, distribuir e consumir combustíveis renováveis.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Com informações adicionais do Valor Econômico

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