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Estudo do Itaú BBA revela detalhes sobre a baixa lucratividade das usinas

usina 270715Para evitar encolhimento de capital do negócio sucroenergético, lucratividade média do setor precisa dobrar. Com esse objetivo, o Itaú BBA levantou as principais ações que o governo pode executar e qual seria o impacto de cada uma para as usinas

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Um estudo realizado pelo Itaú BBA traduz em números o que os grupos do setor sucroalcooleiro têm sentido na pele há alguns anos: margens negativas e encolhimento do retorno do capital investido. O trabalho coloca em termos palpáveis o peso de um dos mais relevantes indicadores da saúde financeira das empresas, a rentabilidade média, e como ele se encontra corroído.

De acordo com o Itaú BBA, a rentabilidade média das empresas atuantes no ramo precisa quase dobrar para garantir que as contas não fechem no vermelho. O resultado desse retorno esquálido, como se sabe, é visto com o fechamento de diversas usinas e pedidos de recuperação judicial.

Em meio a um ambiente de falta de políticas públicas e investimentos, o Itaú BBA afirma que existem algumas medidas que podem auxiliar na recomposição de receitas e da rentabilidade, quebrando o ciclo de baixo crescimento e produtividade.

A seguir, o NovaCana apresenta as medidas sugeridas, detalhes do estudo e a conclusão da análise realizada pelo banco, que tem como clientes grupos responsáveis por aproximadamente 70% da moagem de cana-de-açúcar na região centro-sul do Brasil.

Um estudo realizado pelo Itaú BBA traduz em números o que os grupos do setor sucroalcooleiro têm sentido na pele há alguns anos: margens negativas e encolhimento do retorno do capital investido. O trabalho coloca em termos palpáveis o peso de um dos mais relevantes indicadores da saúde financeira das empresas, a rentabilidade média, e como ele se encontra corroído.

De acordo com a projeção, divulgada durante o Ethanol Summit, a rentabilidade média das empresas atuantes no ramo está em 6,9%. Este índice, segundo os cálculos do banco, precisaria quase dobrar e chegar a 12% para garantir que as contas das usinas não fechem no vermelho.

Para esse resultado, a análise considera que, em média, as usinas do setor obtêm com a venda de açúcar, etanol e energia o equivalente a R$ 8,9 mil por hectare (R$/ha). Descontado o custo médio de produção, de R$ 6,7 mil/ha, mais despesas administrativas e impostos, as usinas conseguem, em média, um resultado operacional de R$ 995/ha, o que significa um retorno sobre o dinheiro aplicado inferior a 7%, frente a um investimento de R$ 14,4 mil/ha.

itau bba retorno capitalO resultado desse retorno esquálido, como se sabe, é visto com o fechamento de diversas usinas e pedidos de recuperação judicial.

Em meio a um ambiente de falta de políticas públicas e investimentos, o Itaú BBA diz que existem algumas medidas ao alcance do governo que podem auxiliar na recomposição de receitas e da rentabilidade, quebrando o ciclo classificado como de baixo crescimento e produtividade.

O banco também listou uma série de ações a serem executadas pelas usinas para retomada de crescimento. Classificadas como uma “agenda de produtividade”, as ações incluem investimentos para aumentar a produtividade, a eficiência industrial, a capacidade de cogeração e aproveitar melhor a estrutura das usinas, seja com uma safra mais longa ou a utilização de milho para produzir etanol na entressafra.

No entanto, na visão do banco, esta agenda só poderá ser colocada em prática de forma efetiva depois que o nível de lucratividade aumentar. Ou seja, as ações do governo seriam o primeiro passo indispensável.

Segundo Giovana Araújo, analista da área de agronegócio do banco responsável pelo estudo, o eixo dessa retomada passa pelo retorno do imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) aos níveis históricos, pela paridade da gasolina com o preço do mercado global e pelo aumento da receita de energia derivada da cana.

“O principal aspecto do estudo foi quantificar quais medidas públicas podem auxiliar o setor agora”, explicou Giovana.

