Etanol: Mercado: Gasolina

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Especialistas questionam declaração de Lula sobre preço da gasolina

Ex-presidente afirmou que, se eleito, não irá manter o preço do combustível dolarizado; ações da Petrobras caem


Agência Estado - Publicado: 03 Fev 2022 - 15:02

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, se eleito em 2022, não irá manter o preço da gasolina dolarizado. Na prática, isso significa acabar com a paridade internacional do combustível, implementada em 2016 para equilibrar as contas da Petrobras.

“Nós não vamos manter o preço da gasolina dolarizado. É importante que o acionista receba seus dividendos quando a Petrobras der lucro, mas não posso enriquecer o acionista e empobrecer a dona de casa que vai comprar um quilo de feijão e paga mais caro por causa da gasolina”, disse Lula à Rede de Radios Paraná, em fala reproduzida no Twitter oficial do petista

— Lula (@LulaOficial) February 3, 2022

O sócio da gestora Armor Capital, Alfredo Menezes, retrucou o ex-presidente na rede social. “A Venezuela, grande produtora de petróleo, tem o preço da gasolina uma das mais baixas no mundo (sic). E o povo passa fome”, ressaltou.

A fala polêmica do petista intensificou a queda das ações da estatal (PETR4). Às 13h45, os papéis caíam 1,88%, aos R$ 31,91. “É negativo para a companhia, uma vez que afetará suas receitas, pois elas não acompanharão os preços internacionais”, explica o analista de investimentos da Nova Futura, Matheus Jaconeli.

Prejuízo e aumento de impostos

Segundo os especialistas consultados pelo E-Investidor, a medida poderia trazer um grave desequilíbrio de mercado e ainda prejudicar a população e a própria União, que é dona de 51% da estatal.

“O impacto é muito ruim, porque teríamos a própria Petrobras assumindo a diferença de preço entre o produto que ela importa, que é cotado em dólar, e o que ela vende. Por vezes, a empresa precisa importar a gasolina, o produto refinado, dolarizado”, explica o sócio da Critéria Investimentos, Vitor Miziara.

Miziara relata que, durante muitos anos, a Petrobras não seguiu os preços internacionais e foi usada como uma ferramenta política para controlar a inflação. O resultado foi um rombo bilionário nas contas da empresa e grandes prejuízos aos acionistas – vale lembrar, que o maior acionista da companhia é o governo federal.

“Isso também prejudica o comércio, porque você basicamente acaba com qualquer empresa importadora. Volta-se a ter um monopólio de gasolina muito forte, porque com certeza a Petrobras vai fazer uma venda de preço mais barata do que no mercado internacional e o importador não conseguirá trabalhar desse jeito”, afirma Miziara.

O aumento de impostos para a população também seria uma das consequências de não respeitar a paridade. Isso porque a União teria que subsidiar parte do preço dos combustíveis.

“Alguém precisará pagar essa conta”, afirma o chefe de renda variável da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga. “Já vimos esse filme. Quando há subsídio, a população tem naturalmente uma elevação de impostos para cobrir esse dinheiro. Isso já aconteceu, não é uma novidade para o Brasil, a história se repete”.

Madruga também chama a atenção para todos os trâmites que devem acontecer para que efetivamente a estatal deixasse de seguir a paridade. Uma mudança no estatuto da Petrobras teria que ser feita e o processo não aconteceria do dia para a noite. “Lula ainda é um pré-candidato, isso precisa ser ressaltado. Enquanto tal, pode falar o que quiser. Acredito que ele esteja mais jogando para o público dele do que para o país”, afirma.

Jenne Andrade