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[Entrevista] Executivos falam sobre o primeiro ano de atividades da BP Bunge

Fusão entre BP Biocombustíveis e Bunge Açúcar e Bioenergia levou à criação do segundo maior grupo em capacidade de moagem de cana do Brasil

NovaCana 20 min de leitura

Em julho de 2019, a gigante norte-americana Bunge e a petroleira britânica BP anunciaram que estavam criando uma joint venture. A BP Bunge Bioenergia uniu os ativos das duas companhias com atuação no setor sucroenergético brasileiro e, alguns meses depois, no começo de dezembro, estava concluída e pronta para o início das operações conjuntas.

“As duas empresas se juntaram e criamos a BP Bunge Bioenergia, que passa a ser a segunda maior sucroenergética do Brasil, com capacidade instalada de 32 milhões de toneladas e uma produção em torno de 28 milhões de toneladas”, relembra o presidente executivo da companhia, Mario Lindenhayn, que também atua como presidente do conselho.

Um ano depois da formalização, ele e o CEO da BP Bunge, Geovane Consul, conversaram com o NovaCana sobre a operação, as principais mudanças, os maiores desafios encontrados e os projetos para o futuro.

“Estamos convictos de que acertamos ao criar esta empresa”, garante Consul. De acordo com ele, aproximadamente 50% das metas previstas para o processo de integração serão entregues no primeiro ano. “Nós temos uma equipe bastante experiente. Vamos continuar crescendo e investindo; e investindo o dinheiro que é gerado pela própria empresa. Isso é motivo de muito orgulho para nós”, completa.

A entrevista completa está disponível com exclusividade para os assinantes do NovaCana.

Em julho de 2019, a gigante norte-americana Bunge e a petroleira britânica BP anunciaram que estavam criando uma joint venture. A BP Bunge Bioenergia uniu os ativos das duas companhias com atuação no setor sucroenergético brasileiro e, alguns meses depois, no começo de dezembro, estava concluída e pronta para o início das operações conjuntas.

“As duas empresas se juntaram e criamos a BP Bunge Bioenergia, que passa a ser a segunda maior sucroenergética do Brasil, com capacidade instalada de 32 milhões de toneladas e uma produção em torno de 28 milhões de toneladas”, relembra o presidente executivo da companhia, Mario Lindenhayn, que também atua como presidente do conselho.

Um ano depois da formalização, ele e o CEO da BP Bunge, Geovane Consul, conversaram com o NovaCana sobre a operação, as principais mudanças, os maiores desafios encontrados e os projetos para o futuro.

“Estamos convictos de que acertamos ao criar esta empresa”, garante Consul. De acordo com ele, aproximadamente 50% das metas previstas para o processo de integração serão entregues no primeiro ano. “Nós temos uma equipe bastante experiente. Vamos continuar crescendo e investindo; e investindo o dinheiro que é gerado pela própria empresa. Isso é motivo de muito orgulho para nós”, completa.

A seguir, leia a entrevista completa.

A BP Bunge foi anunciada em julho do ano passado e está oficialmente concluída desde dezembro. Como foram os primeiros meses de funcionamento da joint venture?
Mario Lindenhayn: Na nossa visão, foi uma fusão muito feliz. Era algo que nós já avaliávamos há algum tempo e o motivo principal não era que as empresas não tinham uma evolução adequada, um desespero financeiro ou qualquer outra questão. Eram duas companhias que nasceram bastante saudáveis e vinham evoluindo na sua jornada; vinham, de maneira consistente, aplicando tecnologias no campo e ganhando competitividade. Mas nós entendemos que, na união, teríamos bastante complementariedade. E, juntos, conseguiríamos ganhar escala. De fato, isso aconteceu.

Como foi este processo?
Lindenhayn: Nós temos alguns pilares que julgamos bastante importantes. O primeiro é a saúde financeira: a empresa nasceu com um nível de endividamento baixo e saudável. Nós temos uma disciplina financeira muito grande e queremos continuar assim. Tivemos o nosso primeiro ano com geração de caixa. O segundo ponto é a qualidade dos ativos. Basicamente, todos os ativos foram construídos de 2011 para cá, então, são relativamente novos.

