Se por um lado essa elasticidade entre a menor e maior previsão permanece, assim como o clima de incertezas para a atual temporada, alguns importantes indicadores, que indicam para onde o mercado está caminhando, tiveram alterações, após quatro empresas especializadas revisarem suas previsões e outras duas, que ainda não tinham feito suas apostas, lançarem seus olhares sobre a temporada em curso
Na primeira compilação de dados realizada pelo NovaCana com as estimativas para safra 2016/17 ficou claro que palavra que definiria a atual safra de cana-de-açúcar para o Centro-Sul do Brasil, a principal região produtiva do setor, seria a imprevisibilidade. A indefinição ficou expressa pelos 64 milhões de cana – diferença entre o cenário mais nebuloso e o mais otimista das estimativas de onze consultorias e entidades do setor para a atual safra.
Se por um lado essa elasticidade entre a menor e maior previsão permanece, assim como o clima de incertezas para a atual temporada, alguns importantes indicadores, que indicam para onde o mercado está caminhando, tiveram alterações. Quatro empresas especializadas revisaram suas previsões e outras duas, que ainda não tinham feito suas apostas, lançaram seus olhares sobre a temporada em curso.
As novas análises também reforçam alguns dos pontos já evidenciados nas previsões anteriores. Confira a seguir os principais fatores que devem influenciar a safra, as novas opiniões sobre o desenvolvimento e o comparativo com 13 instituições das estimativas de safra 2016/17 atualizadas.
Na primeira compilação de dados realizada pelo NovaCana com as estimativas para safra 2016/17, ficou claro que palavra que definiria a atual safra de cana-de-açúcar para o Centro-Sul do Brasil, a principal região produtiva do setor, seria a imprevisibilidade. A indefinição ficou expressa pelos 64 milhões de cana – diferença entre o cenário mais nebuloso e o mais otimista das estimativas de onze consultorias e entidades do setor para a atual safra.
Se por um lado essa elasticidade entre a menor e maior previsão permanece, assim como o clima de incertezas para a atual temporada, alguns importantes indicadores, como a média das expectativas de moagem, foram levemente puxadas para cima ou para baixo, após quatro empresas especializadas revisarem suas previsões e outras duas, que ainda não tinham realizado suas previsões, lançaram seus olhares sobre a temporada em curso.

As novas análises reforçam alguns dos pontos já evidenciados nas previsões anteriores, como a dúvida em relação ao comportamento do clima, traduzida na ocorrência ou não de chuvas que influencia no florescimento da cana que se encontra “atrasada” devido ao prolongamento da safra 2015/16. O outro fator é qual a real capacidade produtiva disponível para atender as expectativas em relação ao favorável mercado de açúcar internacional para essa temporada.

Revisões
Nas últimas semanas, quatro entidades revisaram suas estimativas: Platts/Kingsman, Datagro, Archer Consult e Agroconsult. A Platts atualizou sua aposta pois agora espera uma produção mais elevada no Brasil, especialmente no segundo e no terceiro trimestres. "Não há dúvida quanto à grande quantidade de cana à espera para ser esmagada no Centro-Sul do Brasil", justificou a consultoria.

As usinas do Centro-Sul do Brasil esmagarão segundo a Platts/Kingsman 638 milhões de toneladas de cana (antes previam 620 milhões de tonelada) e direcionarão 44,7% para produção de açúcar - frente a fatia de 44,2% projetada anteriormente. Segundo a consultoria, as usinas darão preferência à fabricação do açúcar porque os preços oferecem retornos melhores do que a produção de etanol, que sofrerá com um declínio de 2,3 % na demanda do combustível provocada pelo aprofundamento da recessão do país.
Com o mercado mais favorável para o açúcar, tanto em preço como em qualidade de cana, as apostas elevam o mix açúcareiro das usinas
A Agroconsult também indicou uma tendência a essa preferência pelo mix açucareiro. “Devido ao mercado estar favorável ao açúcar neste início de safra, tanto em preço quanto em qualidade da cana, é provável que vamos revisar a nossa estimativa de mix ao longo do mês de maio”, acrescentou o analista de açúcar e etanol, Fabio Meneghin.
Nas últimas estimativas da Agroconsult foram elevados os dois indicadores de moagem total e mix de produção de açúcar. O primeiro passou de uma previsão de 622 milhões de toneladas de cana moída durante a safra 2016/17 para 626 milhões de toneladas. Já o mix passou de 41,7% para 42,2% de produção de açúcar.
Em relação às estimativas da Datagro, a consultoria elevou suas projeções para a produção de açúcar para 35,2 milhões de toneladas (antes prevista em 33,8 milhões de toneladas), com um mix de 44,4% voltado para a produção açucareira. Além disso, as estimativas para a produção etanol caíram de 28,1 para 27,28 bilhões de litros para a safra 2016/17.
Os números da Archer foram levemente ajustados e não sofreram grandes alterações.

