Entrevistas

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Roberto Rodrigues é entrevistado no Roda Viva, da TV Cultura


TV Cultura - Publicado: 11 Nov 2014 - 14:12

"Havia um consenso no governo Lula de que etanol, biodiesel, etc., poderiam mudar a geopolítica mundial. Ele [Lula] viu que qualquer país pode produzir alimentos, então, a cana poderia ser um produto voltado à energia", afirmou Roberto Rodrigues, presidente do conselho deliberativo da Unica e ex-ministro da Agricultura, em sabatina no Roda Viva desta segunda-feira (10).

"O Lula acreditava nisso, mas tudo isso mudou, do nada. É muito complicado, muitos grupos estavam atraídos por uma visão de governo. No entanto, a Dilma assumiu e acabou essa visão", aponta.

"Hoje, já estamos dizendo que é possível misturar 27% do álcool na gasolina, mas precisamos discutir quem vai regularizar todos os processos que integram essa nova medida".

Para ele, o principal desafio do segundo mandato de Dilma na área é convencer os investidores de que o governo não fará grandes mudanças repentinas nas regras. "É preciso ter confiança de que investir é estável e duradouro".

Ao ser questionado sobre o avanço do etanol como fonte de energia em outros países, Rodrigues avalia. "Não dá para dizer se isso acontecerá, mas a mistura do álcool na gasolina, sim".

Política

"Vi que não era possível atender aos interesses divergentes", diz ex-ministro sobre os principais desafios do governo Dilma para aumentar desempenho do setor na economia brasileira.

“Nos últimos 20 anos, nenhum governo investiu em logística. O governo Dilma, que teve o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como plano central, começou a mexer nisso pela primeira vez", diz.

"Depois de alguns ajustes e de ampliar o lucro das empresas concessionárias, as empresas de infraestrutura estão criando interesse pelas obras. Eu vou ser justo, é preciso dizer que é o primeiro governo que conseguiu colocar isso em prática", ponderou Rodrigues. "Por mais que o túnel seja muito comprido, há uma luz no final", conclui.

Apesar de fazer elogios à gestão da petista, problematiza a situação em que os produtores se encontram: "É preciso ter políticas públicas melhores, como é feito em países desenvolvidos, que consideram os riscos do agronegócio. No mundo inteiro há o seguro rural, que prevê riscos naturais".

Segundo Rodrigues, a principal interferência para o desenvolvimento do setor é a falta de centralização das políticas desenvolvidas por uma única pasta da Esplanada. "Não existe política para o agronegócio, os instrumentos não estão centrados somente no Ministério da Agricultura. A parte da logística, por exemplo, está vinculada ao Ministério dos Transportes ou dos Portos", analisa.

O ex-ministro abandonou a pasta em 2006, após "ver que não era possível atender aos interesses divergentes". "Fui embora", conclui.

Sustentabilidade

Referente aos ataques feitos pela ANA (Agência Nacional de Águas) contra os agricultores, que apontou o uso excessivo de água pelo setor, Roberto diz acreditar que "não há certeza de que a agricultura tenha estimulado a estiagem em São Paulo".

"Agricultura não consome água; agricultura somente usa a água. Eu tenho muitas dúvidas quando alguém diz o contrário. Olha só para um pé de milho, 60% daquilo é água. A água não é consumida pela agropecuária, ela é usada", analisa.

Questionado sobre a possível nomeação de Kátia Abreu (PMDB-TO) ao Ministério da Agricultura - principal nome apontado nos bastidores da Esplanada dos Ministérios, Rodrigues disse estar muito confiante: "Ela seria uma excelente ministra. Ela é forte, dura, tem conhecimento profundo sobre os problemas e está muito próxima à presidente".

Participam da bancada de entrevistadores do Roda Viva nesta edição Bruno Blecher, diretor de redação da revista Globo Rural; Daniel Barros, repórter da revista Exame; Fernando Lopes, editor de Agronegócios do jornal Valor Econômico; e Maurício Tuffani, blogueiro de meio ambiente do jornal Folha de S.Paulo.

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