“Nós temos uma cogeração bem desenvolvida e bastante flexibilidade, tanto entre anidro e hidratado como entre etanol e açúcar. Nós podemos ir até 70% etanol e até 45% açúcar”, Mario Lindenhayn

O terceiro pilar são as pessoas. A gente conseguiu, ao longo dos anos, criar e atrair talentos. Na fusão, nós podemos escolher o melhor das duas empresas, passamos por uma seleção e, agora, temos um time bastante competente e que vem trazendo boas práticas de outros setores. Isso tem ajudado nos ganhos de competitividade. A escala, que é o quarto ponto, também trouxe ganhos importantes com a questão de infraestrutura e logística. Nós estamos posicionados em corredores logísticos de acesso e isso nos garante uma maior competitividade. E, por último, as duas empresas trazem um DNA de inovação e adoção de novas tecnologias. O uso da tecnologia digital no campo nos permitiu ganhar muita velocidade na captura de competitividade.

O processo de integração funcionou bem?
Lindenhayn: O grande foco da safra 2020/21 é a integração; e foi o nosso grande desafio. Nós tivemos uma agenda dos primeiros cem dias, que foi um sucesso. E, agora, estamos concluindo a agenda dos 365 dias, que tem andado muito bem. Identificamos um potencial muito grande de sinergias e de ganhos de competitividade – temos mais de R$ 1 bilhão em oportunidades, comparando com 2019. Estamos trabalhando em uma lista detalhada de ações. Nós não vamos capturar tudo esse ano, mas queremos chegar a, pelo menos, metade. E outros ganhos virão com a maturidade. O ano, para resumir, atendeu as nossas expectativas. Tivemos a nossa melhor performance combinada nas áreas industrial, agrícola e financeira.

“O que a joint venture se propôs a fazer aconteceu de uma maneira organizada e dentro das nossas expectativas, apesar do contexto bastante complexo, com desvalorização do câmbio, baixo preço do petróleo e todo o desafio com a covid-19”, Mario Lindenhayn

Na época do anúncio, foi dito que a nova companhia iria assumir o endividamento da Bunge. Como está o endividamento por tonelada de cana?
Lindenhayn: Não é que a empresa assumiu uma dívida da Bunge. Na construção da companhia, como a Bunge tinha, mais ou menos, uma capacidade de 20 milhões de toneladas, e a BP tinha uma de 10 milhões, a BP aportou os seus ativos com uma dívida. Esta nova empresa, que tem independência financeira, nasceu com um nível de endividamento saudável. Nós temos uma dívida de em torno de R$ 100 por tonelada. Ao longo do ano, como é necessário para esse negócio, tivemos uma demanda de capital de giro que conseguimos financiar com recursos próprios e com financiamento de curto prazo. Os bancos entenderam a proposta. Nós apresentamos isso ao mercado financeiro e fico muito feliz de dizer que, agora, passados os primeiros seis meses de operação da safra, voltamos ao mercado e apresentamos a nossa evolução. Demonstramos claramente que nós estamos acima das nossas expectativas, o que tem sido muito bom.

Nos últimos anos, cresceu no setor as emissões de debêntures e CRAs. A BP Bunge deve fazer algo neste sentido?
Lindenhayn: Nós vamos explorar. A primeira mensagem aqui – e eu quero reforçar isso – é a disciplina financeira. Nós vamos sempre nos movimentar com um equilíbrio financeiro muito saudável. Apesar de sermos uma empresa nova, cabe à BP Bunge Bioenergia demonstrar ao mercado financeiro a sua evolução e o nosso compromisso. Eu acho que, a partir daí, nós vamos explorar várias ferramentas e opções de financiar este negócio ao longo do tempo, tanto no financiamento de longo prazo quanto no financiamento de curto prazo, para capital de giro.

