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Empresa de biodiesel quer construir usina de etanol de milho em Mato Grosso

milho colheita etanol 240715Um novo player promete entrar no setor alcooleiro fabricando etanol de milho no principal estado produtor do grão no Brasil. O investimento é orçado em R$ 140 milhões e a aventura está sendo capitaneada por uma empresa de biodiesel mato-grossense com market share de 1,2% no segmento.

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Um novo player promete entrar no setor alcooleiro fabricando etanol de milho no principal estado produtor do grão no Brasil. O investimento é orçado em R$ 140 milhões e a aventura está sendo capitaneada por uma empresa de biodiesel mato-grossense com market share de 1,2% no segmento.

O NovaCana apresenta a visão dos executivos, as etapas de desenvolvimento do projeto e os detalhes da aposta no etanol de milho.

Um novo player promete entrar no setor alcooleiro fabricando etanol de milho no principal estado produtor do grão no Brasil. O investimento é orçado em R$ 140 milhões e a aventura está sendo capitaneada pela Biopar do Mato Grosso, empresa produtora de biodiesel com market share de 1,2% no segmento.

A informação veio à tona no início do mês, depois que a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) aprovou a consulta prévia para que a empresa receba R$ 80,8 milhões em recursos do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA).

O diretor da companhia, Francisco Flores, confirmou à BiodieselBR (empresa do grupo que controla o NovaCana) o interesse da empresa em diversificar para esse novo mercado. “A gente já tem biodiesel e vamos dar continuidade no segmento de biocombustíveis”, disse o executivo em entrevista por telefone. Ele acrescentou que o novo empreendimento também será instalado em Nova Marilândia onde a empresa tem sua usina de biodiesel.

No entanto, o mercado de etanol ainda é um mistério para a companhia. “A gente tem pouco know-how do mercado de etanol, mas temos conhecimento sobre o milho”, reconhece o dirigente.

Sobre os riscos atrelados a essa aposta em um momento de crise no setor sucroenergético, em que muitas usinas pagam para produzir, Flores relativiza: “Todo investimento é perigoso”.

“A partir do momento em que [um setor] começa a ter mais concorrência, as margens ficam mais apertadas. [Hoje em dia] não é mais fácil abrir um negócio que vai garantir uma rentabilidade de ‘xis’ %. [A margem] é centavos por litro”, acredita.

Segundo o executivo, do investimento total de R$ 140 milhões, além dos R$ 80,8 milhões a serem disponibilizados pela Sudan, cerca de 20% – R$ 28 milhões – serão capital próprio da Biopar; já os outros R$ 31 milhões serão captados junto ao sistema financeiro e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A meta é iniciar as obras ainda este ano para que a usina entre em operação já em 2016, mas Flores reconhece que cumprir esse cronograma “depende muito do andamento da parte burocrática”.

A empresa ainda não deu entrada no trâmite para habilitar a construção da unidade junto a órgãos controladores, como Secretaria do Meio Ambiente e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Milho

A ideia é construir uma usina de etanol que vai operar principalmente com milho produzido no Mato Grosso. “A usina também poderia funcionar com cana-de-açúcar. Acontece é que não temos muito plantio de cana nas proximidades, o que temos de sobra é milho. Hoje, cerca de três quartos do milho do Mato Grosso é exportado sem qualquer agregação de valor”, explicou Flores.

Quando estiver em operação, a indústria deve ficar inoperante apenas um mês por safra. “O planejamento é trabalhar 11 meses por ano”, mas, ressalva, “só vamos ter certeza a hora que começar a girar. E uma safra não é igual a outra, depende de demanda [por milho]. Se eleva o preço vamos precisar de capital de giro maior. Conhecemos a relação de milho na região e sabemos que nos últimos dez anos tem sobrado”.

A capacidade da nova usina da Biopar MT será para processar até mil toneladas de milho em grão por dia fabricando diariamente 420 mil litros de etanol e 330 toneladas de farelo que serão aproveitados para a produção de rações animais.

Batata Doce

Milho não será a única matéria-prima que deverá ser usada pela usina. Segundo o documento publicado no Diário Oficial da União, a usina também vai operar usando batata doce que, de acordo com Flores, seria adquirida de agricultores familiares das imediações.

“Temos muitos pequenos produtores familiares por aqui, queremos incentivá-los”, completa o executivo.

Biodiesel

Na visão da empresa, o investimento poderá render sinergias importantes com a usina de biodiesel. Nos Estados Unidos – onde a maioria dos 54,3 bilhões de litros de etanol produzidos no ano passado foi feita de milho – o óleo destilado de milho se tornou uma matéria-prima importante para o biodiesel.

Flores admite que eles estão de olho nessa possibilidade. “Tudo vai depender do preço que o mercado nos pagar no óleo de milho comparado ao custo do óleo de soja”, resume.

Outras usinas

Em 2014, duas usinas menores operaram em modalidade flex – produzindo etanol com cana e milho – no Mato Grosso e produziram cerca de 11 milhões de litros a partir do cereal. Uma unidade fica em Campos de Júlio, a Usimat, e a outra, a Usina Libra, em São José do Rio Claro.

Entre as iniciativas de maior capacidade para a produção de etanol de milho no Brasil, foi anunciada a implantação de uma usina flex da SJC Bioenergia, joint venture entre a norte-americana Cargill e o tradicional grupo sucroalcooleiro Usina São João. O projeto está em implementação e consiste na adaptação de uma usina tradicional de cana-de-açúcar, para agregar o processamento do milho à produção etanol.

A iniciativa da SJC Bioenergia vai custar cerca de R$ 160 milhões, 60% deste valor será financiado pela Finep. A instalação será na usina São Francisco, em Quirinópolis (GO), e vai ter condições de processar 1.650 toneladas de milho por dia. O início da operação está previsto para janeiro de 2016.

Com um projeto orçado em R$ 140 milhões, o grupo norte-americano Biourja pretende instalar uma unidade exclusiva de etanol de milho, em Chapadão do Sul (MS). A empresa fabricará farelo proteico de milho (DDGs), óleo de milho, álcool industrial e combustíveis, além de gás carbono (CO2).

De acordo com os dados divulgados pela Biourja, deverão ser processados 410 mil toneladas anuais de milho, resultando numa produção anual de 143,5 mil toneladas ao ano de grãos secos por destilação, 170 milhões de litros ao ano de etanol, 4,1 mil toneladas de óleo de milho, e 54,53 mil toneladas ao ano de gás carbono.

Especial: Fabio Rodrigues - BiodieselBR

com reportagem adicional do NovaCana

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