Apesar de ter esfriado no ano passado, o consumo de combustíveis do Ciclo Otto no Brasil se recuperou em 2019, voltando aos patamares vistos anteriormente. Até então, foram 39,64 bilhões de litros – crescimento de 3,64% na comparação com o período de janeiro a setembro de 2018.
Este mercado, no entanto, manteve as características do ano passado, com um consumo elevado de etanol em detrimento da gasolina. Em todos os meses, mais de 28% do volume abastecido foi do biocombustível e, em setembro, o índice chegou a 30,02%.
Para efeito de comparação, a participação recorde do etanol em 2017 foi de 21,6%, registrada em novembro. Naquele momento, o biocombustível havia recém iniciado uma tendência de crescimento na participação de mercado. Este crescimento seguiu ao longo de 2018, quando o país atingiu um consumo de 19,38 bilhões de litros. Em outubro do ano passado, o combustível atingiu seu recorde mensal de participação, com 32,33%.
Em 2019, este índice se manteve relativamente estável e, até então, abaixo dos 30% – mas, ainda assim, em um patamar historicamente alto. Com isso, de janeiro a setembro, o consumo de etanol soma 16,37 bilhões de litros, 22,88% a mais do que no mesmo período de 2018.
Só em setembro, por exemplo, a demanda foi de 1,87 bilhão de litros. O valor está 4,11% acima dos 1,80 bilhão vistos em setembro de 2018, além de ser 16,26% maior que a média registrada de janeiro a setembro deste ano, de 1,61 bilhão de litros.
Se esta média se mantiver até dezembro, o consumo de etanol em 2019 pode chegar a 19,33 bilhões de litros, número inferior ao do ano passado. Porém, a tendência é que o consumo mensal suba nos últimos meses do ano, de modo que há a possibilidade de a demanda chegar – ou até mesmo ultrapassar – a marca de 20 bilhões de litros.
Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor de etanol no país, o consumo acumulado em 2019 é de 8,50 bilhões de litros, um valor 22,38% superior ao visto no mesmo período de 2018. Além disso, no estado, a participação de mercado do biocombustível tem se mantido em torno de 50% ano longo do ano, com recorde de 51,74% em setembro.
Ao mesmo tempo em que o consumo de etanol tem subido, a demanda por gasolina tem caído.
Em 2017, o volume acumulado nacional, de janeiro a setembro, era de 33,32 bilhões de litros. No ano passado, com a perda de mercado para o etanol e o consumo desaquecido de combustíveis, este valor caiu para 28,82 bilhões. E este ano houve uma nova queda, de 2,7%, com a demanda ficando em 28,06 bilhões de litros.
Ainda que o volume consumido de gasolina no acumulado de 2019 seja 71,41% superior ao de etanol, o índice já foi bem maior. De janeiro a setembro de 2017, por exemplo, ele era de 253,34%.






Renata Bossle – novaCana.com
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