Recentemente, a companhia negou que pretende realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em breve. Mas isso está nos planos para o futuro?
Lindenhayn: Não existe uma declaração de IPO, mas existe uma opção para os sócios avaliarem. Por ora, eu posso dizer duas coisas. A primeira é que nós estamos tendo todo o apoio dos sócios, tanto na integração como na gestão. A segunda é que os sócios estão muito satisfeitos com a gestão da joint venture; eles suportam e apoiam que a gente se dedique, nesta fase, à integração. A BP Bunge Bioenergia, hoje, não tem nenhuma atividade e nenhum plano de discussão e preparação para IPO. Nós estamos absolutamente focados na integração. Caso a opção pelo IPO venha a ser exercida por algum dos sócios, esta é uma decisão a ser tomada mais à frente. Para nós, administradores, o foco é capturar sinergias e garantir que a BP Bunge Bioenergia seja uma empresa não apenas saudável financeiramente, mas que também consiga alcançar competitividade. Para isso, temos uma série de atividades acontecendo e a gente vê resultados muito importantes já no primeiro ano, de 2020/21.

Em uma entrevista anterior, você comentou que a companhia teve uma redução de 30% nos custos de plantio. Como isso aconteceu?
Lindenhayn: Nós conseguimos, por meio de sinergias e boas práticas aplicadas em todas as 11 unidades, ter uma redução muito importante. Por conta da nossa escala, nós temos grandes contratos de insumos e o nosso poder de barganha e de negociação melhorou muito. Existe uma série de ganhos que estamos explorando para aumentar competitividade. Mas, do lado dos investimentos – e é por isso que a saúde financeira é tão importante –, não estamos reduzindo. Principalmente na parte agrícola, em que estamos bem agressivos. Este ano, nós estamos investindo R$ 1 bilhão entre plantio e tratos. Isso é algo muito importante. É um compromisso nosso para que a gente possa encher as indústrias – nós ainda temos uma capacidade ociosa de 4 milhões de toneladas – e para que a gente ganhe competividade. As boas práticas vão permitir que a gente aumente o rendimento nos canaviais e a nossa competitividade.

Geovane Consul: Um dos orgulhos da BP Bunge é que a gente conseguiu fazer essa redução de custos, mas, nos canaviais, estamos fazendo um investimento maior, proporcionalmente, ao que ambas as empresas faziam antes. Nós estamos investindo na expansão da nossa fábrica de mudas pré-brotadas (MPBs), que é uma das mais modernas do país, e nós temos um sistema de gerenciamento de logística que é modelo no setor e que será expandido para outras áreas a partir do ano que vem.

Em relação a estes investimentos no campo: o que deve mudar?
Consul: Em termos de perfil varietal, nós estamos fazendo uma mudança bastante grande, que continua em 2021. Estamos com novas variedades, mais modernas, inclusive variedades transgênicas, além da adoção da matriz de três eixos. Isso está seguindo. Nós também vamos continuar com nosso plano de irrigação e fazendo investimentos relevantes nas usinas para que a gente consiga manter o desempenho. Esse é um dos nossos compromissos: vamos sustentar um nível de investimento acima de R$ 1 bilhão com o caixa gerado das nossas operações, sem contar com aportes de capital vindos dos sócios. Isso é um diferencial da nossa empresa e nós vamos continuar trabalhando para garantir a expansão, inclusive, destes investimentos.

“A redução do custo de plantio não aconteceu por redução de investimentos, mas por ganhos de eficiência. E estes ganhos foram reinvestidos no canavial: devemos plantar acima de 50 mil hectares no ano que vem”, Geovane Consul

O clima afetou as estimativas de moagem de cana no Centro-Sul. Qual é a expectativa atual da BP Bunge e de que forma ela se difere do início da safra?
Consul: A nossa safra está sendo especial. Nós vamos conseguir um recorde de produtividade agrícola este ano, apesar da seca e o melhor TCH [índice de tonelada de cana por hectare] histórico. A nossa produtividade da cana de três cortes já é de primeiro quartil [posição entre as 25% melhores do setor], coisa que, para a nossa jovem empresa, é bastante significativo. Nos cinco cortes, a gente está absolutamente na média do Centro-Sul. Então, é uma evolução muito grande. Claro que nós esperávamos uma produtividade ainda maior, mas, na nossa região – e nós estamos muito concentrados no oeste paulista, no Triângulo Mineiro e em Goiás –, tivemos uma redução dos índices pluviométricos para os menores dos últimos 30 anos no período de abril até outubro. Tivemos poucos milímetros de chuva neste período e isso nos impactou com perdas estimadas de uns 5% de cana até agora.

