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20 empresas ligadas ao setor sucroalcooleiro estão na lista suja do trabalho escravo

trabalho-escravo-canaviais-040214Empresas presentes no cadastro são monitoradas e ficam impedidas de obter empréstimos em bancos oficiais, como o BNDES
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trabalho-escravo-canaviais-040214A submissão de mais de mil e quinhentos trabalhadores a condições análogas à escravidão praticada pelo grupo Infinity Bio-Energy e denunciada pelo Ministério Público Federal não é exclusividade de unidades deste grupo no setor sucroenergético. Atualmente, 20 empresas ligadas à produção de cana, açúcar e álcool aparecem no cadastro feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de todos os empregadores que tenham submetido funcionários a condições semelhantes: a "lista suja do trabalho escravo".

Quatro destas empresas foram incluídas na relação na última atualização ordinária, feita 30 de dezembro de 2013.

A submissão de mais de mil e quinhentos trabalhadores a condições análogas à escravidão praticada pelo grupo Infinity Bio-Energy e denunciada pelo Ministério Público Federal não é exclusividade de unidades deste grupo no setor sucroenergético. Atualmente, 20 empresas ligadas à produção de cana, açúcar e álcool aparecem no cadastro feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de todos os empregadores que tenham submetido funcionários a condições semelhantes: a "lista suja do trabalho escravo".

Quatro destas empresas foram incluídas na relação na última atualização ordinária, feita 30 de dezembro de 2013. São elas: Fazenda Bandeirantes, de Manoel Ernesto de Lima, localizada em Ribeirão (PE); Laginha Agroindustrial de União dos Palmares (AL); Usina Salgado, situada em Ipojuca (PE); e a unidade de Confresa (MT) da Zihuatanejo do Brasil Açúcar e Álcool, que pertence ao grupo nordestino EQM, o mesmo da Folha de Pernambuco, e que já foi flagrada em outras quatro operações do MTE desde 2001.

A unidade de União dos Palmares é a segunda usina do grupo Laginha Agroindustrial a entrar na lista. Em junho do ano passado, a Vale do Paranaíba, localizada em Capinópolis (MG), foi incluída devido a uma ocorrência envolvendo 207 trabalhadores. Vale lembrar que este não é o único problema que o grupo liderado pelo deputado federal João Lyra enfrenta no momento. Desde o ano passado há também uma batalha judicial sobre a decretação de sua falência.

Outro político presente na lista suja do trabalho escravo é o ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera Mano Filho, que ocupou o cargo durante o governo Collor. O nome do ex-ministro foi incluído na relação em junho de 2013, por submeter 184 trabalhadores a condições análogas à escravidão na Fazenda Bela Vista, em Limeira D'Oeste (MG). O flagrante aconteceu em 2009 e, à época, o político produzia etanol em parceria com a americana ADM.

Já a recém-denunciada Infinity Bio-Energy de Conceição da Barra, conhecida como Disa, está listada no cadastro do MTE desde dezembro de 2010. No entanto, a Cridasa, de Pedro Canário, onde também foram encontradas irregularidades, não aparece na relação.

Confira a seguir as empresas ligadas ao setor presentes na lista suja, segundo identificação do ramo de atividade feita pela ONG Repórter Brasil.

A lista suja

Instituído em 2003, por meio de portarias do Ministério do Trabalho, o cadastro é atualizado semestralmente e cada nova versão é enviada para diversos outros ministérios, para a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e instituições financeiras oficiais. A inclusão na lista acarreta a inclusão na lista de empresas integrantes da cadeia produtiva do trabalho escravo e o impedimento de obter empréstimos em bancos oficiais.

Os empregadores presentes na lista são monitorados por dois anos e, caso não haja reincidência, os nomes são excluídos depois deste período, desde que o pagamento de multas e débitos trabalhistas seja feito.

A lista completa está disponível no site do MTE.

Vivian Faria - NovaCana
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