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Etanol marítimo abre novas perspectivas para setor sucroenergético de Pernambuco

De acordo com o Sindaçúcar-PE, produto fortalece o papel estratégico de Suape na transição energética, inovação tecnológica e infraestrutura portuária

Folha de Pernambuco 4 min de leitura

O avanço do etanol marítimo e do biobunker desponta como uma das principais oportunidades para o setor sucroenergético brasileiro nos próximos anos. A expectativa é que a mistura de etanol ao combustível marítimo convencional contribua para a descarbonização da navegação, impulsionada por novas exigências ambientais internacionais.

Em Pernambuco, a combinação entre a proximidade das usinas, a estrutura logística do Porto de Suape e a localização estratégica nas rotas do Atlântico coloca o estado em posição privilegiada para liderar esse novo mercado. A avaliação é do presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, para quem “o mercado pode consumir mais etanol do que o Brasil produz hoje”.

De acordo com ele, o potencial do etanol marítimo é “imenso” diante da dimensão do transporte naval mundial e das novas metas globais de redução das emissões de carbono. Ainda segundo o executivo, a regulamentação da Organização Marítima Internacional (IMO), que entra em vigor a partir de 2027, abre caminho para que o óleo bunker receba adição de etanol, formando o chamado biobunker.

“O simples acréscimo de 10% de etanol ao combustível marítimo representaria uma demanda próxima de 50 bilhões de litros por ano. Isso supera toda a produção brasileira atual de etanol, que gira em torno de 43 bilhões de litros”, afirma e segue: “Os navios multicombustíveis representam uma evolução tecnológica que amplia o mercado do etanol e fortalece sua inserção global”.

Outro avanço destacado pelo presidente do Sindaçúcar-PE é a evolução tecnológica dos motores marítimos e estacionários. Segundo ele, fabricantes internacionais já desenvolvem motores multicombustíveis, capazes de operar com bunker, metanol e etanol líquido.

“A tecnologia já está disponível e isso amplia significativamente as possibilidades de utilização do etanol, inclusive em motores estacionários que antes utilizavam exclusivamente óleo BPF”, comenta. Cunha lembra que Pernambuco já abriga iniciativas pioneiras, como motores movidos a etanol instalados na Térmica Suape, voltados à geração de bioeletricidade.

Na avaliação do presidente da entidade, Pernambuco reúne vantagens competitivas difíceis de serem replicadas. Além da localização estratégica entre Europa, Estados Unidos e Nordeste brasileiro, Suape já possui infraestrutura consolidada para movimentação de combustíveis líquidos.

“O porto dispõe da maior capacidade de tancagem do Nordeste para granéis líquidos e combustíveis, além de terminais modernos, operações eficientes e excelente integração logística”, completa. Segundo ele, Suape já funciona como um ‘hub port’.

Outro diferencial apontado por Renato Cunha é a proximidade das usinas sucroenergéticas em relação aos portos pernambucanos. Em média, as unidades produtoras estão entre 60 e 80 quilômetros dos portos do Recife e de Suape, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência operacional.

Além disso, Suape possui capacidade estática de aproximadamente 700 milhões de litros para armazenamento de etanol, estrutura considerada estratégica para atender tanto o mercado interno quanto rotas internacionais.

Para Renato Cunha, a expansão do etanol marítimo não beneficia apenas o setor sucroenergético. “Ela impulsiona toda uma cadeia econômica ligada às operações portuárias, envolvendo armazenamento, distribuição, engenharia, dragagem, pesquisa, inovação, operadores logísticos e serviços especializados”, aposta.

Ele defende que a atividade portuária movimenta profissionais qualificados e fortalece a atração de novos investimentos, criando um ciclo positivo para Pernambuco. Cunha também destaca a atuação do Senai e da Federação das Indústrias no desenvolvimento tecnológico e na qualificação da mão de obra ligada ao complexo de Suape.

Na visão do presidente do Sindaçúcar-PE, a transição energética no transporte marítimo é irreversível. Segundo ele, as exigências ambientais internacionais já impõem custos às embarcações com maiores emissões, especialmente na Europa, tornando os combustíveis renováveis cada vez mais competitivos.

“O etanol é um combustível limpo, e a tendência mundial é reduzir progressivamente o uso de combustíveis fósseis. Os navios multicombustíveis representam uma evolução tecnológica que amplia o mercado do etanol e fortalece sua inserção global”, afirma.

Rafaella Soares

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