Mas o clima seco também proporcionou uma moagem acelerada e muitas unidades já estão encerrando a safra. Como está a situação na BP Bunge?
Consul: Estamos para fechar a nossa safra. As usinas Santa Juliana e Pedro Afonso foram as primeiras a parar e encerramos a moagem em mais quatro unidades. Devemos ter duas ou três usinas que devem fechar no início de dezembro.

E como foi a temporada 2020/21?
Consul: Apesar da seca, da epidemia e do processo de integração – que é sempre bastante complexo –, nós temos resultados muito importantes para celebrar: o maior TCH histórico, o maior rendimento industrial e o recorde em relação ao mix açucareiro. O açúcar pagou mais [em relação ao etanol] ao longo de toda a safra e a gente conseguiu suplantar o que tinha sido feito no passado em termos de capacidade de produção de açúcar. Em termos de CTT [corte, transbordo e transporte], nós temos a usina com a melhor performance do Centro-Sul e temos três usinas que são do primeiro quartil, o que também nos orgulha bastante.

O que levou a estas melhorias, que vão além dos resultados no campo?
Lindenhayn: Ambas as empresas tinham enfoques um pouco diferentes e, com a integração, a gente começa a ver diferenças de performance. Então, a gente pega aquilo que está funcionando bem em uma unidade e aplicamos nas demais. Como havia uma variação importante de performance, tanto agrícola quanto industrial, conseguimos aplicar essas boas práticas. É por isso que, no primeiro ano, nós já tivemos ganhos importantes. Por exemplo, nós tivemos um aumento importante na performance das colhedoras com a gestão remota. Tivemos melhorias importantes, em todos os eixos, o que levou a essa performance combinada que é a melhor da história.

A companhia já trabalha com alguma projeção para a moagem da próxima safra?
Consul: A gente espera crescer no ano que vem, mas isso vai depender de um fator essencial: o regime de chuvas entre novembro e abril. Se nós tivermos um regime normal, esperamos que a moagem cresça de 5% a 6%, que é, basicamente, a perda desse ano – e, quem sabe, até mais. Hoje, apesar de a chuva ter voltado para a nossa região, ela ainda está bem abaixo daquilo que a gente esperava. Então, o que vai condicionar o tamanho da safra do ano que vem é se a chuva vier. Esperamos muito que ela venha, porque precisamos.

E como estão as projeções da companhia em relação ao mix de produção para 2021/22?
Consul: Hoje, com base na perspectiva que nós temos, devemos continuar com mix açucareiro até a metade da safra que vem; para frente, é provável que a gente faça um pouco mais de etanol. Mas, se o cenário de preços não mudar, o ano que vem ainda deve ser açucareiro. A gente, inclusive, já vendeu boa parte da nossa safra de açúcar devido ao câmbio e ao preço de Nova York estarem sustentáveis; já fizemos um volume bem grande de vendas. Portanto, nós devemos ter um mix muito provavelmente açucareiro ao longo do ano que vem, principalmente no primeiro semestre.

Você pode comentar um pouco sobre as fixações de preço de açúcar para as próximas temporadas?
Consul: A gente não pode falar o preço, mas damos algumas indicações. Para 2021, estamos mais ou menos 10% acima de 2020. Isso é resultado da aceleração dos preços em Nova York e, também, do câmbio, que tem favorecido muito o agronegócio brasileiro. No que tange a 2022, a gente já vendeu também uma boa parte e os preços estão 8% melhores em relação a 2021. Como já está fixado, isso nos leva a crer que os preços de açúcar serão bastante atrativos para estes volumes.