Novas estimativas
Já entre as instituições que lançaram estimativas está a FCStone e o Banco Pine.
A FCStone destacou as perspectivas relacionadas ao clima. A possibilidade de precipitação próxima à média histórica para os próximos meses deve levar a uma moagem mais rápida em relação à safra passada, quando chuvas entre julho e setembro levaram algumas usinas a perderem mais de 30 dias de moagem durante os meses de pico da colheita. Por outro lado, a falta de chuvas pode afetar a produtividade agrícola dos canaviais em algumas importantes regiões.
Para a consultoria, a moagem de cana no acumulado da safra 2016/17 no Centro-Sul do Brasil deve ficar em 619 milhões de toneladas, apenas 0,2% acima da safra 2015/16. A instituição ainda destacou que o clima seco em boa parte do Centro-Sul vem apresentando efeito positivo sobre a concentração de açúcar na cana, que apresentou média de 117,4 Kg/t em abril, 7,4% acima da safra passada.
“Nos próximos meses, a tendência é que o Açúcar Total Recuperável (ATR) continue aumentando conforme a tendência sazonal desta variável. Além disso, a mudança na metodologia de divisão entre as safras ‘retirou’ da temporada 2016/17 o elevado volume de cana bisada processado no primeiro trimestre do ano e que apresentava ATR médio baixo”, explicou o analista de mercado, João Paulo Botelho.


Já na visão do Banco Pine, de acordo com o economista Lucas Brunetti, é cedo para prever como o ATR se comportará. “O cenário ainda está muito aberto para mudanças. Vejo que isso ainda está ligado a questões climáticas, sobre as quais ainda desconhecemos o real impacto”, assinala.
O Banco Pine trabalha com uma das mais baixas previsões de ATR para atual temporada: 133 kg/t. Só não mais pessimista do que a previsão da FG/Agro em 132,4 e a média entre os indicadores de melhor e pior cenário da Canaplan, que trabalha com um ATR no intervalo de 130 e 135,8 kg/t.
Brunetti assinala ainda a visão pessimista da instituição em relação ao mix açucareiro. Apesar da já apontada recuperação da cotação de exportação do açúcar devido à expectativa de déficit global e do câmbio desvalorizado, Brunetti não prevê um crescimento muito maior do que 3 pontos percentuais na parcela destina à produção de açúcar em relação ao ano anterior. O banco trabalha com uma estimativa de 43% frente 40,65% na última safra.
“Não acredito que a capacidade de produção de açúcar aumentou. Nós temos na verdade uma grande incerteza.”
“Não acredito que a capacidade de produção de açúcar aumentou. Nós temos na verdade uma grande incerteza. Como o mix de etanol foi aumentando nos últimos anos, para essa capacidade [de produção de açúcar] não foi testada a moagem”. Ele ainda assinala que a relação açúcar e etanol “é um pouco mais rígida”. “Quando falamos de 3% de variação de um índice de um ano para o outro, estamos falando já dos máximos que a gente viu acontecer”.
Para ele, as projeções estão muito altas e estão fora da realidade do que a indústria realmente pode produzir de açúcar. “Conversando com o setor, percebemos que o incremento na fabricação de açúcar foi muito pequeno. E ainda perdemos capacidade instalada de produção devido a paralisação ou desativação de unidades produtivas”, diz. Ele analisa que a capacidade vem se mantendo constante nos últimos cinco anos, mas por aumento de eficiência das indústrias. “Com essa capacidade e um período de chuva normal, o máximo produzido seria de 37 a 38 milhões de toneladas de açúcar – ainda dependendo muito do ATR”.
A previsão do banco é que o Centro-Sul produza 34,1 milhões de toneladas de açúcar na atual temporada.

“Com o governo Dilma sabíamos que o preço [da gasolina] não ia cair, com um novo governo há uma certa incerteza e pode haver a possibilidade de os preços ficarem mais perto do internacionais”
Brunetti ainda destaca que as cotações do etanol no mercado doméstico brasileiro vêm sofrendo com a redução na demanda por combustíveis graças à recessão na economia nacional. “No caso do etanol, a expectativa é que se tenha uma recuperação de vendas. A volta do consumidor deve ocorrer nos próximos meses”, diz.
No entanto, o economista analisa que com a mudança de governo coloca-se mais um ator na equação. “Com o governo Dilma sabíamos que o preço [da gasolina] não ia cair, com um novo governo há uma certa incerteza e pode haver a possibilidade de os preços ficarem mais perto do internacionais”, assinala.
O banco prevê uma queda na produção de etanol na comparação com a safra passada - 27,8 bilhões de litros frente aos 28,2 bilhões de litros registrados anteriormente. A previsão está próxima da média das estimativas, em 27,7 bilhões de litros.


Por Marina Gallucci – NovaCana