Aumento da Cide

No caso da Cide, o Itaú BBA reconheceu que a retomada do tributo para a gasolina, em janeiro deste ano, colaborou para que os grupos sucroalcooleiros tivessem um alívio, já que a alta favoreceu o abastecimento com o biocombustível.

No entanto, os R$ 0,22 da Cide por litro acrescidos ao preço gasolina representam 3,2% do valor do combustível. Na visão da instituição, seria necessário o retorno deste patamar para cerca de 12%, já alcançado em janeiro de 2008.

Deve ser levado em conta, para entender como o caixa ficou apertado, que a Cide deixou de ser aplicada à gasolina por quase três anos, entre 2012 e 2015, período em que a competitividade do etanol foi bastante prejudicada.

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“Se a gente assumir uma Cide voltando aos níveis históricos, a participação dela iria aumentar a rentabilidade média das empresas de 6,9% para 8,6%, segundo nosso caso de base. Isso aconteceria devido ao impacto nos preços tanto do etanol como na influência cruzada sobre os preços de açúcar”, disse. Para isso ocorrer, o tributo teria de atingir a marca de R$ 0,38 por litro.

A reivindicação de um novo aumento da Cide para recuperação da rentabilidade das empresas, entretanto, foi logo descartada pelo diretor do Departamento de Biocombustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles.

Segundo ele, que estava presente durante o painel em que o trabalho foi apresentado, não seria possível atender à solicitação dos empresários do setor apenas por que o tributo já esteve em outro nível.

Paridade de importação

Para Giovana, outra política benéfica que o governo pode adotar para o ramo do etanol seria praticar um preço em linha ao dos mercados internacionais com a gasolina.


O NovaCana acompanha semanalmente a diferença entre o preços nacional e internacional da gasolina na plataforma de dados


Na prática, o efeito que o reajuste do preço da gasolina pela Petrobras iria ter é aumentar a competitividade do etanol. “Essa possibilidade eleva as receitas do setor”, disse. Apenas com esse ajuste, calculou o Itaú BBA, a rentabilidade média do setor poderia subir quase dois pontos percentuais.

Biomassa e redução de custos

No final de abril, o governo, que também administra o preço da energia elétrica, fez com a biomassa o que agora é reivindicado para a gasolina. Na ocasião, o valor pago em contratos em leilões de energia derivada da palha da cana-de-açúcar aumentou mais de 20%, subindo de R$ 200 por megawatt-hora (MWh) para R$ 256 MWh.

“O preço ficou mais atrativo e interessante para investimentos em biomassa, especialmente para aqueles grupos que têm energia descontratada e possuem disponibilidade para efetuar negócios”, disse.

De acordo com a analista do Itaú BBA, a outra forma de recuperação das margens é por meio de melhores preços para o açúcar. “Essa é uma possibilidade menos provável. Apesar disso, já vimos reversões de grandes estoques devido a problemas climáticos antes”, afirmou, referindo-se aos amplos estoques da commodity.

“Além disso, as empresas podem melhorar sua produtividade ou tirar proveito de uma menor inflação setorial, já que o desemprego pode causar uma redução salarial, o que poderia beneficiar as usinas”, disse.

Alto endividamento afeta 30% do setor

A pesquisa apontou, ainda, que 30% das empresas do setor está muito endividada. Nesse caso, a previsão é de que esse grupo enfrente dificuldades de liquidez e de geração de caixa.

“As empresas com geração de caixa maior sairão mais fortes na busca por recursos, já que possuem acesso mais barato e a mais fontes de financiamento. Isso não deve mudar nos próximos anos”, disse a analista.

Outra conclusão do trabalho é que o crescimento deverá se concentrar nos grupos menos endividados. Para eles, novas expansões são aventadas apenas com uma rentabilidade média de 15% sobre capital investido.

A apresentação completa feita por Giovana Araújo pode ser acessada aqui.

Felipe Vanini Bruning – NovaCana

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