O mercado internacional de açúcar deve continuar positivo para as usinas brasileiras?
Consul: Bem... O que a gente vê para as próximas safras? A China voltou para o mercado, comprando açúcar porque houve o consumo dos estoques reguladores e porque decidiu aproveitar este período de pandemia para repor estoques de praticamente todas as commodities, não só açúcar. Nós tivemos, além disso, uma quebra significativa na safra da Tailândia, de 50%. Outro mercado que tem açúcar disponível, mas que ainda não lançou sua política de incentivos é a Índia. Enquanto a Índia não publica o seu subsídio – e vamos torcer para que nunca publique porque isso prejudica o mercado global –, o açúcar brasileiro realmente encontrou lugar no mercado internacional e isso favoreceu os preços. Devido a essas quebras no hemisfério norte, é bem provável que até julho ou agosto do ano que vem, o açúcar brasileiro seja demandado. Então, estamos otimistas em relação aos preços de açúcar para 2021.

Mas a companhia também está de olho no mercado de etanol?
Consul: Os preços de etanol são um pouco mais difíceis de antecipar. A redução de consumo de etanol no Brasil foi de 9% [no comparativo entre 2019 e 2020]. O mercado está se recuperando somente agora, a economia começou a andar um pouco. Nós chegamos a ter, em abril e maio, quedas de 29% no consumo de etanol no país. Foi muito dramático. E o que ajudou os preços do etanol foi o câmbio, que faz com que que o preço da gasolina no mercado internacional fique mais caro em reais. Hoje, o etanol é muito competitivo frente à gasolina devido ao aumento de eficiência da indústria, mas também por conta do preço da gasolina no mercado internacional. Então, a gente vê que há um cenário positivo para o ano que vem, para a nossa indústria e para a BP Bunge Bioenergia. O preço do etanol, apesar de ser um pouco mais suscetível, deve se manter se o petróleo brent ficar entre US$ 40 a US$ 45 por barril e se o câmbio ficar acima de R$ 5. E as previsões indicam isso. Assim, a gente vê um ano bem favorável em termos de preço em 2021.

O setor sucroenergético enfrentou diversas crises nos últimos anos, mas vocês seguem falando em otimismo.
Lindenhayn: Nós temos muita confiança nos elementos básicos de mercado desse setor. A gente vê uma demanda crescente, uma evolução das tecnologias bastante importante. Nós passamos por algumas fases desde a mecanização e, agora, chegou a digitalização. Somos grandes usuários das tecnologias, com gestão remota de toda a frota, uso de drones, georreferenciamento, piloto automático e todas essas iniciativas – e vamos continuar investindo nesta frente porque entendemos que isso traz competitividade. O setor tem bases mercadológicas saudáveis. Nós temos instrumentos reguladores, um consumo crescente e a crença de que os biocombustíveis têm um espaço legítimo na transição energética. A gente vê claramente o reconhecimento crescente do consumidor e da sociedade em relação aos benefícios dos biocombustíveis, algo que ocorre não só no Brasil, mas internacionalmente. E o que nós gostaríamos de ver é esse benefício sendo precificado adequadamente. Acho que a estrutura mercadológica é boa e a nossa convicção em relação à evolução deste mercado é alta. É por isso que nós temos investido bastante.

“O nosso papel é posicionar a BP Bunge como uma empresa competitiva, pujante, que impulsiona esse mercado ao longo de toda a sua cadeia. Essa é a nossa ambição”, Mario Lindenhayn

