Baixos preços ameaçam o pagamento de empréstimos e elevam os gastos do governo com o subsídio ao produtoNesta quinta-feira (12), pela quarta vez este ano, o governo dos Estados Unidos interveio no mercado de açúcar para tentar aumentos os preços da commodity, pressionados pela grande oferta global. A baixa nos preços pode causar prejuízos ao governo americano e, para evitá-lo, foi proposta mais uma troca de açúcar por créditos. Representantes do mercado, contudo, afirmam que é preciso fazer mais para evitar que as consequências sejam sentidas no próximo ano comercial.
Nesta quinta-feira (12), pela quarta vez este ano, o governo dos Estados Unidos interveio no mercado de açúcar para tentar aumentos os preços da commodity, pressionados pela grande oferta global, e evitar os maiores gastos com subsídio ao açúcar em 13 anos.
O Departamento de Agricultura (USDA, na sigla em inglês) ofereceu-se para trocar até 85.375 toneladas do produto de propriedade do governo por créditos detidos pelos refinadores como uma forma de reduzir um excedente gigantesco, o qual poderia fazer com que os produtores falhem no pagamento de empréstimos.
A troca seria por créditos de reexportação, os quais dão aos refinadores de açúcar o direito de importar açúcar para processá-lo nos Estados Unidos. Desde junho, duas trocas semelhantes reduziram a oferta de açúcar na proporção de três para um, para cada tonelada oferecida.
Por lei, o USDA é obrigado a garantir aos produtores um preço mínimo de açúcar enquanto durar o programa de açúcar, sem nenhum custo para os contribuintes. O departamento limita a importação e a comercialização de açúcar produzido nos EUA para atingir seu objetivo duplo – e os produtores de alimentos geralmente reclamam que o governo mantém a oferta de açúcar muito baixa, elevando os preços do produto.
Como os preços do açúcar têm ficado abaixo do que o valor garantido pelo governo, levanta-se a possibilidade de confisco da commodity em larga escala para garantir o pagamento dos empréstimos, o qual poderia chegar a 601.400 toneladas do produto ao final de setembro, o equivalente a US$ 276,3 milhões em empréstimos.
Além disso, os baixos preços podem levar aos maiores gastos com os subsídios de açúcar desde os US$ 465 milhões de 2000.
Enquanto as trocas anteriores reduziram a oferta de açúcar em 354.712 toneladas, a nova oferta pode não ser tão bem-sucedida, afirmou um analista em condição de anonimato. Ele disse ainda que os produtores indicaram que há poucos créditos disponíveis para a troca. Já o USDA declarou que a troca "é preferível, neste momento, a qualquer outra opção de gerenciamento de oferta, porque ela minimiza o custo do programa de açúcar".
"É preciso fazer mais", disse Jack Roney, da Aliança Americana de Açúcar. Segundo ele, se o USDA não controlar o excedente de açúcar, ele vai "reaparecer" no próximo ano fiscal, mantendo os preços baixos e ameaçando o pagamento de empréstimos. Roney afirmou que o superávit do produto atingiu níveis recordes este ano.
O excedente de açúcar americano, estimado também na quinta-feira, deve ser de 2,2 milhões de toneladas no final do ano comercial, em 30 de setembro.
Charles Abbott, com Chris Prentice (Reuters)
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana
Nesta quinta-feira (12), pela quarta vez este ano, o governo dos Estados Unidos interveio no mercado de açúcar para tentar aumentos os preços da commodity, pressionados pela grande oferta global, e evitar os maiores gastos com subsídio ao açúcar em 13 anos.
O Departamento de Agricultura (USDA, na sigla em inglês) ofereceu-se para trocar até 85.375 toneladas do produto de propriedade do governo por créditos detidos pelos refinadores como uma forma de reduzir um excedente gigantesco, o qual poderia fazer com que os produtores falhem no pagamento de empréstimos.
A troca seria por créditos de reexportação, os quais dão aos refinadores de açúcar o direito de importar açúcar para processá-lo nos Estados Unidos. Desde junho, duas trocas semelhantes reduziram a oferta de açúcar na proporção de três para um, para cada tonelada oferecida.
Por lei, o USDA é obrigado a garantir aos produtores um preço mínimo de açúcar enquanto durar o programa de açúcar, sem nenhum custo para os contribuintes. O departamento limita a importação e a comercialização de açúcar produzido nos EUA para atingir seu objetivo duplo – e os produtores de alimentos geralmente reclamam que o governo mantém a oferta de açúcar muito baixa, elevando os preços do produto.
Como os preços do açúcar têm ficado abaixo do que o valor garantido pelo governo, levanta-se a possibilidade de confisco da commodity em larga escala para garantir o pagamento dos empréstimos, o qual poderia chegar a 601.400 toneladas do produto ao final de setembro, o equivalente a US$ 276,3 milhões em empréstimos.
Além disso, os baixos preços podem levar aos maiores gastos com os subsídios de açúcar desde os US$ 465 milhões de 2000.
Enquanto as trocas anteriores reduziram a oferta de açúcar em 354.712 toneladas, a nova oferta pode não ser tão bem-sucedida, afirmou um analista em condição de anonimato. Ele disse ainda que os produtores indicaram que há poucos créditos disponíveis para a troca. Já o USDA declarou que a troca "é preferível, neste momento, a qualquer outra opção de gerenciamento de oferta, porque ela minimiza o custo do programa de açúcar".
"É preciso fazer mais", disse Jack Roney, da Aliança Americana de Açúcar. Segundo ele, se o USDA não controlar o excedente de açúcar, ele vai "reaparecer" no próximo ano fiscal, mantendo os preços baixos e ameaçando o pagamento de empréstimos. Roney afirmou que o superávit do produto atingiu níveis recordes este ano.
O excedente de açúcar americano, estimado também na quinta-feira, deve ser de 2,2 milhões de toneladas no final do ano comercial, em 30 de setembro.
Charles Abbott, com Chris Prentice (Reuters)
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana