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EPA divulga proposta que pode reduzir drasticamente exportação de etanol do Brasil

EUA-Brasil-170113Se depender do interesse inicial da agência ambiental dos EUA, as usinas brasileiras podem dar adeus a uma parcela significativa do maior mercado importador de etanol do mundo

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Cerca de um mês após o vazamento da proposta da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) para o Padrão de Combustíveis Renováveis 2014 (RFS, na sigla em inglês), o órgão confirmou oficialmente, na última sexta-feira (15), que sugere reduzir as metas de consumo de combustíveis renováveis.

Ao setor sucroenergético brasileiro, interessa, porém, outro número divulgado pela EPA: a meta de consumo dos biocombustíveis avançados sem o limite para o biodiesel e para os combustíveis celulósicos. E o sinal enviado para as usinas brasileiras foi claro.

Confira a seguir o tamanho do mercado que sobrou para o etanol de cana, quem deve disputar essa fatia com o Brasil, a posição oficial da Unica, as dificuldades do lobby brasileiro e como a proposta da EPA de limitar o etanol brasileiro pode ajudar o etanol dos EUA.

Cerca de um mês após o vazamento da proposta da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) para o Padrão de Combustíveis Renováveis 2014 (RFS, na sigla em inglês), o órgão confirmou oficialmente, na última sexta-feira (15), que sugere baixar as metas de consumo de combustíveis renováveis dos previstos 18,15 bilhões de galões de etanol equivalente para 15,21 bilhões de galões de etanol equivalente.

Esta redução reforça o debate entre a indústria do petróleo americana e os produtores de milho e etanol do país. Ao setor sucroenergético brasileiro, interessa, porém, outro número divulgado pela EPA: a meta de consumo dos combustíveis avançados, entre os quais se inclui o etanol de cana, que ficou em 2,2 bilhões de galões de etanol equivalente, ante os 3,75 previstos inicialmente para o ano que vem e os 2,75 estabelecidos para 2013. Em porcentagem, a diminuição é de 41%, em comparação com o volume previsto, e de 20% em comparação com a meta para este ano.

Volumes propostos para 2014

table epa proposedvolumes2014


Para se ter uma ideia melhor do mercado que o etanol de cana irá disputar nos Estados Unidos, ainda é preciso subtrair destes 2,2 bilhões de galões de etanol equivalente os volumes obrigatórios de biocombustíveis celulósicos (17 milhões de galões de etanol equivalente) e de diesel renovável (1,28 bilhão de galões volumétricos ou 1,92 bilhão de galões de etanol equivalente). Para o biocombustível brasileiro, sobrará então um mercado correspondente a 263 milhões de galões.

O volume equivale a pouco mais de 995 milhões de litros e representa um encolhimento de cerca de 60% no mercado de 2013, que ainda será disputado com qualquer biocombustível avançado que seja financeiramente vantajoso. As grandes ameaças continuam sendo o biodiesel americano, feito à base de soja e o diesel renovável.

Justificativa

De acordo com o documento oficial publicado pela EPA, a redução das metas seria a solução para o problema da "parede de mistura", não só porque a indústria de carros e de petróleo se recusa a misturar mais etanol à gasolina, mesmo com a regulamentação do E85 e do E15, mas porque o consumo de gasolina nos Estados Unidos está abaixo do estimado.

O que a EPA não cita é que a capacidade das duas usinas de diesel renovável, que pode ser consumido para além dos 1,92 bilhão de galões de etanol equivalente, complementando o volume mínimo para os combustíveis avançados, é de 210 milhões de galões de etanol equivalente. O objetivo, segundo análise da Biofuels Digest, é não deixar o mercado "se afogar em etanol importado de baixo custo". A proposta indica que a EPA se sensibilizou com o argumento de não abrir a possibilidade para que mais etanol brasileiro entrasse no mercado dos EUA, agravando ainda mais a "parede de mistura".

Reação

Se a proposta da EPA for oficializada, as exportações brasileiras de etanol de cana para os EUA podem cair drasticamente. Só entre janeiro e outubro de 2013, por exemplo, cerca de 1,5 bilhão de litros do produto já foram vendidos ao país norte-americano. Outro fator que deve ser levado em consideração é que, até agora, a expectativa é que a safra 2014/2015 também seja mais alcooleira.

Devido ao impacto da mudança no setor sucroenergético brasileiro, uma das representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) nos Estados Unidos, Letícia Phillips, declarou, por meio de uma postagem no blog internacional da instituição, que a Unica se surpreendeu negativamente com a proposta e que vai enviar comentários sobre ela, explicando por que a redução das metas do RFS põe em risco o meio ambiente e a segurança energética americana.

Letícia escreveu ainda que "a proposta também impacta dramaticamente os estados como a California, que considera o etanol de cana brasileiro como o combustível de baixo-carbono com a melhor performance hoje, sendo o único disponível em escala comercial para contribuir para a norma específica do estado para redução de emissão de carbono".

A proposta da EPA está aberta para comentários durante os próximos 60 dias para que a agência possa formular o texto final da RFS 2014.

Vivian Faria – NovaCana

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