Como vocês mencionaram, a pandemia de covid-19 afetou bastante o setor em 2020. Como isso impactou a BP Bunge?
Lindenhayn: Um dos principais valores que nós trazemos dos nossos sócios, e que está muito próximo da nossa equipe, é a segurança. É lógico que essa pandemia foi uma novidade para todos, mas nós tivemos um cuidado, logo no início, de preservar a saúde dos funcionários. Nós afastamos todo mundo que tivesse acima de 60 anos e com alguma comorbidade, assim como mulheres grávidas – centenas de pessoas ficaram e estão afastadas desde então. Por ser uma atividade essencial, nós demos continuidade às operações, mas suspendemos todas as atividades dos escritórios; estamos trabalhando remotamente desde o início de março. Também nos beneficiamos do conhecimento dos sócios da empresa. Como BP e Bunge atuam em várias regiões, inclusive na Ásia, elas tinham mais experiência. E, ao longo do tempo, também fomos entendendo como outras empresas estavam fazendo. Houve um investimento muito grande para garantir um maior número de ônibus, EPIs [equipamentos de proteção individual] e tudo o mais.

Consul: A nossa equipe foi capaz de responder de uma maneira efetiva. Nós temos um comitê de crise que se reúne diariamente desde março. Este comitê também é replicado nos nossos clusters, e a gente trata disso com muita seriedade. Nós também buscamos no mercado o apoio de médicos infectologistas, que nos orientam sobre como atuar. Fora as barreiras, os investimentos que foram feitos para aumentar a segurança para as equipes que continuaram trabalhando. Essa equipe foi capaz, em uma situação bastante crítica, de manter as operações com segurança e respeitando todo o nosso valor intrínseco de segurança, de nunca colocar a vida das pessoas em risco.

A empresa também fez doações de álcool e ações nas cidades ao redor das usinas?
Lindenhayn: Sim. Acho que a BP Bunge teve uma atuação realmente bacana e bem importante na ajuda às comunidades. Nós demos apoio e fizemos doações a mais de 77 municípios que estão ao redor das nossas unidades. Foram volumes muito importantes. Nós participamos da iniciativa da Unica [União da Indústria de Cana-de-açúcar] para a doação de um milhão de litros, mas, depois, também tivemos a nossa participação individual. Deu muito trabalho, naturalmente, mas acho que a gente conseguiu retribuir para as comunidades que têm nos recebido tão bem. Acho que foi um esforço muito grande e que não acabou ainda. Nós continuamos com essa atividade e são investimentos importantes. A parte das doações tem um ônus financeiro, mas, por outro lado, leva um benefício para essas comunidades, que são bastante carentes.

Todas as unidades da BP Bunge estão no RenovaBio. Quais são as perspectivas em relação ao programa neste ano? E para o ano que vem?
Lindenhayn: Todas as nossas 11 unidades estão certificadas e registrando CBios. É um projeto que nós aplaudimos bastante. Nós estivemos bastante envolvidos, desde o início das discussões com o MME, e nos parece uma oportunidade e um mecanismo muito inteligente. Respaldado por lei, o RenovaBio estimula as usinas a buscarem a redução de suas emissões e, a partir daí, emitirem mais créditos de carbono. Eu acho que isso é muito bacana, demonstra uma direção estratégica do país com relação a suas fontes de energia. Outro ponto interessante é o fato de que, nessa transição energética que estamos vivendo, o Brasil tem a oportunidade de se tornar um grande gerador de créditos de carbono.

Consul: A gente não sabe exatamente o volume de CBios que vamos registrar devido ao volume de etanol, pois estamos fazendo vendas ainda. Mas, o que eu posso te dizer é que 90% dos CBios que serão registrados pela BP Bunge neste ano serão vendidos. As usinas, basicamente, já cumpriram a meta estabelecida pela ANP, apesar da redução devido à pandemia. Mas isso mostra o engajamento do setor. O RenovaBio tem funcionado bem, a B3 tem sido um mecanismo de negociação e alguns bancos estão participando também. Para o primeiro ano, acho que o setor como um todo está de parabéns. É um orgulho para o nosso país ter um programa tão bem estruturado. E, em 2021, a gente espera que o programa atinja sua maturidade. Seria maravilhoso que estes créditos de carbono, gerados por meio da produção renovável, fossem utilizados por outras indústrias também. Isso seria a prova cabal de que o programa é um sucesso. Não tenho dúvidas de que a gente vai chegar lá.

Renata Bossle – NovaCana

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