
Nesta reportagem:
- O preço que a GranBio espera vender seu etanol
- Infográfico detalha os diferenciais no processo de produção da GranBio, do campo ao produto final
- Cruzamento genético de híbridos comerciais com tipos ancestrais da cana-de-açúcar
- Início da utilização desta cana em larga escala

Por muito tempo as pesquisas desenvolvidas em relação à cana-de-açúcar trabalharam no sentido de aumentar o teor de sacarose, reduzindo o conteúdo celulósico ao mínimo possível. Tanto é que hoje as plantas usadas comercialmente tem rigidez necessária para manter o colmo em pé. Para chegar a uma variedade mais a adequada ao etanol de segunda geração (2G), a GranBio fez o caminho inverso: recuperou a fibrosidade da cana, devolvendo-a a um estado próximo de sua origem.
No interior do estado de Alagoas, pesquisadores desenvolvem novas cultivares de cana-de-açúcar com perfil específico para o 2G. O município São Miguel dos Campos, situado na Zona da Mata, tem no cultivo da cana-de-açúcar uma tradição de cerca de cinco séculos e foi lá que a GranBio estabeleceu em 2012 seu programa de melhoramento genético. A estação experimental tem a missão de garantir à empresa acesso a uma fonte de biomassa produtiva e com baixo custo.
Segundo informações do diretor agrícola da GranBio, José Bressiani, a unidade de pesquisa atua também na avaliação de outras fontes de biomassa, mas o foco está no melhoramento genético. "Nosso esforço maior é com a cana-energia, pois acreditamos que ela seja a melhor fonte de biomassa para a indústria do etanol 2G". A previsão é que as primeiras variedades deste tipo, chamado de cana-energia, sejam lançadas ao final de 2015. "A cana-energia é o nome dado a um tipo particular de cana-de-açúcar que tem como características principais o alto potencial produtivo, associado a um alto teor de fibras e baixo teor de açúcar", explica.
De acordo com as estimativas da GranBio, o etanol da empresa vai atingir um preço cerca de 20% menor que o do álcool produzido da forma tradicional.
Clique na imagem abaixo para iniciar o infográfico:

Quatro vezes mais fibra
"As variedades de cana-energia serão obtidas por melhoramento genético clássico. Batizada pela GranBio como Cana Vertix, essa variedade está sendo obtida a partir do cruzamento genético de híbridos comerciais com tipos ancestrais da cana-de-açúcar. Dessa forma, características como o alto teor de fibra, rusticidade e resistência a pragas e doenças foram transferidas para esse novo tipo de cana", detalha Bressiani.Segundo o diretor agrícola, a primeira cana-energia da GranBio deverá produzir o dobro de biomassa do que a cana-de-açúcar convencional. "Ela terá também o dobro da quantidade de fibra e a metade do teor de açúcar. Isso nos leva a um resultado final onde teremos a mesma quantidade de açúcar por área e quatro vezes mais fibra que a cana convencional".
Outra vantagem é que, por ser mais agreste do que as plantas usadas atualmente, o custo de produção para uma tonelada de cana-energia será significativamente inferior.
Quando a GranBio efetuar o registro da nova modalidade de cana, será possível cultivá-la como complemento à palha e ao bagaço atualmente utilizados nas unidades de etanol 2G. "O primeiro plantio está previsto para 2015. A ideia é que a cana energia passe a ser usada em larga escala a partir dessa data", reforça.

Amanda SchArr - NovaCana
Fonte das imagens e infográfico: GranBio