"A partir do momento em que a Odebrecht decidiu entrar no setor, o primeiro passo foi definir qual estratégia seguir."A busca por resultados na ETH faz parte de uma estratégia de longo prazo, na contramão da atual situação do setor sucroenergético do País.
Em 2007, quando a ETH Bioenergia nasceu, o cenário no País já não era muito favorável ao setor bioenergético. Mesmo assim, o grupo Odebrecht apostou no segmento. A tacada foi certeira. Atualmente, as nove usinas da empresa processam 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em terras arrendadas.
Mas esse volume de cana representa metade da atual capacidade de moagem. O desafio, avalia Luiz de Mendonça, presidente da ETH, é vencer o fosso entre a capacidade instalada e o que é produzido no campo.
Que receita a ETH seguiu para driblar a crise do setor bioenergético?
LUIZ DE MENDONÇA - A partir do momento em que a Odebrecht decidiu entrar no setor, o primeiro passo foi definir qual estratégia seguir. A possibilidade de crescimento não estava mais nas fronteiras tradicionais do interior paulista. Por isso, nos instalamos nos três Estados do Centro-Oeste, além de Teodoro Sampaio (SP), onde tudo começou. O segundo passo foi desenvolver a mão de obra local e arrendar terras.
Por quanto tempo as terras são arrendadas?
MENDONÇA - Hoje, a duração média dos contratos é de 12 anos, mas estamos tentando elevar para 21 anos. Esse alongamento é um fator importante porque dá à empresa segurança para crescer.
Como a ETH vê o futuro do biocombustível de cana no País?
A matriz energética brasileira pode ter altos e baixos, momentos complicados, como agora, em decorrência da rentabilidade sofrível do setor. Mas, com a frota brasileira de carros crescendo e a demanda por energia elétrica impulsionando o desenvolvimento industrial, a produção de etanol vai ser fundamental. O País não tem capacidade de importação total da gasolina de que precisa e o biocombustível é uma das constantes dessa equação a ser resolvida.
Então, por que o etanol não deslancha definitivamente como um segmento estratégico para a economia do País?
Porque falta uma visão de longo prazo mais estável para o setor. A atividade rural precisa de tempo. Para um canavial chegar ao seu pleno desenvolvimento, são necessários cinco anos. Portanto, esse é um jogo que precisa de um longo planejamento. Mas já superamos a fase de mitos e fantasmas de que vamos destruir a Amazônia inteira, que estamos plantando cana-de-açúcar no lugar de alimento. A grande fronteira de expansão da cana- de-açúcar é o pasto degradado cuja área a gente ocupa e recupera.
Quais os planos da ETH fora do Brasil?
MENDONÇA - No ano passado, assumimos a implantação da Companhia de Bioenergia de Angola, chamada de projeto Biocom, uma jointventure entre a Odebrecht, a estatal angolana, Sonangol e o grupo privado local Damer. A Biocom será a primeira usina de açúcar de Angola com capacidade para processar dois milhões de toneladas de cana a partir deste ano. Além da África, também estamos analisando oportunidades em países como México, Colômbia e Peru.
Alécia Pontes - Isto É Dinheiro Rural
Em 2007, quando a ETH Bioenergia nasceu, o cenário no País já não era muito favorável ao setor bioenergético. Mesmo assim, o grupo Odebrecht apostou no segmento. A tacada foi certeira. Atualmente, as nove usinas da empresa processam 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em terras arrendadas.
Mas esse volume de cana representa metade da atual capacidade de moagem. O desafio, avalia Luiz de Mendonça, presidente da ETH, é vencer o fosso entre a capacidade instalada e o que é produzido no campo.
Que receita a ETH seguiu para driblar a crise do setor bioenergético?
LUIZ DE MENDONÇA - A partir do momento em que a Odebrecht decidiu entrar no setor, o primeiro passo foi definir qual estratégia seguir. A possibilidade de crescimento não estava mais nas fronteiras tradicionais do interior paulista. Por isso, nos instalamos nos três Estados do Centro-Oeste, além de Teodoro Sampaio (SP), onde tudo começou. O segundo passo foi desenvolver a mão de obra local e arrendar terras.
Por quanto tempo as terras são arrendadas?MENDONÇA - Hoje, a duração média dos contratos é de 12 anos, mas estamos tentando elevar para 21 anos. Esse alongamento é um fator importante porque dá à empresa segurança para crescer.
Como a ETH vê o futuro do biocombustível de cana no País?
A matriz energética brasileira pode ter altos e baixos, momentos complicados, como agora, em decorrência da rentabilidade sofrível do setor. Mas, com a frota brasileira de carros crescendo e a demanda por energia elétrica impulsionando o desenvolvimento industrial, a produção de etanol vai ser fundamental. O País não tem capacidade de importação total da gasolina de que precisa e o biocombustível é uma das constantes dessa equação a ser resolvida.
Então, por que o etanol não deslancha definitivamente como um segmento estratégico para a economia do País?
Porque falta uma visão de longo prazo mais estável para o setor. A atividade rural precisa de tempo. Para um canavial chegar ao seu pleno desenvolvimento, são necessários cinco anos. Portanto, esse é um jogo que precisa de um longo planejamento. Mas já superamos a fase de mitos e fantasmas de que vamos destruir a Amazônia inteira, que estamos plantando cana-de-açúcar no lugar de alimento. A grande fronteira de expansão da cana- de-açúcar é o pasto degradado cuja área a gente ocupa e recupera.
Quais os planos da ETH fora do Brasil?
MENDONÇA - No ano passado, assumimos a implantação da Companhia de Bioenergia de Angola, chamada de projeto Biocom, uma jointventure entre a Odebrecht, a estatal angolana, Sonangol e o grupo privado local Damer. A Biocom será a primeira usina de açúcar de Angola com capacidade para processar dois milhões de toneladas de cana a partir deste ano. Além da África, também estamos analisando oportunidades em países como México, Colômbia e Peru.
Alécia Pontes - Isto É Dinheiro Rural